Mike D’Antoni disse que aceitou treinar o Lakers em 2012 principalmente porque Steve Nash estaria lá, e que a franquia garantiu a ele que o armador voltaria de lesão em poucos dias. Nash quebrou a fíbula no segundo jogo, e o treinador resumiu o que veio depois em uma frase.

Siga o Lakers Brasil no Instagram

Resumo rápido
2 jogos
O tempo que Nash durou inteiro antes de quebrar a fíbula esquerda.
50 e 15
Os jogos dele em cada uma das duas temporadas pelo Lakers.
0,2 ponto
Tudo o que o ataque melhorava com ele em quadra, por 100 posses.
3 técnicos
Quantos comandaram aquele time em uma temporada só.
Agosto
Quando D’Antoni entrou no Hall da Fama do basquete, treze anos depois.

A promessa que não se cumpriu

D’Antoni contou a história a Dave McMenamin, da ESPN, às vésperas de entrar no Hall da Fama, em agosto. Ele assumiu o Lakers em novembro de 2012, com o time já em crise, e disse que o motivo principal de aceitar tinha nome.

“Uma das razões pelas quais eu aceitei o emprego no Lakers, a maior delas, além de eu querer treinar, era que o Steve ia estar lá. Eu perguntei antes de assinar: sei que o Steve está machucado, quando ele volta? E eles responderam: bom, ele volta na sexta. Isso me empurrou para o outro lado.”

Mike D’Antoni, à ESPN

Os dois já tinham trabalhado juntos por quatro temporadas no Phoenix, onde montaram um dos ataques mais eficientes da história da liga. A aposta era refazer aquilo em Los Angeles, com Kobe Bryant e Dwight Howard por perto.

Nash nunca voltou de verdade

O armador quebrou a fíbula esquerda no segundo jogo da temporada e ficou fora das 24 partidas seguintes. Jogou 50 no total, o menor número desde 1998-99 e o terceiro menor da carreira inteira. A taxa de assistências dele, 32,8%, foi a quinta mais baixa que ele registrou, e as quatro abaixo dessa são das quatro primeiras temporadas, antes de qualquer uma das oito convocações para o Jogo das Estrelas.

O gráfico abaixo mostra o tamanho da queda. Ele chegou vindo de 10,7 assistências por jogo no Phoenix e entregou 6,7 na primeira temporada aqui.

Assistências por jogo de Steve Nash
2009-10
11,0 assist.
81 jogos
2010-11
11,4 assist.
75 jogos
2011-12
10,7 assist.
62 jogos
2012-13
6,7 assist.
50 jogos
2013-14
5,7 assist.
15 jogos
Em roxo, as duas temporadas pelo Lakers. As anteriores são do Phoenix.Médias na temporada regular. Dados da ESPN.

Segundo o Cleaning the Glass, o ataque do Lakers foi apenas 0,2 ponto melhor por 100 posses com Nash em quadra naquele ano. Para um jogador que tinha acabado de passar oito temporadas transformando o ataque do Phoenix, isso é o mesmo que não estar lá.

O time que virou piada e a temporada de três técnicos

Aquele elenco entrou na temporada com Kobe, Howard e Nash, os três entre os nove primeiros na votação de MVP do ano anterior. Terminou com 45 vitórias e 37 derrotas, em sétimo no Oeste, longe dos anos de título, e foi varrido pelo San Antonio na primeira rodada.

Os três comandos de 2012-13
Mike Brown
Demitido depois de 1 vitória e 4 derrotas, no início da temporada.
Bernie Bickerstaff
Interino por cinco jogos, com 4 vitórias e 1 derrota.
Mike D’Antoni
Assumiu o resto e fechou a temporada em 45 vitórias e 37 derrotas.
O time foi varrido pelo San Antonio na primeira rodada dos playoffs.

Na temporada seguinte foi pior. Nash jogou 15 partidas por causa das costas, o time terminou com 27 vitórias e 55 derrotas, e D’Antoni pediu demissão no fim do ano. A avaliação dele hoje, treze anos depois, é curta.

“O Steve nunca voltou de verdade. E mesmo quando voltou, era metade dele mesmo. Estava condenado desde o começo.”

Mike D’Antoni, à ESPN

O que a fala acrescenta não é a informação, que a torcida já viveu. É o ângulo. Aquele Lakers costuma ser lembrado como um elenco de nomes grandes que não se entenderam, e a versão do treinador é mais simples: ele foi contratado para montar um ataque em volta de um jogador que nunca chegou inteiro. O resto da história foi consequência disso.