Lonzo Ball disse que LaVar Ball teve influência enorme na escolha do Lakers no draft de 2017. No podcast Curious Mike, comandado por Michael Porter Jr., ele afirmou que a campanha pública do pai quase obrigou a franquia a usar a segunda escolha nele. Não é a primeira vez que ele abre bastidores daquela época.

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Resumo rápido
2ª escolha
Posição em que o Lakers pegou Lonzo Ball no draft de 2017.
Nenhum
Treino que ele fez para outra franquia antes do draft, por decisão do pai.
3ª escolha
Onde o Boston pegou Jayson Tatum, logo depois da decisão do Lakers.
9 anos
Tempo entre aquela noite de draft e a entrevista em que ele explicou o episódio.
2 temporadas
O que ele durou em Los Angeles antes de sair na troca por Anthony Davis.

A fala que reabre a discussão de 2017

A conversa foi longa e passou pela família, pela marca de tênis criada pelo pai e pelas lesões. O trecho que interessa ao Lakers é o do draft, quando Michael Porter Jr. perguntou se LaVar teve papel na escolha.

“Acho que ele teve uma influência enorme nisso. Sendo honesto, acho que ele quase fez com que eles tivessem que me escolher.”

Lonzo Ball, no podcast Curious Mike

É a primeira vez que ele credita ao pai, com essas palavras, a decisão da franquia. Até aqui, a versão pública que circulava era a da diretoria, e ela dizia outra coisa.

O que a campanha do pai fez antes da noite do draft

LaVar Ball passou a pré-temporada de draft em programas de televisão nacional dizendo que o filho só treinaria e só jogaria pelo Lakers. Não era retórica solta: Lonzo não fez treino para nenhuma outra franquia, incluindo o Boston Celtics, que tinha a primeira escolha e queria avaliá-lo.

Na prática, isso fechou portas antes de a noite chegar. Uma franquia que não consegue avaliar um jogador de perto e sabe que a família não quer estar ali dificilmente gasta a escolha mais alta do draft nele. Quando o Lakers chegou à vez de escolher, a lista de quem realmente disputava aquele jogador já estava reduzida.

As cinco primeiras escolhas do draft de 2017

Escolha Jogador Franquia
Markelle Fultz 76ers
Lonzo Ball Lakers
Jayson Tatum Celtics
Josh Jackson Suns
De’Aaron Fox Kings
Tatum saiu uma escolha depois de Lonzo, para o time que não conseguiu avaliá-lo antes.Draft da NBA de 2017. O Boston havia negociado a primeira escolha com o 76ers.

A versão que a diretoria contava era outra

Rob Pelinka, à época recém-chegado ao cargo de gerente geral, explicou a escolha de outro jeito. Segundo ele, o que pesou foi uma visita à casa da família, em que a diretoria observou LaVar convivendo com a esposa e os filhos. A leitura era de que aquele ambiente formava um jogador confiável, e não de que a pressão pública tivesse funcionado.

Magic Johnson, então presidente de operações de basquete, foi ainda mais direto quando perguntaram sobre a influência do pai no evento de avaliação de calouros de 2017: “Nenhum efeito. Acho que você está escolhendo o filho, não o pai.”

A fala de Lonzo agora contradiz as duas versões. Ele não diz que a diretoria se rendeu à pressão, diz que a pressão reduziu tanto as alternativas que a escolha praticamente se impôs. São coisas diferentes, e a segunda é mais difícil de negar.

No mesmo programa ele apontou qual considera o maior arrependimento da carreira: ter demorado a assumir o controle das próprias decisões. Falou também da marca de tênis criada pela família e da pressão de representá-la ainda calouro, num período em que o produto e o jogador eram vendidos juntos. É o mesmo assunto do draft visto por outro ângulo, o de alguém que passou os primeiros anos de NBA respondendo por escolhas que não tinham sido dele.

O que sobrou daquela decisão

Lonzo jogou duas temporadas em Los Angeles e saiu no pacote que trouxe Anthony Davis em 2019, negociação que rendeu o título de 2020. Tatum, escolhido logo depois dele, virou o jogador em torno do qual o Boston montou uma década inteira.

Isso não faz da escolha um erro simples de avaliação. O Lakers usou a segunda escolha do draft em um jogador que, dois anos depois, virou a peça central de uma troca que trouxe um dos melhores pivôs da liga e terminou em título. O que a fala de Lonzo acrescenta é outra coisa: mostra que a decisão nasceu com o leque de opções já estreitado por fora, e não apenas pela avaliação técnica da diretoria.

Nesta offseason, o time que fez aquela escolha não existe mais no papel: LeBron James saiu, a família Buss vendeu o controle e o elenco foi todo reformulado em torno de Luka Doncic. A entrevista chega quando quase nada daquele Lakers de 2017 continua no lugar, e o único personagem que segue lá é o cargo que Pelinka ocupa.