Magic Johnson é o melhor armador da história do Lakers, e não há segundo lugar próximo. Fechou 13 temporadas com 11,2 assistências por jogo, a melhor média da história da NBA, mais cinco títulos, três prêmios de MVP e três de MVP das finais.

Siga o Lakers Brasil no Instagram

Resumo rápido
  • Magic Johnson tem 11,2 assistências por jogo, a melhor média da história da NBA.
  • Jerry West liderou a liga em pontos em 1969-70 e em assistências em 1971-72.
  • Luka Doncic fez 33,5 pontos por jogo em sua primeira temporada cheia no time.
  • Derek Fisher soma cinco títulos, a mesma quantidade de Magic Johnson.
  • Slater Martin ganhou quatro títulos ainda em Minneapolis, entre 1950 e 1954.

O critério: quem conta como armador do Lakers

Ranking de posição em franquia de 79 anos esbarra num problema logo na largada: a posição mudou de significado três vezes. Nos anos 1950, armador era quem subia a bola e não errava. Nos anos 1980, virou o eixo do time inteiro. Hoje, é quem tem a bola na mão em quase toda posse de ataque.

A régua aqui pesa três coisas: produção pelo Lakers, peso nas conquistas do time e o quanto o jogador definiu a função na época dele. Quem passou pouco tempo aparece mais embaixo, por mais currículo que tenha trazido de fora. E a lista cobre a franquia inteira, Minneapolis incluída, porque os quatro primeiros títulos saíram de lá.

1º Magic Johnson: o padrão que ninguém alcançou

Foram 906 jogos, 19,5 pontos, 11,2 assistências e 7,2 rebotes por jogo. O número do meio é o que encerra a discussão: 11,2 assistências por jogo é a melhor média da história da NBA, de qualquer jogador, de qualquer época. Ninguém chegou perto de sustentar isso por 13 temporadas.

O currículo em volta é igualmente absurdo. Cinco títulos, três prêmios de MVP da temporada, três de MVP das finais e 11 convocações para o Jogo das Estrelas. E a estreia dele em final, em 1980, é a linha que resume a carreira: com Kareem Abdul-Jabbar lesionado, Magic jogou de pivô no jogo 6, fez 42 pontos e 15 rebotes, e ganhou o título como calouro.

Magic não foi só o melhor armador da franquia. Ele reescreveu o que a posição podia ser, com 2,06m de altura numa função que até então pertencia aos jogadores mais baixos da quadra.

2º Jerry West: o Logo que terminou como armador

West passou 14 temporadas e 932 jogos no Lakers, com 27,0 pontos, 6,7 assistências e 5,8 rebotes. Começou como ala-armador puro e foi virando criador com a idade, num arco que poucos jogadores fizeram tão bem. Em 1969-70 liderou a NBA em pontos, com 31,2 por jogo. Dois anos depois, liderou a liga em assistências, com 9,7.

Essa temporada de 1971-72 é o pico. O time emendou 33 vitórias seguidas, recorde que continua de pé mais de cinquenta anos depois, e West finalmente levou o título que tinha perdido seis vezes na final. Antes disso, em 1969, ele havia se tornado o único jogador de time derrotado a ser eleito MVP das finais, marca que ninguém repetiu.

Ele fica atrás de Magic por um motivo só: passou metade da carreira sendo pontuador, não organizador. Mas a silhueta dele virou o logotipo da NBA, e não foi por acaso.

3º Luka Doncic: o presente que já mudou a lista

Colocar um jogador com pouco mais de uma temporada cheia no pódio parece precipitado, e talvez seja. Mas os números não deixam alternativa. Em 2025-26, Doncic fez 33,5 pontos, 8,3 assistências e 7,7 rebotes por jogo, com 47,6% de quadra. É a maior média de pontos de um armador na história da franquia, e por larga margem.

O que trava a subida dele é o que falta: uma final. A temporada passada acabou com um estiramento de grau 2 no posterior da coxa esquerda, e o time caiu diante do Thunder na segunda rodada com ele de fora. Nenhum dos dois nomes acima dele tem essa lacuna.

Se Doncic entregar em outubro o que entregou até abril, esta lista muda de ordem antes do que parece.

Do 4º ao 7º: os que sustentaram títulos

4. Gail Goodrich. A entrada mais discutível desta lista, e a que ela precisava. Goodrich teve duas passagens pelo time, de 1965 a 1968 e de 1970 a 1976, somando 687 jogos, 19,0 pontos e 4,2 assistências. Foi o cestinha do time campeão de 1972, com 23,8 pontos por jogo naquele mata-mata, e aparece em oitavo na lista de assistências da história do clube. Tem Hall da Fama, cinco convocações para o Jogo das Estrelas e a camisa 25 pendurada no ginásio.

A ressalva contra ele é legítima: em 1972, quem organizava o ataque era West, líder da NBA em assistências naquele ano, e Goodrich era o finalizador. Mas ele assumiu a bola nas temporadas seguintes, com West em final de carreira, e as 4,2 assistências dizem menos do que parecem numa época em que a estatística era anotada com critério bem mais duro.

5. Norm Nixon. Armador titular dos títulos de 1980 e 1982, com 16,4 pontos e 7,9 assistências em 485 jogos pelo Lakers. Foi ele quem organizou o time enquanto Magic ainda aprendia a dividir a bola, e foi trocado justamente por essa sobreposição. Duas convocações para o Jogo das Estrelas, em 1982 e 1983.

