Luka Doncic aparece em sexto lugar numa lista de loss shares das últimas dez temporadas, com 9,8. O levantamento viralizou nesta semana e contrasta com os números históricos que ele acumulou no Lakers. A métrica, porém, mede minutos em time que perdeu, não qualidade individual.
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- Doncic é o sexto da lista, com 9,8. Russell Westbrook lidera, com 30,3.
- Seis dos oito nomes citados vestiram a camisa do Lakers.
- Loss shares não é estatística oficial: o Basketball-Reference não distribui valor negativo.
- O número acumula com minutos jogados, então pune quem jogou muito em time ruim.
- A troca de 2021 mandou Kuzma embora para trazer Westbrook, o líder da lista.
Os oito nomes da lista que rodou a internet
O levantamento é do perfil @spacegang30 e foi divulgado pela Lakers Daily em 10 de agosto. Ele mede loss shares, uma tentativa de calcular quanto cada jogador contribuiu para as derrotas do próprio time, na janela das últimas dez temporadas.
- Russell Westbrook, 30,3
- Draymond Green, 17,5
- Marcus Smart, 13,3
- D’Angelo Russell, 13,2
- Kyle Kuzma, 10,7
- Luka Doncic, 9,8
- Lonzo Ball, 8,9
- Ricky Rubio, 8,9
Os nomes em negrito têm uma coisa em comum, e não é o desempenho. Seis dos oito passaram pelo Lakers. Só Draymond Green e Ricky Rubio nunca vestiram a camisa.
Antes de aceitar o número, entenda o que ele mede
Loss shares não é estatística oficial de lugar nenhum. O sistema de Win Shares do Basketball-Reference, que é a referência da categoria, não distribui valor negativo por definição: ele reparte crédito por vitórias e para por aí. A ideia de atribuir participação em derrota vem de modelos alternativos, em que o desempenho abaixo da média da liga vira débito em vez de zero.
O levantamento que circulou não publicou metodologia. Sem saber que fórmula gerou o 30,3 do Westbrook, o número serve como provocação de rede social, não como veredito.
E há um problema estrutural que sobrevive a qualquer fórmula: loss shares é uma métrica de acúmulo. Ela cresce com minutos jogados. Um titular que carregou 35 minutos por noite num time de 25 vitórias acumula muito mais do que um reserva medíocre de time vencedor, que simplesmente não esteve em quadra tempo suficiente para somar. A lista não separa quem jogou mal de quem jogou muito num time que perdia.
No caso de Doncic, a distorção fica evidente na origem dos pontos. Ele passou sete das dez temporadas da janela no Mavericks, quase sempre como o jogador que segurava a franquia sozinho e quase sempre em times sem segunda estrela confiável. Chegou a Los Angeles em fevereiro de 2025. A conta de 9,8 é, em larguíssima maioria, uma conta de Dallas.
Por que tanta gente da lista passou pelo Lakers
A coincidência não é coincidência. A janela de dez temporadas cobre exatamente o período em que a franquia tentou resolver a posição de armador na base da tentativa e erro, com escolhas altas de draft e apostas caras que não vingaram.
Lonzo Ball foi a segunda escolha do draft de 2017 e saiu em 2019, no pacote que trouxe Anthony Davis. D’Angelo Russell foi a segunda escolha de 2015, saiu, voltou e saiu de novo. Kyle Kuzma passou quatro temporadas em Los Angeles e faturou o título de 2020 pelo caminho. A relação de Russell com a franquia terminou pública e azeda. Marcus Smart chegou em 2025 e virou uma das âncoras defensivas do último elenco.
Cada um deles jogou muitos minutos em temporadas que o Lakers perdeu. Isso é o suficiente para entrar na lista.
A franquia trocou o quinto pelo primeiro, e o primeiro pelo quarto
O detalhe mais duro está nas trocas, não nos números. Em 2021, o Lakers montou o pacote que trouxe Russell Westbrook de Washington mandando Kyle Kuzma, Montrezl Harrell, Kentavious Caldwell-Pope e uma escolha de primeira rodada. Traduzido para a lista de agora: a franquia entregou o quinto colocado para receber o primeiro.
Deu em 130 jogos e nenhuma série de playoffs vencida. Em fevereiro de 2023, na troca de três times que enfim tirou Westbrook do elenco, o Lakers recebeu de volta D’Angelo Russell. Ou seja, trocou o primeiro colocado da lista pelo quarto.
Duas operações, três dos cinco maiores nomes do ranking, e a mesma posição sem solução. Ver isso resumido numa tabela de rede social dói mais do que a tabela merece.
O que sobra depois disso tudo
A lista funciona como piada e falha como argumento. Ela não prova que Doncic prejudica o Lakers, nem que Westbrook foi o pior jogador da década. Prova que os dois jogaram muito, em times que perderam bastante, e que a franquia colecionou esse perfil por dez anos seguidos.
O que interessa agora é se o número de Doncic vai parar de crescer. Ele não depende de fórmula nenhuma: depende de o Lakers ganhar. Se a temporada 2026-27 for boa, ninguém volta a citar essa tabela. Se for ruim, ela reaparece em agosto do ano que vem, com um número maior e o mesmo problema de método.