Jaden Hardy procurou Luka Doncic assim que soube da troca e recebeu boas-vindas de volta. Os dois dividiram o elenco do Dallas por duas temporadas e meia, e o Lakers entregou Deandre Ayton mais duas escolhas de segunda rodada para devolver ao armador o reserva que já se apresentou à torcida como pontuador de três níveis.
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A mensagem saiu antes do primeiro treino
O Lakers fechou a troca com o Washington em 7 de julho: Ayton foi para a capital, Hardy veio para Los Angeles com as escolhas de segunda rodada de 2031 e 2032. Ayton tinha exercido a opção de US$ 8,1 milhões poucos dias antes e virou peça sobrando assim que Walker Kessler assinou por quatro anos e US$ 130 milhões.
Do lado de Hardy, a reação não passou pelo departamento de basquete. Ele mandou mensagem direto para Doncic, e a resposta veio no mesmo tom.
“Sempre que eu jogava ao lado do Luka, ele passava confiança para os jovens, mandava a gente seguir em frente. Isso me ajudou muito quando eu era calouro. Então eu falei com ele, disse o quanto estava animado de voltar a jogar do lado dele e que mal podia esperar para entrar no ginásio. Ele respondeu, me deu as boas-vindas, disse que estava animado e que a gente ia trabalhar firme.”
Jaden Hardy, ala-armador do Lakers, ao canal oficial do time no YouTube
A conversa foi publicada pelo próprio time e repercutida por Matthew Valento, do Lakers Nation. Hardy também lembrou que Quentin Grimes, hoje cotado para abrir como titular na ala, passou pelo mesmo vestiário do Texas.
O vídeo em que ele conta o reencontro
Dallas nunca deu a ele o que Washington deu
A parte mais interessante da história não é a amizade, é o que aconteceu com Hardy depois que ele saiu de perto de Doncic. Em três temporadas e meia no Texas, ele viveu na mesma faixa estreita: por volta de quinze minutos e oito pontos por noite, com o arremesso subindo e descendo conforme o mês. Foi para Washington em fevereiro, na troca de oito jogadores que também levou Anthony Davis e D’Angelo Russell, e recebeu o que nunca tinha recebido, que é bola na mão.
Foram 23 jogos com 20,4 minutos, 12,6 pontos, 44,3% de quadra e 42,0% de três, com seis tentativas por noite. Não é amostra grande, mas é a única vez em que alguém deixou o arremessador arremessar.
O arremesso dele contra a média da posição
A comparação que importa não é com o Hardy de Dallas, é com o resto da liga. Ala-armador da NBA converteu 36,3% de três em 2025-26, segundo o levantamento por posição do StatMuse. O recorte de Washington ficou quase seis pontos acima disso.
O que Redick ganha, e o que ele vai ter que esconder
Pontuação vinda do banco é buraco antigo do time, e a offseason atacou isso por dois lados: Collin Sexton e Hardy. Os dois resolvem o mesmo problema pelo mesmo caminho, que é gente disposta a arremessar quando a jogada trava. O preço também é o mesmo nos dois casos, a defesa. JJ Redick vai ter que escolher a hora de colocar Hardy, porque o adversário procura o marcador mais frágil em quadra assim que percebe quem é.
Aí entra o argumento que o próprio Hardy levantou sem querer. Quem joga ao lado de Doncic arremessa com a quadra aberta e recebe a bola no ritmo certo, e isso vale mais para um arremessador de banco do que qualquer sessão extra de treino. O elenco atual tem um pelotão inteiro disputando os minutos que sobram atrás de Doncic, Austin Reaves e Grimes.
Existe um risco de leitura aqui, e vale dizer com todas as letras: reencontro não é rotação. Hardy chegou como décimo ou décimo primeiro homem, e a simpatia do astro não entrega minuto nenhum em outubro. O que ela entrega é a chance de o primeiro erro não custar o lugar, que é exatamente o que faltou a ele em três temporadas e meia no Texas.
Os 23 jogos de Washington são a única prova de que o problema nunca foi a pontaria. Se o Lakers estiver certo, comprou por um pivô reserva o arremessador que o resto da liga ainda não viu jogar solto. Se estiver errado, perdeu um pivô titular de 72 jogos para descobrir isso.