Rui Hachimura explicou por que trocou o Lakers pelo Clippers: queria seguir morando em Los Angeles, enxergou um projeto vencedor e, sobretudo, recebeu a promessa de um papel ofensivo que o Lakers não lhe dava mais. O acerto vale dois anos e US$ 28 milhões, e frustrou até Luka Doncic.

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Resumo rápido
  • Hachimura assinou com o Clippers por dois anos e US$ 28 milhões, com opção de equipe.
  • Acerto em 5 de julho de 2026, assinatura no dia seguinte, no Intuit Dome.
  • Última temporada pelo Lakers: 11,5 pontos, 3,3 rebotes e 44,3% nos três, em 68 jogos.
  • Os 44,3% de três são recorde de franquia do Lakers em uma temporada.
  • O Lakers renunciou aos direitos Bird dele para assinar Kessler, Mamukelashvili e Grimes.

Hachimura escolheu ficar em Los Angeles, só que do outro lado

O jogador acertou com o Clippers em 5 de julho de 2026 e assinou no dia seguinte, no Intuit Dome. São dois anos e US$ 28 milhões, com opção de equipe para a segunda temporada. Shams Charania, da ESPN, noticiou o acordo. Poucas horas depois, o próprio Hachimura gravou um vídeo para explicar a escolha, em vez de deixar a leitura por conta dos outros.

A lista de interessados era longa: Nets, Mavericks, Warriors, Timberwolves, Spurs e Trail Blazers sondaram o ala japonês. Nenhuma dessas conversas venceu o argumento mais simples de todos.

“Acima de tudo, poder continuar em Los Angeles é o melhor desfecho para mim”, afirmou Hachimura. Ele completou a conta citando estrutura: “Eles apoiam os jogadores, claro, e também as famílias e o círculo próximo, pelo que ouvi. Além disso, têm uma arena novinha, com suporte físico e médico avançado.”

O corte que o Lakers não deixava ele fazer

A parte mais reveladora do vídeo não é sobre cidade nem sobre vestiário. É sobre movimentação sem bola. Hachimura descreveu o papel prometido pela comissão técnica do Clippers e, ao descrevê-lo, entregou exatamente o que sentia falta no antigo time.

“Eles querem que eu arremesse meus três, mas também que eu faça mais cortes. Eu não conseguia fazer esses cortes no Lakers, e isso me deixa muito feliz”, disse o jogador.

A frase é técnica e política ao mesmo tempo. Com Doncic em quadra, o Lakers organizou boa parte do ataque em torno do pick and roll e da leitura do armador, com os alas ancorados no perímetro para abrir espaço. Hachimura virou um especialista nesse posto, e foi muito bem pago em eficiência por isso, mas o cargo tem teto: quem espera na linha depende da bola chegar. O Clippers ofereceu a ele o direito de se mexer.

O que ele disse quando a temporada do Lakers acabou

Nas entrevistas de encerramento, ainda como jogador do Lakers, Hachimura já falava como alguém que sabia estar num limbo contratual. A conversa é curta e vale mais do que qualquer rumor de julho.

O tom ali era de quem tinha acabado de fazer os melhores playoffs da carreira e não sabia se aquilo bastaria. Não bastou.

Por que o Lakers não conseguiu segurar Hachimura

A resposta não é falta de vontade. Segundo apuração do Hoops Rumors, Doncic queria a permanência do ala. O impedimento foi contábil e definitivo: para assinar Walker Kessler, Sandro Mamukelashvili e Quentin Grimes, o Lakers precisou renunciar aos direitos Bird de Hachimura. Sem esses direitos, a franquia perdeu a única ferramenta que permitiria cobrir a proposta do rival estourando o teto salarial.

Ou seja, a decisão foi tomada antes de a negociação com o jogador existir de fato. Quando o Clippers apareceu com dois anos e US$ 28 milhões, o Lakers já tinha gastado a própria margem. O time trocou o ala por peças de garrafão e por um armador reserva, num movimento que vinha sendo desenhado desde a temporada, como já mostramos aqui.

O verão inteiro seguiu essa lógica:

  • LeBron James saiu como agente livre e assinou com o 76ers.
  • Austin Reaves renovou por quatro anos e US$ 184,8 milhões.
  • Walker Kessler chegou por quatro anos e US$ 129,5 milhões, mais duas escolhas de primeira rodada e duas trocas de posição no draft.
  • Sandro Mamukelashvili assinou por quatro anos e US$ 52 milhões.
  • Deandre Ayton, Jaxson Hayes, Luke Kennard e Marcus Smart deixaram o elenco do Lakers.

Os números que saem junto com ele

Hachimura fechou a temporada 2025-26 com 11,5 pontos e 3,3 rebotes em 28,3 minutos, ao longo de 68 jogos, acertando 51,4% de quadra e 44,3% dos três. Essa marca nos três é recorde de franquia do Lakers em uma temporada. Nos playoffs, ele subiu ainda mais: 56,9% de três em dez jogos, com 5,8 tentativas por partida.

O dado que melhor resume o tamanho da perda, porém, é o de carreira. Nos playoffs, Hachimura acerta 51,6% dos arremessos de três, o melhor índice da história da NBA entre quem tem ao menos cem tentativas na fase decisiva. O Lakers acabou de abrir mão do arremessador mais preciso que a pós-temporada da liga já registrou nessa amostra, e o entregou ao vizinho de corredor. A evolução dele tinha sido silenciosa. A conta chegou barulhenta.

O rival ficou com o que o Lakers não quis pagar

O Lakers montou um elenco mais alto, mais jovem e mais barato por posição. É uma tese defensável, e o tempo dirá se ela se sustenta. O problema imediato é outro: o Clippers agora tem em mãos o jogador que sabe exatamente onde o Lakers não deixava ele ir, e vai passar os próximos dois anos provando, na mesma cidade, que aquele espaço sempre existiu.