O Lakers tem uma vaga em aberto no quinteto titular e Adou Thiero virou candidato a ela, um ano depois de chegar como escolha de segunda rodada. O problema está no fundamento que decide a disputa: o arremesso de três dele andou para trás do inverno para o verão.

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Resumo rápido
1 de 10
O que ele acertou da linha de três em Las Vegas neste verão americano.
10 de 20
O que ele acertou da mesma distância na G League, na temporada de estreia.
6 minutos
A média dele por noite nos 25 jogos que disputou pelo Lakers na NBA.
Nenhuma
Partida como titular na carreira dele na NBA até aqui.

A aposta subiu de andar em dez dias

Em 9 de setembro nós contamos aqui que o caminho dele era a rotação, e a tese vinha do Silver Screen and Roll. Dez dias depois, o mesmo site subiu a aposta: Christopher Plain, que assina como Plainfiction, escreveu que Thiero pode roubar a quinta vaga do quinteto ainda nesta temporada. O texto é análise, e não apuração, e o próprio autor abre admitindo que quase ninguém acha que ele começa o ano como titular.

A distância entre as duas teses não é pequena. Rotação é o décimo homem em uma noite de rodízio. Quinteto titular é abrir jogo ao lado de Luka Doncic, em um time que precisa de espaço na quadra para ele atacar. São exigências diferentes, e é por isso que vale olhar no que a aposta se apoia.

São três razões, e só duas têm número

A primeira é a explosão física, e ela é real. Thiero tem 2,03 metros, 22 anos e sai de Arkansas com o tipo de corpo que é raro mesmo na NBA. Em Las Vegas ele fechou o verão americano com 6,2 rebotes por jogo, boa parte deles disputados acima de todo mundo.

A segunda é a velocidade com que ele melhorou, e também tem sustentação. Foram 1,8 roubos de bola e 3 assistências por partida em Vegas, com a pressão na bola incomodando desde o primeiro minuto em quadra. Quem viu os jogos de julho descreve um jogador diferente do que apareceu na G League.

A terceira razão é o temperamento. O autor compara o olhar dele ao de Kobe Bryant e fala em vontade de vencer acima de tudo. Pode até estar certo, mas não existe número que sustente isso, e a diferença entre uma leitura de caráter e um dado é o que separa uma tese de uma torcida.

O fundamento que decide a vaga é o que anda para trás

Nós fomos atrás das três amostras de arremesso de três que existem na carreira dele, e elas contam uma história incômoda para quem aposta.

Adou Thiero da linha de três, competição por competição
G League
2025-26, 10 jogos
Acertou
10 de 20
Aproveitamento
50,0%
NBA
2025-26, 25 jogos
Minutos
6,0
Aproveitamento
33,3%
Summer League
2026, Las Vegas
Acertou
1 de 10
Aproveitamento
10,0%

Antes de qualquer conclusão, uma ressalva que o torcedor merece ouvir: nenhuma dessas amostras serve para cravar nada. Vinte tentativas na G League, dez em Vegas e um punhado de arremessos espalhados por 6 minutos de NBA por noite não fecham conta nenhuma. A leitura honesta não é que ele piorou de vez, é que ninguém sabe, e quem não sabe não ganha vaga de titular ao lado de um armador que precisa de espaço.

O que ele já entrega enquanto o arremesso não vem

Enquanto o arremesso não aparece, o que ele coloca na mesa é defesa. Na temporada passada, como contamos em setembro, ele ficou no 83º percentil da liga em defesa de linha de passe, e o contrato ajuda o técnico a testar: são US$ 2,15 milhões nesta temporada, com o terceiro ano ainda dependendo de uma opção. Jogador barato que marca é o tipo de peça que entra em quadra sem custo político.

A fila para a quinta vaga é maior do que parece

A disputa não é entre Thiero e o ar. Pela manhã nós mostramos que a vaga de ala-pivô segue aberta e que Sandro Mamukelashvili, Matisse Thybulle e Jarred Vanderbilt representam caminhos diferentes para o mesmo buraco. Mamukelashvili é o que arremessa, Thybulle é o que marca, Vanderbilt é o que rebota. Thiero chega por último nessa fila, e com menos jogo de NBA do que qualquer um deles.

A leitura do elenco principal deixa isso claro: ele nunca começou uma partida na NBA. JJ Redick abre o training camp em 29 de setembro com três semanas para decidir, e o histórico do treinador é de segurar esse tipo de escolha até os últimos jogos de pré-temporada.

O que dá para esperar de verdade

O caminho realista continua sendo o que nós desenhamos há duas semanas, e ele não é pouco: virar peça de rotação aos 22 anos, em um time que precisa de pernas e de defesa nas alas. Titular é outro degrau, e esse degrau tem um pedágio de nome conhecido.

Se a bola de três cair, a conversa muda rápido, porque o resto do pacote já existe. Se não cair, Thiero vai ser exatamente o que foi no ano passado: o jogador que todo mundo aponta quando quer falar do futuro, e que ninguém coloca em quadra quando o jogo aperta. A diferença entre os dois destinos cabe em um gesto que ele repetiu dez vezes em Las Vegas e acertou uma.