O Lakers veste roxo e dourado desde 1967, e não desde a mudança para Los Angeles, em 1960. Nesses sete anos intermediários o uniforme era azul e branco. Hoje a franquia pode usar cinco edições diferentes numa mesma temporada, e só uma delas muda de desenho todo ano.
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As cinco edições que o Lakers pode vestir
Desde 2017-18, quando a Nike assumiu o fornecimento, a NBA abandonou a divisão rígida entre uniforme de casa e de fora. Cada time passou a ter um conjunto de edições nomeadas, e quem manda no jogo escolhe qual vestir. O visitante se adapta para não repetir a cor.
Sistema de edições da era Nike
| Edição | Cor | O que é | Quando aparece |
|---|---|---|---|
| Icon | Dourada | A identidade principal | Base da temporada |
| Association | Branca | O uniforme branco tradicional | Jogos selecionados |
| Statement | Roxa | A alternativa de mais peso | Jogos de destaque |
| City | Muda todo ano | Homenagem a Los Angeles | Datas definidas pela liga |
| Classic | Retrô | Reedição de um uniforme antigo | Aniversários |
Repare no ponto que mais confunde: no Lakers, a Icon é a dourada, não a roxa. A Icon é sempre a identidade principal da franquia, seja qual for a cor, e no caso daqui o dourado ocupa esse lugar desde que o sistema existe. A roxa é a Statement, reservada para os jogos de maior apelo.
Por que roxo e dourado, e por que só a partir de 1967
As três eras de cor da franquia
| Período | Cores | Cidade | Detalhe |
|---|---|---|---|
| 1947-1960 | Azul e branco | Minneapolis | O nome vem dos lagos |
| 1960-1967 | Azul e branco | Los Angeles | “Los Angeles” em manuscrito |
| 1967 até hoje | Roxo e dourado | Los Angeles | Cooke batizou de Forum Blue |
A mudança tem dono e tem motivo. Jack Kent Cooke, que comprou a franquia em 1965, também era dono do Los Angeles Kings, do hóquei, e estava construindo o Forum, em Inglewood. Ele quis dar aos dois times da casa nova um visual de realeza, e escolheu roxo e dourado para ambos.
Só que Cooke não gostava da palavra roxo. Em vez de usá-la, batizou a cor de Forum Blue, e assim ela ficou registrada nos materiais oficiais durante toda a gestão dele. O nome só caiu depois de 1979, quando Jerry Buss comprou o time e o guia de imprensa passou a chamar a cor de púrpura real. O tom nunca mudou, só o nome.
O azul de Minneapolis, e o nome que sobrou
Antes disso havia outro time, em outro estado e com outras cores. O uniforme do Minneapolis Lakers era azul e branco, e o azul não era escolha estética: remetia aos lagos de Minnesota, a terra dos dez mil lagos, que é de onde vem o nome Lakers.
Quando o time se mudou para Los Angeles, em 1960, levou o nome e as cores. Por sete temporadas o Lakers jogou de azul e branco na Califórnia, com “Los Angeles” escrito em manuscrito no peito. É o período que quase todo mundo esquece, e é justamente ele que explica por que o roxo tem data de nascimento.
Showtime e os Sunday Whites
Nos anos 1980, com Magic Johnson recém-chegado pelo draft e Kareem Abdul-Jabbar no garrafão, as cores não mudaram, mas o contexto sim. O uniforme dourado virou símbolo de uma era de espetáculo, e é aquele desenho que aparece até hoje em reedição sempre que a franquia quer evocar o período.
Nos anos 2000 entrou um hábito que virou tradição: o branco em jogos de domingo, apelidado de Sunday Whites. Era uma exceção ao padrão de a casa jogar de cor, e acabou preparando o terreno para a lógica de edições que a Nike formalizaria depois.
Por que esse uniforme virou item de moda
Poucos times conseguiram o que o Lakers conseguiu com dois tons: sair da quadra e virar vestuário. O roxo e dourado aparecem em clipe, em passarela e em arquibancada de outros esportes, muitas vezes usados por gente que não acompanha basquete. É identidade visual funcionando como marca, e não como fardamento.
Ajuda o fato de a combinação ser rara. Poucas equipes profissionais americanas usam roxo como cor principal, e quase nenhuma o combina com dourado. O que Cooke escolheu por vaidade arquitetônica em 1967, para combinar com um ginásio, acabou virando o ativo visual mais reconhecível de uma franquia de 17 títulos.
O uniforme muda de recorte, de gola e de fornecedor. As duas cores, não. E é por isso que um torcedor reconhece o time num quadro de um segundo, sem precisar ler o nome no peito.