Chris Paul pode assumir um cargo na diretoria do Lakers sob Bob Iger, que comprou a franquia por US$ 12,5 bilhões. A ESPN aponta o armador recém-aposentado como nome a observar por causa de uma amizade de duas décadas com o novo dono. Nada foi confirmado.

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Resumo rápido
  • A ESPN aponta Chris Paul como nome a observar na nova diretoria do Lakers.
  • Iger era sócio-torcedor do Clippers quando Paul jogava lá, e os dois ficaram amigos.
  • Iger recebeu o lançamento do livro de Paul, “Sixty-One”, na própria casa em 2023.
  • Paul se aposentou em fevereiro de 2026, após 21 temporadas e 12 convocações para o All-Star.
  • Nenhum cargo foi oferecido ou confirmado pela franquia até agora.

Quem colocou o nome de Chris Paul na mesa

A informação é de Ramona Shelburne, da ESPN, e vem com a cautela de quem sabe o tamanho do que está dizendo. Segundo ela, dirigentes ouvidos pela emissora citam Paul como um nome natural a aparecer na estrutura montada por Iger e Josh Kushner. Não há cargo desenhado, não há título, não há proposta na mesa. Há uma expectativa de conversa.

Isso importa porque a nova dupla de donos ainda não mexeu em quase nada. Rob Pelinka segue no comando das operações de basquete, e a permanência de Jeanie Buss na presidência foi o primeiro assunto resolvido depois do negócio. Um nome novo entrando por cima dessa estrutura seria o primeiro movimento de fato dos compradores.

A amizade que começou na arquibancada do rival

Aqui está a parte que explica tudo, e ela não passa pelo Lakers. Passa pelo Clippers. Iger era sócio-torcedor da franquia rival quando Paul comandava o ataque de Los Angeles do outro lado do corredor do mesmo ginásio. Foi ali que os dois se aproximaram.

A relação nunca esfriou depois que Paul deixou a cidade. Em 2023, Iger recebeu na própria casa o evento de lançamento de “Sixty-One”, o livro de memórias do armador. Em março de 2026, a gentileza voltou na direção contrária: Paul foi até o escritório da Disney em Burbank para acompanhar Iger no dia em que ele esvaziou a sala e encerrou 52 anos de empresa. Em entrevistas, o armador já tratou o executivo como mentor, e não como conhecido de camarote.

É por isso que o rumor tem lastro. Não é o Lakers procurando um ex-jogador famoso para vender camisa. É um dono novo com um amigo de vinte anos que acabou de ficar sem emprego no mesmo mês em que ele comprou um time.

O fim de carreira que ninguém tinha desenhado

O último ano de Paul em quadra foi o oposto da despedida que ele planejou. Ele voltou ao Clippers por um contrato de um ano e US$ 3,6 milhões, anunciou que aquela seria a temporada final e transformou o calendário numa turnê de adeus. Em dezembro, no meio de uma viagem, a franquia o mandou para casa. O comando do time deixou claro que a convivência tinha se desgastado.

O resto foi rápido e ingrato. Paul virou peça de uma troca envolvendo vários times antes do prazo, foi parar no Toronto Raptors, foi dispensado sem entrar em quadra pelo novo clube e anunciou a aposentadoria em 13 de fevereiro de 2026. Encerrou com 2,9 pontos e 3,3 assistências em 14 minutos por noite, os piores números de uma carreira que não tem nada a ver com isso.

A distância entre a carreira e o último ano
Médias por jogo de Chris Paul em 21 temporadas e na temporada 2025-26
Pontos carreira16,8
Pontos último ano2,9
Assistências carreira9,2
Assistências último ano3,3

O que sobra da carreira, porém, é currículo raro para quem quer trabalhar de terno. São 21 temporadas, 12.532 assistências e 2.727 roubos de bola, os dois números em segundo lugar na história da NBA. São 12 convocações para o Jogo das Estrelas, 11 seleções de melhores da liga e nove seleções defensivas. Paul também presidiu o sindicato dos jogadores por anos, o que significa que ele já sentou do lado de cá da mesa em negociação de acordo coletivo.

Antes do último jogo da carreira, disputado na Carolina do Norte, onde nasceu, ele escreveu nas redes sociais uma frase que envelheceu bem.

“De volta à Carolina do Norte!!! Que jornada… Ainda tem muita coisa pela frente… GRATO por essa última!!”

Chris Paul, em fevereiro de 2026, antes do último jogo

Como uma coisa levou à outra em oito meses

De mandado para casa a nome de diretoria
Dezembro de 2025
O Clippers manda Paul para casa no meio de uma viagem, com a relação desgastada no vestiário.
Fevereiro de 2026
Ele entra numa troca de vários times, vai para o Toronto Raptors e é dispensado sem jogar.
13 de fevereiro de 2026
Paul anuncia a aposentadoria após 21 temporadas na NBA.
Março de 2026
Vai ao escritório da Disney em Burbank acompanhar o último dia de Iger na empresa.
12 de agosto de 2026
Iger e Josh Kushner compram o Lakers por US$ 12,5 bilhões e o nome de Paul aparece.

O que um cargo desses significaria na prática

Depende inteiramente do desenho. Existe o cargo de vitrine, aquele em que o ex-atleta aparece em foto de anúncio e some do organograma. E existe o cargo de sala fechada, com voz em decisão de elenco e de teto salarial. A diferença entre os dois é o que separa uma manchete bonita de uma mudança real na maneira como o Lakers toma decisão.

Se for o segundo caso, a franquia ganharia alguém que passou 21 anos lendo vestiário e negociando com donos de time em nome de outros jogadores. Isso tem valor concreto num elenco jovem, construído às pressas em torno de Luka Doncic, que ainda vai precisar de alguém para explicar o que a diretoria pensa quando a temporada apertar.

Tem também o detalhe que nenhum torcedor de Los Angeles vai ignorar. Chris Paul construiu a carreira mais marcante da vida do outro lado da cidade, defendendo o rival direto. Se a coisa se confirmar, ele volta ao mesmo ginásio pela porta que nunca quis usar, e do lado que passou uma década tentando derrotar. Los Angeles adora esse tipo de reviravolta.