LeBron James caiu para terceira opção do Lakers atrás de Austin Reaves em março. Reaves fez 23,3 pontos por jogo, e LeBron, 20,9. Ele não engoliu a mudança, segundo Law Murray, do The Athletic, e quatro meses depois deixou o time e assinou com o Sixers.
Siga o Lakers Brasil no Instagram
O incômodo não era com Doncic
A leitura mais fácil da saída de LeBron sempre foi a mais simples: chegou um jogador maior, e o veterano não se acomodou. Law Murray, repórter que cobre a NBA em Los Angeles para o The Athletic, desmontou essa versão numa sessão de perguntas e respostas no Reddit. Ele acompanhou o time por dentro na temporada passada e diz que a hierarquia com Luka Doncic nunca foi discutida.
“Cobrindo LeBron James na temporada passada, ele vivia um conflito interno com o tanto que precisava ceder para Austin Reaves. Até o Bron entendia que o Luka era o cara em qualquer circunstância.”
Law Murray, repórter do The Athletic, em sessão de perguntas no Reddit
A distinção importa. Aceitar o segundo lugar atrás de um jogador de 33,5 pontos por jogo é aritmética. Aceitar o terceiro lugar atrás de um armador que chegou sem ser escolhido no Draft, e que ganhou o posto jogando, é outra conversa.
A hierarquia do ataque em números
O ataque do Lakers em 2025-26 teve uma ordem clara, e ela ficou registrada nas médias da temporada regular. LeBron terminou com a menor média de pontos desde a temporada de estreia dele, em 2003-04, e com a menor taxa de uso da carreira.
Pontos por jogo na temporada regular 2025-26
| Ordem | Jogador | Assist. | Pontos por jogo |
|---|---|---|---|
| 1 | Luka Doncic | 8,3 | 33,5 |
| 2 | Austin Reaves | 5,5 | 23,3 |
| 3 | LeBron James | 7,2 | 20,9 |
Nas assistências a leitura se inverte: LeBron distribuiu mais que Reaves, 7,2 contra 5,5. Ou seja, ele continuou construindo o ataque. O que mudou foi quem terminava a jogada. É essa a fronteira que Murray descreve, e é ela que um jogador com 23 temporadas de carreira não estava disposto a cruzar calado.
Março foi o mês da virada
O Lakers fez 15 vitórias e 2 derrotas em março, a melhor sequência do ano, e convenceu boa parte de quem duvidava. Foi exatamente ali que a ordem se firmou: Reaves passou a receber as posses decisivas e LeBron aceitou o terceiro posto pela primeira vez na carreira. Deu certo no placar e criou um problema no vestiário.
A sequência acabou em 2 de abril, quando Doncic sofreu uma lesão na posterior da coxa e Reaves teve um estiramento de grau 2 no oblíquo. Os dois ficaram fora do fim da temporada regular e do início dos playoffs.
Nos playoffs, LeBron voltou a ser o primeiro nome
Com os dois no departamento médico, o ataque voltou às mãos dele. O Lakers eliminou o Rockets por 4 a 2 na primeira rodada, com Reaves retornando só no fim da série. Murray conta que essa parte agradou.
Segundo o repórter do The Athletic, LeBron ficou satisfeito por comprovar que ainda conseguia ser a opção principal num cenário de playoffs, e ainda mais num que terminou em vitória. A prova durou pouco. Na semifinal do Oeste, o Thunder venceu as quatro partidas e fechou a série em 11 de maio, por 115 a 110.
A sequência que levou até a Filadélfia
Somado ao incômodo com a hierarquia, circulou em Los Angeles que Rob Pelinka não tratava mais a renovação de LeBron como assunto prioritário do front office. Os dois fatores empurraram na mesma direção.
O que isso deixa para 2026-27
Para o Lakers, o relato de Murray chega como confirmação de uma escolha já feita. A franquia bancou Reaves com um contrato de quatro anos e US$ 180 milhões e deixou LeBron sair sem receber nada em troca. A aposta é que a dupla com Doncic sustente o ataque, com Walker Kessler no garrafão e reforços de rotação nas alas.
O risco aparece assim que alguém se machuca. Foi o que abril mostrou: sem Doncic e sem Reaves, quem segurou o time nos playoffs foi justamente o jogador que agora está na Filadélfia. E o contrato de Kessler já aperta o planejamento em torno de Reaves para os próximos anos.
O training camp abre em outubro. O Lakers começa a temporada 2026-27 sem os 20,9 pontos e as 7,2 assistências por jogo que LeBron levou embora, e sem ter contratado ninguém para repor esse volume. A terceira opção do ataque, o posto que gerou o atrito, está vaga.