6. Slater Martin. O primeiro grande armador da franquia, ainda em Minneapolis. Ganhou quatro títulos, em 1950, 1952, 1953 e 1954, foi sete vezes ao Jogo das Estrelas e entrou no Hall da Fama. Os 9,8 pontos e 4,2 assistências de carreira parecem modestos hoje, mas eram números de armador titular numa liga que jogava a 80 posses e sem linha de três pontos.

7. Derek Fisher. Cinco títulos, o mesmo total de Magic. Nunca foi o melhor jogador em quadra e nunca precisou ser: pegou três taças na sequência de 2000 a 2002 e voltou para levar mais duas, em 2009 e 2010. O arremesso com 0,4 segundo restando, no jogo 5 contra o San Antonio em 2004, é dos lances mais lembrados da história do clube.

Do 8º ao 10º: talento, volume e um recorde de playoff

8. Nick Van Exel. O mais talentoso dos armadores do time nos anos 1990, com 14,9 pontos e 7,3 assistências em 378 jogos. Em 5 de janeiro de 1997, distribuiu 23 assistências contra o Vancouver, segunda maior marca da história da franquia num único jogo. Terminou entre os dez melhores da liga em assistências duas vezes.

9. Russell Westbrook. Os 17,4 pontos, 7,2 assistências e 6,9 rebotes em 130 jogos dizem menos do que o contexto: ele chegou como o encaixe errado num time que precisava de outra coisa. A produção bruta continua sendo das melhores da lista.

10. Rajon Rondo. Ficou pouco e deixou uma marca específica. Nos playoffs de 2020, que terminaram em título, teve 8,9 pontos e 6,6 assistências acertando 40% de três, e fechou a campanha com 105 assistências saindo do banco, recorde da NBA para reserva. Nas finais, 8,7 pontos, 5,5 assistências e 5,2 rebotes em seis jogos.

Os números lado a lado

Assistências por jogo
Média pelo Lakers, exceto Fisher e Martin, cujos números são de carreira inteira.
Magic Johnson11,2
Luka Doncic8,3
Norm Nixon7,9
Nick Van Exel7,3
Russell Westbrook7,2
Jerry West6,7
Gail Goodrich4,2
Slater Martin4,2
Derek Fisher3,0

Doncic em tom mais claro: amostra de uma temporada cheia, contra dez ou mais dos demais.

Pontos por jogo
Mesma base do gráfico anterior.
Luka Doncic33,5
Jerry West27,0
Magic Johnson19,5
Gail Goodrich19,0
Russell Westbrook17,4
Norm Nixon16,4
Nick Van Exel14,9
Slater Martin9,8
Derek Fisher8,3
# Armador Período Pts / Ast Títulos O que o define
1 Magic Johnson 1979-1991, 1996 19,5 / 11,2 5 Melhor média de assistências da NBA
2 Jerry West 1960-1974 27,0 / 6,7 1 Líder da liga em pontos e em assistências
3 Luka Doncic 2025 até hoje 33,5 / 8,3 0 Maior média de pontos entre armadores do clube
4 Gail Goodrich 1965-1968, 1970-1976 19,0 / 4,2 1 Cestinha do time campeão de 1972
5 Norm Nixon 1977-1983 16,4 / 7,9 2 Titular dos títulos de 1980 e 1982
6 Slater Martin 1949-1956 9,8 / 4,2 4 Primeira dinastia, ainda em Minneapolis
7 Derek Fisher 1996-2004, 2007-2012 8,3 / 3,0 5 O arremesso de 0,4 segundo
8 Nick Van Exel 1993-1998 14,9 / 7,3 0 23 assistências num jogo, em 1997
9 Russell Westbrook 2021-2023 17,4 / 7,2 0 Produção alta, encaixe errado
10 Rajon Rondo 2018-2020, 2021 8,9 / 6,6 nos playoffs de 2020 1 Recorde de assistências saindo do banco

Quem ficou de fora, e por quê

Sedale Threatt é o primeiro nome de fora, e por pouco. Assumiu a armação em novembro de 1991, quando Magic anunciou a aposentadoria, e segurou a posição por cinco temporadas, com 11,9 pontos e 5,2 assistências em 386 jogos. Em 1992-93 liderou o time em pontos, assistências e roubos, feito que só Magic tinha alcançado antes dele. O que falta é o que a lista cobra dos dez primeiros: nenhuma dessas temporadas terminou perto de uma final.

Steve Nash é o caso oposto: currículo de sobra, dois prêmios de MVP no Phoenix, e apenas 65 jogos pelo Lakers, com 11,4 pontos e 6,4 assistências. Chegou em 2012 já com o corpo entregue, e a passagem virou nota de rodapé. Não dá para ranquear o que não aconteceu.

D’Angelo Russell é o caso mais discutível dos três. Ele tem duas passagens, 265 jogos e 15,3 pontos por jogo, número maior que o de vários nomes que entraram. O que falta é o resto: 4,9 assistências para um armador titular é pouco, a defesa nunca acompanhou e nenhuma das duas passagens deixou uma noite de playoff que a torcida guarde. Produção de volume não substitui marca deixada.

A conta que a franquia sempre soube fechar

Dos 17 títulos do clube, dezesseis tiveram um dos dez nomes desta lista no elenco campeão. A única exceção é o primeiro de todos, de 1949, conquistado antes de Slater Martin chegar. É coincidência menos do que parece: em quase oito décadas de história, o Lakers raramente errou na hora de escolher quem carrega a bola.

Magic segue intocável e vai seguir por muito tempo. Mas o terceiro lugar desta lista tem 27 anos, acabou de dizer que está inteiro e vai começar uma temporada com o time montado ao redor dele. Rankings de história costumam ser conversa de arquivo. Este aqui tem um capítulo sendo escrito em tempo real.