Luka Doncic chega a novembro roubando mais bolas e pegando mais rebotes defensivos do que em 2025-26, e o jogo contra o Raptors deixou isso claro. Foram cinco roubos e três faltas de ataque cavadas, marca que ninguém tinha feito desde 2013-14. Depois da vitória, ele mesmo disse que melhorou na defesa.

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Resumo rápido
5 e 3
Roubos de bola e faltas de ataque cavadas por Doncic contra o Raptors, no domingo.
1,9
Roubos por jogo de Doncic em 2026-27, contra 1,6 na temporada passada.
2º
Lugar do Lakers em erros forçados na liga: 18 por jogo, contra 14 em 2025-26.
19º
Posição do Lakers em pontos sofridos. A defesa do time ainda não fechou a conta.

O que Doncic disse sobre a própria defesa

A coletiva depois da vitória por 131 a 125 sobre o Raptors começou pelos 45 pontos, mas o assunto mudou rápido. Um repórter contou a Doncic que Walker Kessler e JJ Redick tinham acabado de elogiar a defesa dele. O esloveno sorriu e respondeu com uma palavra só: “Finalmente”. Em seguida, explicou o que sente nesta temporada.

“Obviamente eu não sou o melhor defensor da NBA, mas acho que neste ano eu dei um passo à frente de verdade. As pessoas vão falar o que quiserem de mim. Mas eu sei, e o meu time sabe, que estou melhor neste ano.”

Luka Doncic, na entrevista coletiva depois de Lakers x Raptors

A fala foi registrada por Dave McMenamin, da ESPN, e aparece no vídeo da coletiva. Doncic disse não entender de onde vem a fama de mau defensor e admitiu que cavou poucas faltas de ataque nas seis temporadas e meia em Dallas. A mudança, segundo ele, foi escolha. “Isso deixa o time inteiro ligado. Eu queria melhorar nisso, e três faltas de ataque em um jogo não é nada mal”, disse.

Os números da noite contra o Raptors

Os cinco roubos e as três faltas de ataque viraram oito posses perdidas pelo Raptors só por conta dele. Segundo a ESPN Research, nenhum jogador tinha juntado as duas marcas no mesmo jogo desde que a NBA passou a rastrear a movimentação em quadra, em 2013-14. Duas faltas foram cavadas em cima de RJ Barrett e uma em Scottie Barnes, o cestinha do time canadense.

Os 15 rebotes, a maior marca dele na temporada, também vieram todos na defesa. Os 45 pontos, com 8 acertos em 12 bolas de três, quase passaram em segundo plano. Doncic segue como cestinha da liga, com média de 38,3 pontos, e mesmo assim a conversa no vestiário foi sobre o outro lado da quadra.

A noite não foi um ponto fora da curva. Em sete jogos, ele tem 13 roubos de bola, média de 1,9 por partida. Entre os 313 jogadores que entram no ranking da ESPN, está na faixa de Nikola Jokic e Tyrese Maxey, entre os 20 primeiros. Dyson Daniels, do Hawks, lidera com 3,0. Doncic não virou especialista, mas os três números que medem a defesa dele subiram de uma temporada para a outra.

Média por jogo de Doncic
Temporada passada contra os sete jogos de 2026-27
Roubos de bola
2025-26
1,6
2026-27
1,9
Rebotes defensivos
2025-26
7,1
2026-27
7,7
Tocos
2025-26
0,5
2026-27
0,7
Os três números subiram. A amostra ainda é curta: 7 jogos agora, contra 64 em 2025-26. Fonte: ESPN.

O que Kessler, Redick e o Raptors viram

Walker Kessler foi o mais enfático. O pivô chegou na offseason justamente para reforçar uma defesa que sofreu 114,6 pontos por jogo em 2025-26, só a 11ª marca da liga pela conta da ESPN, e falou como quem divide o garrafão com o esloveno todas as noites. “Cinco roubos e três faltas de ataque. Incrível. O Luka não recebe o crédito que merece pela defesa”, disse. Para ele, o companheiro lê bem o jogo e está no lugar certo na hora certa.

Redick ligou as faltas de ataque à liderança. “Sofrer uma falta de ataque é uma forma de liderança. Você coloca o corpo em risco pelo time”, disse o técnico, que também elogiou a marcação individual de Doncic neste começo de temporada. Na visão dele, o mesmo espírito competitivo que aparece no ataque agora aparece na defesa.

Do outro lado, Darko Rajakovic, técnico do Raptors, apontou o físico. “Ele voltou neste ano em ótima forma. Parece saudável. Quando está saudável, é imparável”, disse. Sandro Mamukelashvili, que fez 11 pontos contra o ex-time, foi por outro caminho: “Dá para ver que ele tem orgulho. Ele não quer ficar com o rótulo de jogador que qualquer um pode atacar”.

O rótulo ainda não sumiu. Na virada do Warriors em San Francisco, dois dias antes, Stephen Curry passou por Doncic no drible em uma das jogadas do jogo. No isolamento, contra armador rápido, ele continua sendo alvo.

O que muda no Lakers

O efeito aparece no time inteiro. O Lakers força 18 erros por jogo, a segunda maior marca da NBA, atrás só do próprio Raptors. Na temporada passada eram 14, e o time ficava no meio da tabela. Nos roubos de bola, o salto é parecido: de 8,6 para 10,1 por jogo, do 14º para o 5º lugar.

A defesa do Lakers contra a liga
Média por jogo e posição entre os 30 times, agora e na temporada passada
Erros forçados
Erros do rival por jogo
quanto maior, melhor
2026-27
18,0
2º na liga
2025-26
14,0
14º na liga
Roubos
Roubos de bola por jogo
quanto maior, melhor
2026-27
10,1
5º na liga
2025-26
8,6
14º na liga
Arremesso rival
Aproveitamento do adversário
quanto menor, melhor
2026-27
46,0%
17º na liga
2025-26
48,3%
24º na liga
Pontos sofridos
Pontos do adversário por jogo
quanto menor, melhor
2026-27
115,3
19º na liga
2025-26
114,6
11º na liga
O Lakers tira a bola do rival como poucos, mas ainda sofre mais pontos que a média da liga, de 113,6. Fonte: ESPN, até 3 de novembro.

O bloco também mostra o que ainda falta. O Lakers sofre 115,3 pontos por jogo, 19º da liga, acima da média de 113,6. Os rivais acertam 46% dos arremessos, melhor que os 48,3% do ano passado, mas ainda longe dos melhores. Na prática, o time tira a bola do adversário com frequência, e quando não tira, ainda toma cesta demais.

O próximo teste

Uma noite não apaga a fama que Doncic carrega desde Dallas, e ele sabe disso. Mas sete jogos com mais roubos, mais rebotes e mais faltas de ataque cavadas já dizem mais que uma noite inspirada. O próximo teste é contra o Kings, em Sacramento, na madrugada de quarta para quinta-feira, à 0h de Brasília. Se a defesa dele seguir aparecendo, o “finalmente” da coletiva vai deixar de ser ironia.