Charles Barkley disse que este Lakers é tão bom quanto o Mavericks que Luka Doncic levou às Finais em 2024, e no mesmo papo cravou que o time não será campeão. Byron Scott foi mais duro e disse que nem candidato o Lakers é. As duas leituras batem no mesmo ponto que Danny Green levantou.
Siga o Lakers Brasil no Instagram
O elogio que Barkley fez ao Lakers de Doncic
A conversa foi no podcast de Bill Simmons, no episódio que foi ao ar em 3 de setembro, e virou assunto ao longo desta semana. Simmons puxou o tema do Oeste, Barkley entrou pelo Lakers e usou a referência que mais dói em quem duvida do time: o Mavericks que chegou às Finais de 2024 com Doncic e Kyrie Irving.
“Acho que eles vão ser melhores do que as pessoas imaginam. O Luka e o Kyrie levaram o Mavericks às Finais, qual é, cara. Esse time provavelmente é melhor. Esse time é pelo menos tão bom quanto aquele.”
Charles Barkley, no podcast de Bill Simmons
A comparação não é gratuita. Aquele Mavericks foi construído com a mesma lógica que o Lakers montou nesta offseason: um armador que decide tudo com a bola na mão, um segundo criador ao lado dele e um garrafão trocado por altura e proteção de aro. A diferença é que Dallas chegou à decisão sem ninguém apostar nela em outubro.
A frase que ele emendou logo depois
Quem parou de ouvir no elogio perdeu a segunda metade. Barkley não subiu o Lakers ao pódio, ele apenas tirou o time do porão. Perguntado se isso significava título, respondeu sem rodeio que não. Segue apostando no Thunder e no Spurs no Oeste, e vê Knicks, 76ers e Cavaliers na frente do Lakers na conta geral.
“Eles vão ser campeões? Acho que não vão ser campeões.”
Charles Barkley, no mesmo episódio
É a diferença entre teto e chão, e ela costuma se perder na hora do recorte. O que Barkley está dizendo é que o Lakers vai incomodar quem espera um time perdido no meio da tabela. Não é o mesmo que dizer que ele passa por Oklahoma City em sete jogos.
Byron Scott não vê nem candidato
Do outro lado do debate está um homem que ganhou três títulos vestindo a camisa do Lakers. No podcast que ele apresenta com Olden Polynice, Byron Scott foi perguntado se o time estava no limite entre candidato e coadjuvante. Não aceitou nem o meio-termo.
“Não vou nem dizer que estão no limite. Eles não são candidatos de verdade. Acho que chegam aos playoffs, mas, no ponto que o Olden levantou, defesa ainda ganha título nesta liga. Sei que a gente exalta as bolas de três e o ataque, mas no fim você tem que parar o adversário, certo?”
Byron Scott, tricampeão pelo Lakers, no podcast que apresenta
O alvo dele foi o garrafão. Scott disse, com sarcasmo evidente, que Walker Kessler “é bom que faça uns oito tocos por jogo” para dar conta do que vem por trás. Ninguém na história da liga fez oito tocos de média em uma temporada. A frase não é previsão, é a maneira de dizer que a defesa foi jogada inteira no colo do pivô.
Onde as duas leituras se encontram
Reparar no que os dois têm em comum rende mais do que anotar de que lado cada um está. Nenhum dos dois vê o Lakers levantando o troféu em junho. A briga é sobre o tamanho da distância, e sobre o que separa o time do topo.
Barkley olha para o ataque e vê munição suficiente para assustar qualquer série de playoffs. Doncic terminou a temporada passada com 33,5 pontos, 7,7 rebotes e 8,3 assistências em 64 jogos, e Austin Reaves subiu para 23,3 pontos em 51 partidas. Dois criadores nesse patamar não existem em muitos lugares da liga.
Scott olha para o outro lado da quadra e vê um time que trocou LeBron James por altura e por marcadores de perímetro que nunca jogaram juntos. A tese dele não é nova nem controversa: campeão de NBA costuma ser time que para o adversário, e o Lakers ainda não provou que para.
Existe uma terceira leitura, e ela veio de dentro de casa nesta semana, quando Derek Fisher disse que o time não cai sem LeBron. Somadas, as três opiniões desenham o mesmo time: melhor do que a fama, pior do que a nostalgia, e com a resposta guardada em outubro.
A boa notícia para quem torce é que os dois estão medindo o Lakers pelo padrão de campeão, e não pelo padrão de time que perdeu o melhor jogador e sumiu do mapa. Discutir se o teto é a final do Oeste ou a segunda rodada já é outro tipo de conversa.