Ben Simmons não deve assinar com o Lakers em 2026. A franquia tem 16 contratos garantidos e só pode abrir a temporada com 15 jogadores. Cortar dois nomes seria o preço de contratar o australiano, e o encaixe ao lado de Doncic é o obstáculo seguinte.

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Resumo rápido
  • Simmons, 30 anos, treinou sem restrições no minicamp da Austrália em Melbourne, em 10 de agosto.
  • Marc J. Spears, da ESPN, apurou oferta não garantida de um time do Oeste, ainda sem identificação.
  • O Lakers tem 16 contratos garantidos e só pode abrir a temporada com 15 atletas.
  • Em 2024-25, o australiano teve 5,0 pontos, 5,6 assistências e 4,7 rebotes em 51 jogos.
  • Ele ficou a temporada 2025-26 inteira fora da NBA, se recuperando das dores nas costas.

Melbourne devolveu Simmons à quadra

O australiano desembarcou em Melbourne na segunda-feira, 10 de agosto, para um minicamp organizado pelos próprios jogadores da seleção da Austrália. Pagou a passagem do próprio bolso. Treinou sem qualquer restrição médica, segundo apurou Marc J. Spears, da ESPN. Foi a primeira atividade competitiva de Simmons desde o fim da temporada 2024-25, e o recado era transparente: o corpo aguenta.

“É, é por isso que estou aqui”, disse ele quando perguntaram se pretendia mesmo vestir a camisa da Austrália. “É uma viagem longa demais pra não fazer isso.” A mira distante são as Olimpíadas de Los Angeles, em 2028. A mira imediata é um contrato de NBA para 2026-27.

O interesse é real, a oferta é modesta

“Várias equipes da NBA demonstraram interesse em Simmons, que está aberto a assinar um contrato mínimo”, escreveu Spears. Uma fonte contou ao repórter que existe uma proposta não garantida na mesa, para o minicamp de um time do Oeste, sem identificação. Traduzindo do dialeto do mercado: convite de pré-temporada, sem dinheiro travado, com a vaga a ser conquistada em quadra.

O próprio jogador já ensaiou preferências. “Talvez eu volte para a Filadélfia”, disse à ESPN. “Miami seria legal.” No fim de semana, publicou no Instagram uma foto flexionando diante da cesta, com a legenda: “Eu não mudaria a história. Os altos, os baixos, a dor, o tempo, as lições, eu abraço tudo isso.”

O que sobrou do jogador que ele foi

Simmons foi a primeira escolha do draft de 2016, Novato do Ano em 2017-18, três vezes All-Star, duas vezes primeiro time de defesa e uma vez terceiro time da NBA. Nas quatro temporadas pela Filadélfia, produziu 15,9 pontos, 8,1 rebotes, 7,7 assistências e 1,7 roubo de bola por partida. Aquele jogador tem 30 anos hoje, e não aparece desde 2021.

O retrato recente é bem mais modesto. Em 2024-25, dividido entre Nets e Clippers, foram 51 jogos, 24 deles como titular, com 5,0 pontos, 5,6 assistências e 4,7 rebotes em 22 minutos. Acertou 52% de quadra e 72,3% dos lances livres, mas cobrou apenas 0,6 lance livre por jogo, número que diz mais sobre o quanto ele evitou contato do que sobre a mira. Nos Clippers, foram 18 partidas e 2,9 pontos de média. Depois, a temporada 2025-26 inteira fora da liga.

A aritmética que trava o Lakers

Aqui a conversa deixa de ser sobre basquete. O Lakers chega à pré-temporada com 16 contratos garantidos, e a regra permite 15 atletas no grupo principal na abertura da temporada. Ou seja, antes de pensar em qualquer reforço, a diretoria já precisa cortar ou negociar alguém. Assinar Simmons significaria abrir mão de dois nomes, não de um.

A chegada de Matisse Thybulle foi o que empurrou a folha para esse limite. Bronny James teve os US$ 2,2 milhões da próxima temporada garantidos, o que encarece qualquer dispensa. Adou Thiero e Cameron Carr jogaram bem o bastante em Las Vegas para não serem descartados sem discussão. Não existe gordura óbvia para queimar no plantel atual do Lakers.

A ponte se chama JJ Redick

O motivo pelo qual o nome do Lakers aparece nessa história tem endereço. JJ Redick jogou ao lado de Simmons na Filadélfia e foi um dos poucos a defendê-lo publicamente quando a cidade inteira cobrava. Em 2022, o australiano foi convidado do podcast do treinador, “The Old Man & the Three”. Existe relação, existe confiança e existe a leitura de quem viu o jogador de perto todos os dias.

Nada disso resolve o problema de espaço. E, como observou Jacob Rude, do Silver Screen and Roll, tampouco resolve o problema tático.

O encaixe é o obstáculo mais duro

Simmons precisa da bola e não arremessa de fora. O Lakers construiu o ataque em torno de Doncic com a posse nas mãos e de Austin Reaves como segundo criador. O espaço que sobra no perímetro para um terceiro armador que não pontua de longe é praticamente nenhum. Colocar os três juntos significaria fechar o garrafão que o time passou o verão inteiro tentando abrir.

Existe um cenário em que ele funciona: minutos com o segundo grupo, defendendo as cinco posições, tocando a bola em transição, sem que ninguém exija arremesso. É um papel útil e legítimo. Só que é um papel de décimo homem, e o décimo homem do Lakers já está contratado, assinado e com salário garantido.

Melbourne provou que Simmons voltou a ser uma opção. A planilha de El Segundo prova que opção e vaga são coisas diferentes. Se esse telefone tocar, vai ser em outubro, com o elenco já enxugado e depois que alguma outra aposta tiver dado errado.