Reaves abriu o Media Day do Lakers nesta segunda (28) com um aviso sobre o jeito de liderar sem LeBron, e o resto do elenco novo seguiu a mesma linha: Kessler contou a primeira ponte aérea de Doncic, Sexton prometeu energia e Bronny falou pela primeira vez sobre jogar sem o pai por perto.
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Reaves vai liderar do jeito dele
O primeiro a sentar diante dos microfones em El Segundo não foi Doncic. Foi Reaves, hoje o jogador há mais tempo no Lakers e dono do contrato máximo assinado em julho. A saída de LeBron e de Rui Hachimura deixou um espaço de liderança que ele não pretende ocupar imitando ninguém.
“Eu não vou liderar do mesmo jeito que o Bron lidera, nem do jeito que o Luka lidera.”
Austin Reaves, no Media Day do Lakers
A explicação veio logo depois: menos discurso para o grupo inteiro e mais conversa individual, jogador a jogador. Reaves também contou o que aprendeu com LeBron fora da quadra, que foi a rotina diária de cuidado com o corpo. Faz sentido. Ele disputou só 51 jogos na temporada passada por causa de lesões e disse ter feito “uma offseason muito boa” para chegar inteiro.
Houve ainda um recado tático. Reaves e Jarred Vanderbilt falaram de um ataque diferente em 2026-27, com a bola circulando mais e menos jogadas centralizadas em um só criador. Com um armador dominante a menos na rotação, a mudança é quase obrigatória.
Doncic: sem restrição e com o time na mão
Doncic confirmou que não carrega nenhuma limitação do estiramento na coxa posterior que o tirou dos playoffs. Sobre assumir o time sem LeBron, disse que se sente ótimo e que já esteve nessa posição muitas vezes desde muito jovem. Não houve alfinetada no ex-companheiro: ele falou com carinho do tempo que dividiram e deixou claro que o comando agora é dele.
O esloveno ainda disse que pediu Walker Kessler pessoalmente, elogiou o calouro Cameron Carr e tratou o título como obrigação, não como sonho. A fala completa sobre herdar o papel de LeBron está na matéria que publicamos mais cedo.
Kessler já sabe o que vem por aí
Kessler chega de uma cirurgia no ombro que o tirou de quase toda a temporada passada, e Pelinka já tinha dito na semana passada que o pivô está liberado para tudo. No Media Day, o assunto foi outro: a parceria com Doncic, que começou antes do training camp.
A primeira ponte aérea aconteceu no minicamp que Doncic organizou na Eslovênia. Segundo Kessler, o armador soltou a bola sem nem olhar para ele. Ele pegou, enterrou, voltou correndo e bateu a mão com o esloveno, já pensando que dava para se acostumar com aquilo. A previsão do pivô é que a jogada vire parte grande do ataque, com ele bloqueando e mergulhando para a cesta.
Os reforços se apresentaram
Collin Sexton vendeu o que sempre entregou: energia. Prometeu chegar todo dia no mesmo ritmo e disse que o torcedor vai reconhecer um jogador raçudo em quadra. Nas últimas três temporadas, ele fez 17,5 pontos e 4,2 assistências em média, jogando 26,1 minutos, o que o coloca na conversa pelo prêmio de Sexto Homem.
Sandro Mamukelashvili, que ajudou os repórteres a pronunciar o sobrenome, falou da versatilidade de ala-pivô que arremessa de fora. Pelo Raptors, ele teve 38,9% nas bolas de três. Kevon Looney, aos 30 anos o mais velho do elenco, chega com dois títulos pelo Warriors e a função de reserva de Kessler. Matisse Thybulle, que sempre foi defensor antes de tudo, acertou 41,1% de três nas duas últimas temporadas, ainda que em apenas 45 jogos.
Bronny sem LeBron no vestiário
Pela primeira vez na carreira, Bronny James vai jogar na NBA sem o pai no mesmo elenco. E ele admitiu curiosidade sobre o que muda. “É diferente, com certeza. Estou animado para viver algo novo sem ele aqui e ver como a comissão técnica me trata sem ele por perto”, disse.
A referência que ele escolheu para a temporada foi a série contra o Rockets nos últimos playoffs: agressivo, jogando com inteligência e fazendo o que o time pedir. Na G League, Bronny tem média de 18,4 pontos em 25 jogos, com 41,3% de três. O desafio é levar isso para a NBA, em um elenco que ainda precisa cortar gente antes da estreia.
O quinteto tem duas vagas em aberto
Doncic, Reaves e Kessler são titulares. As duas posições de ala seguem em disputa no elenco atual, com Quentin Grimes, Jake LaRavia, Thybulle e Vanderbilt como candidatos. Na entrevista de quinta-feira, JJ Redick indicou que os dois nomes que faltam terão perfil diferente dos três garantidos, e isso favorece Grimes.
A resposta começa a sair nesta terça-feira (29), primeiro dia de training camp. A pré-temporada abre em 5 de outubro contra o Kings, fora de casa, e a estreia é em 21 de outubro, contra o Warriors, na Crypto Arena. Até lá, o Media Day serviu para mostrar que ninguém nesse elenco quer ser o substituto de LeBron. Cada um se apresentou com o próprio papel, e é assim que Redick vai ter de montar o time.