Adou Thiero entra no segundo ano com caminho aberto para a rotação do Lakers, porque o time não tem ala atlético sobrando e paga pouco por ele. O Silver Screen and Roll cravou a tese nesta semana, e ela nasceu do que ele mostrou na Summer League contra o Thunder.
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O que Thiero mostrou na Summer League
Quem acompanhou a Summer League não precisa de planilha para entender por que o nome dele voltou à conversa. Na estreia, contra o Thunder, Thiero fez 20 pontos com 8 de 14 arremessos de quadra, 4 rebotes, 4 assistências, 3 roubos e 2 tocos. Foi a linha mais completa da equipe naquela noite.
O que ficou na memória, no entanto, não foi a linha. Foi a explosão. Thiero passou a semana enterrando por cima de gente, e quando perguntaram qual tinha sido a melhor enterrada, ele deu a resposta de quem tem estoque: não soube escolher, disse que o giro de moinho de vento foi bonito, mas nem era o melhor giro dele.
Summer League não decide vaga, e todo torcedor já se queimou apostando em julho. A diferença aqui é que o Lakers não tem quem faça o que ele faz, e é essa falta que transforma um bom mês de julho em minuto de temporada.
Os números defensivos que sustentam a aposta
O levantamento do Silver Screen and Roll foi buscar onde o olho não chega. Thiero apareceu no 64º percentil da liga na tarefa de passar por bloqueios de bola, no 80º em roubos no drible do adversário e no 83º em defesa de linha de passe. São três marcas de quem incomoda antes de a jogada acontecer.
É exatamente o mesmo perfil que JJ Redick e Rob Pelinka descreveram quando explicaram a chegada de Ziaire Williams: marcação no primeiro passe, energia, jogada de esforço. Thiero disputa a mesma função que o time saiu comprando no mercado, com a vantagem de já estar dentro.
A vaga existe porque o Lakers não achou o ala que queria
A brecha não é mérito só dele. O time passou julho e agosto atrás de Jonathan Kuminga, viu o jogador assinar com o Minnesota e voltou para casa sem o ala atlético que procurava. O que sobrou na ala foi uma disputa aberta entre nomes que fazem coisas parecidas.
Jarred Vanderbilt marca e não arremessa. Jake LaRavia arremessa e não salta. Matisse Thybulle marca melhor que todos e passou a temporada passada em 30 jogos pelo Portland. Dalton Knecht pontua e ainda não convenceu do outro lado da quadra. Thiero é o único que junta salto, braço e vontade de perseguir a bola, e é justamente isso que falta na descrição dos outros.
O contrato ajuda. Thiero recebe US$ 2,15 milhões nesta temporada, dentro do contrato de novato que assinou depois de ser escolhido na segunda rodada, e o terceiro ano ainda tem opção pendente. Ala barato que marca é o tipo de peça que técnico usa sem medo de mexer na folha salarial.
O que pode atrapalhar, e não é pouco
A temporada de estreia dele foi curta por um motivo só: joelho. Thiero ficou fora por entorse de ligamento colateral medial, voltou tarde e terminou o ano com 25 partidas, 6 minutos por jogo, 1,9 ponto e 1,1 rebote de média. Nos playoffs, foram 6 aparições de menos de 6 minutos cada.
Aquele aproveitamento de 51,6% dos arremessos de quadra tem valor limitado em um tamanho de amostra desses. O que o número diz é que ele não forçou o que não sabia fazer. O que ele não diz é como o joelho responde a uma temporada inteira de 82 jogos com marcação de perímetro todas as noites.
A conta que Redick vai fazer em outubro é simples e não tem nada de sentimental. Ele precisa de alguém que segure o melhor jogador adversário nos primeiros oito minutos e não custe posse de bola no ataque. Thiero chegou perto disso na Summer League. Falta repetir contra gente que não está tentando conseguir um contrato.