O Lakers abre os treinos de 2026-27 com 16 contratos para 15 vagas e precisa cortar um jogador antes de estrear. O quinteto titular segue aberto. A escolha do ala-pivô e o corte final ficam para depois do primeiro treino, em 29 de setembro.
Siga o Lakers Brasil no Instagram
Um a mais do que a regra permite
A conta é simples e não admite interpretação. A NBA deixa cada time começar a temporada com 15 jogadores em contrato padrão, e o elenco do Lakers tem 16. Alguém sai, e a decisão não depende de negociação nenhuma: basta dispensar um nome antes do prazo.
A offseason explica como se chegou aqui. O time perdeu LeBron James para o Sixers, renovou com Austin Reaves por quatro anos, trouxe Walker Kessler para o garrafão e, depois de ficar pelo caminho na disputa por Jonathan Kuminga, encheu a ala com apostas baratas. Sobrou gente, e sobrou gente parecida.
Os nomes em risco são quase todos do mesmo perfil: ala que defende e arremessa pouco, ou jovem que ainda não provou nada. Jaden Hardy, Dalton Knecht, Bronny James, Adou Thiero, Ziaire Williams e Cameron Carr aparecem em toda lista de corte que circulou nesta semana, segundo levantamento de Svyatoslav Rovenchuk, do LakeShowLife. Knecht é o caso mais citado: jogou 54 partidas na temporada passada, com 10 minutos por noite, 4,2 pontos e 45,5% de aproveitamento de quadra.
As três vagas de two-way já estão preenchidas por Chris Mañon, Arthur Kaluma e AK Okereke, então não existe a saída de rebaixar alguém para lá sem passar pelo waiver. E os dois contratos Exhibit 10 assinados nesta semana, de Meechie Johnson e Chase Ross, não ocupam vaga: são convites de pré-temporada.
A vaga que sobrou no quinteto
Quatro posições estão resolvidas. Luka Doncic arma, Reaves joga ao lado dele no perímetro, Quentin Grimes fica na ala e Kessler ocupa o garrafão. A quinta vaga é a única discussão real, e ela diz mais sobre o plano de jogo de JJ Redick do que sobre o jogador escolhido.
Se o time quiser abrir a quadra para Doncic, o ala-pivô titular precisa arremessar. Se quiser proteger a defesa, precisa marcar. Sandro Mamukelashvili, Matisse Thybulle e Jarred Vanderbilt representam exatamente esses dois caminhos, e o treinador tem três semanas de treino para decidir qual deles a temporada pede.
O que a temporada passada diz sobre os três
Nós fomos atrás da temporada passada inteira, e ela separa o grupo numa ponta e embaralha em outra. Thybulle teve a melhor pontaria de três, mas em apenas 30 jogos. Mamukelashvili teve quase a mesma pontaria com mais volume e em temporada cheia. Vanderbilt é o oposto declarado: defende, rebota e não é convidado a arremessar.
O radar mostra por que a escolha não é óbvia. Cada um vence numa ponta diferente, e nenhum vence em todas.
A tabela abre o mesmo trio linha a linha. Os três aparecem com o escudo do Lakers porque é assim que o leitor os conhece hoje, mas os números são de onde cada um jogou na temporada passada.
| Tempo de jogo | |||
| Jogos disputados | 80 | 30 | 65 |
| Minutos | 21,9 | 16,0 | 17,3 |
| Vitórias | 44 | 17 | 39 |
| Derrotas | 36 | 13 | 26 |
| % de vitórias | 55,0 % | 56,7 % | 60,0 % |
| Pontuação e aproveitamento | |||
| Pontos | 11,2 | 5,8 | 4,4 |
| % de cestas | 52,3 % | 43,3 % | 47,1 % |
| Bolas de 3 convertidas | 1,4 | 1,2 | 0,4 |
| % de 3 pontos | 38,9 % | 39,8 % | 29,3 % |
| Lances livres convertidos | 1,5 | 0,7 | 0,5 |
| % de lances livres | 74,7 % | 84,0 % | 58,9 % |
| Criação | |||
| Assistências | 1,9 | 0,9 | 1,3 |
| Perdas de bola | 0,8 | 0,9 | 0,9 |
| Assistências por 100 posses | 16,5 | 13,4 | 20,7 |
| Rebotes | |||
| Rebotes | 4,9 | 2,0 | 4,5 |
| Rebotes ofensivos | 1,4 | 0,6 | 1,2 |
| Rebotes defensivos | 3,6 | 1,4 | 3,3 |
| Defesa | |||
| Roubos de bola | 0,8 | 2,0 | 0,8 |
| Tocos | 0,5 | 0,5 | 0,3 |
| Faltas | 1,8 | 1,4 | 1,6 |
| Impacto avançado | |||
| +/- | +2,3 | +2,9 | +0,1 |
| Rating líquido | +5,3 | +9,0 | +0,2 |
Duas linhas do fim complicam a leitura fácil. Thybulle é quem mais ajuda o placar quando está em quadra, com o melhor saldo e o melhor rating líquido do trio, e ainda rouba 2,0 bolas por jogo em 16 minutos, o dobro dos outros dois. Vanderbilt, o pior arremessador da lista, é o que mais venceu: 60,0% dos jogos que disputou. O arremesso é o argumento mais forte a favor de Mamukelashvili, mas está longe de ser o único em cima da mesa.
O calendário que aperta a decisão
O media day acontece em 28 de setembro e o primeiro treino, no dia seguinte. A pré-temporada abre em 5 de outubro, e o time enfrenta só três adversários: dois jogos contra o Kings, dois contra o Warriors e um contra o Nuggets, que fecha a série em casa no dia 16.
São cinco jogos para responder duas perguntas. Na prática, esses cinco também funcionam como vitrine para quem está na bolha do corte, porque uma boa atuação ali muda a conversa. É por isso que ninguém foi dispensado ainda: cortar antes de ver seria abrir mão da única informação nova que o time vai receber neste mês.
Nós já tínhamos apontado no ranking do elenco que o fundo da lista era o ponto frágil desta montagem. Agora esse fundo virou a única decisão que ainda cabe ao time tomar sozinho. O resto está contratado, pago e definido. A última vaga é a que ainda escuta argumento, e o argumento tem prazo: acaba quando a bola subir.