Oito temporadas de LeBron James no Lakers renderam um título, dois anos fora dos playoffs e três eliminações na primeira rodada. Ele foi para o Philadelphia 76ers por US$ 8 milhões, e a franquia respondeu com Walker Kessler, 25 anos. O balanço da era é mais magro do que a lenda sugere.
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- LeBron James jogou oito temporadas pelo Lakers, de 2018-19 a 2025-26.
- Saldo: um título (2020), dois anos fora dos playoffs e três quedas na primeira rodada.
- Em 2025-26, o time fez 53-29 e levou 4 a 0 do Thunder na semifinal do Oeste.
- LeBron assinou com o 76ers por duas temporadas e US$ 8 milhões.
- Walker Kessler chega por quatro anos e US$ 130 milhões, mais quatro ativos de draft.
O que oito temporadas de LeBron renderam ao Lakers
O troféu de 2020 é real e ninguém tira. Foi conquistado numa bolha em Orlando, num calendário interrompido pela pandemia, e pendura o mesmo peso de qualquer outro banner na Crypto Arena. Foi o primeiro desde 2010.
O problema é o resto.
Em 2018-19, o Lakers nem chegou aos playoffs. Em 2021-22, também não. Entre 2020-21 e 2024-25, foram três quedas na primeira rodada, para Suns, Nuggets e Timberwolves. Em 2022-23, o time chegou à final do Oeste e foi varrido pelo Denver Nuggets. Na temporada passada, fez 53-29, passou pelo Houston Rockets em seis jogos e levou 4 a 0 do Oklahoma City Thunder na semifinal.
Oito temporadas. Um anel. Duas varridas. Três primeiras rodadas. Dois anos assistindo de casa.
O adeus custou US$ 8 milhões, e não foi o Lakers quem pagou
LeBron completa 42 anos nesta temporada. Passou oito anos em Los Angeles, dois deles ao lado do filho Bronny, e escolheu Filadélfia para o próximo capítulo. Assinou com o 76ers por duas temporadas e US$ 8 milhões, cifra de reserva veterano, para jogar ao lado de Joel Embiid e Tyrese Maxey.
O gesto tem leitura dupla. É um jogador abrindo mão de dinheiro para caçar mais um título. E é a confirmação de que o mercado inteiro, o Lakers incluído, já enxerga LeBron como peça de complemento, não como projeto.
Não estender o contrato foi a decisão mais lúcida da diretoria em anos
Na offseason passada, o Lakers optou por não renovar o vínculo. Foi lido na época como frieza. Era planejamento.
Amarrar salário e narrativa a um jogador de 41 anos travaria a única janela que a franquia realmente tem: a de Doncic, 27 anos, jogando no auge. Ao deixar o contrato vencer, a diretoria comprou liberdade. E usou.
Não é ingratidão. É contabilidade.
Walker Kessler é o que a franquia foi buscar no lugar
O substituto não vende camisa, mas resolve um problema antigo. Kessler tem 2,18m, 25 anos e chega num sign-and-trade que custou escolhas de primeira rodada em 2031 e 2033, além de trocas de posição no draft de 2028 e 2030. O contrato é de quatro anos e US$ 130 milhões.
Ele entra na quinta temporada da carreira depois de um ano quase inteiro perdido: jogou cinco partidas em 2025-26 por causa de uma lesão no ombro. Antes disso, na 2024-25, liderou a NBA em rebotes ofensivos, com 4,6 por jogo, e foi o sexto da liga em enterradas por partida.
Vale lembrar onde ele estava preso. O Jazz passou a temporada inteira dedicada a perder jogos, e a última coisa que interessava a Salt Lake City era um pivô dominante ganhando partidas no fim do calendário.
Defensivamente, ele ocupa o garrafão, protege o aro e libera Doncic e Austin Reaves para pressionar o perímetro sem medo do que acontece atrás. No ataque, tem mãos boas, timing de handoff e radar para o aro. É o rei da segunda chance.
Caro? É. Mas posição, posição, posição é para a NBA o que localização é para o mercado imobiliário. Pivô titular de elite não fica em vitrine esperando comprador.
O corte de idade não parou no garrafão
Idade e experiência valem muito na vida. Na NBA atual, cada vez menos. LeBron completa 42 anos. Kessler tem 25. E o rejuvenescimento atravessou o elenco inteiro.
- Saíram: Deandre Ayton (28 anos), Rui Hachimura (28), Luke Kennard (30), Marcus Smart (32) e Jaxson Hayes (26), único da rotação de saída com menos de 28.
- Chegaram: Quentin Grimes (26), Sandro Mamukelashvili (27), Collin Sexton (27), Ziaire Williams (24), Jaden Hardy (24) e o calouro Cameron Carr (21), destaque da Summer League.
- Completam o grupo: Kevon Looney (30), reserva imediato de Kessler, e Matisse Thybulle (29), defensor comprovado nas alas.
Looney e Thybulle são os únicos reforços mais velhos que Doncic (27) e Reaves (28).
Ainda falta um quinteto titular
É a lição de casa incompleta. O Lakers não tem, hoje, cinco titulares definidos, e a vaga na ala segue aberta. Jonathan Kuminga continua no radar, e existe a chance de a resposta já morar dentro de casa, com Adou Thiero, 22 anos e envergadura de arranha-céu, esperando a deixa.
Em qualquer outro julho, terminar o mês sem resposta para a pergunta mais básica do elenco reprovaria a diretoria. Neste ano, não. Tapar o buraco no garrafão pesava tanto na lista de prioridades que Kessler sozinho puxa a nota da janela para B+.
Obrigado, e boa sorte em Filadélfia
Nada disso é desprezo. LeBron James é um dos maiores jogadores da história do basquete e entregou ao Lakers um título que a franquia perseguia havia dez anos. O nome dele nunca vai sair da nossa memória.
Mas oito temporadas de um jogador desse tamanho deveriam ter rendido mais do que um anel de bolha e cinco eliminações. A conta ficou aberta. Agora ela é de Doncic, e o primeiro pagamento vence em outubro.