Luka Doncic celebrou a venda do Lakers para Josh Kushner e Bob Iger por US$ 12,5 bilhões e mandou recado aos novos donos: quer voz ativa no projeto. É a terceira mudança de comando desde que o esloveno chegou a Los Angeles, em fevereiro de 2025, e a segunda em pouco mais de um ano.

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Resumo rápido
  • Doncic reagiu no X à venda do Lakers a Kushner e Iger por US$ 12,5 bilhões.
  • É o terceiro grupo de controle desde a chegada dele, em fevereiro de 2025.
  • Mark Walter comprou 85% em junho de 2025, com avaliação de US$ 10 bilhões.
  • Jeanie Buss segue como presidente com 15%, o mínimo exigido pela NBA.
  • A venda ainda depende do aval do conselho de governadores da liga.

O recado de Doncic aos novos donos

Doncic publicou a mensagem no X poucas horas depois de a ESPN revelar o acordo, na manhã desta quarta-feira (12). O tom repetiu quase palavra por palavra o texto que ele escreveu para Mark Walter em junho de 2025, quando a franquia trocou de dono pela primeira vez desde a chegada do esloveno.

“Ser um Laker significa tudo para mim, e estou animado para voltar à quadra e trazer um campeonato para Los Angeles. Eu me acostumei a grandes mudanças nesses últimos anos, mas sei que, não importa o que aconteça, não há limite para o potencial dessa franquia icônica”, escreveu.

A segunda parte é a que interessa a quem acompanha os bastidores. Doncic não se limitou a dar as boas-vindas, ele pediu a reunião: “Mal posso esperar para conhecer Josh e Bob para que possamos começar a trabalhar juntos na construção de algo especial em Los Angeles”, completou.

A escolha das palavras não é acidental. “Trabalhar juntos” é a fórmula que um jogador usa quando quer cadeira na mesa, não recado por intermediário. Aos 27 anos e com a franquia atravessando a terceira troca de comando em dezoito meses, Doncic ocupa hoje o posto de ativo mais valioso do Lakers, e a única peça que sobreviveu intacta a todas as reviravoltas da diretoria.

O terceiro comando em dezoito meses

A linha do tempo do esloveno em Los Angeles é curta e cheia de sobressaltos. Ele desembarcou em fevereiro de 2025, na troca que tirou dele o Dallas Mavericks. Em junho do mesmo ano, Jeanie Buss vendeu 85% das ações a Mark Walter, numa operação que avaliou o clube em US$ 10 bilhões, recorde para uma franquia esportiva na época. Catorze meses depois, o recorde caiu de novo.

Segundo a ESPN, o negócio nasceu de uma ligação no domingo e foi fechado em questão de dias. Kushner e Iger vinham conversando com a NBA sobre uma franquia de expansão em Las Vegas e mudaram de alvo no meio do caminho. Walter, que se pronunciou logo após assinar, sai da operação com US$ 2,5 bilhões a mais do que colocou.

Nada disso vale antes do carimbo da liga. A transação ainda depende da aprovação do conselho de governadores da NBA, etapa que costuma ser protocolar quando o comprador tem lastro, mas que mantém a nova gestão fora da sala de decisões até ser concluída.

O que muda, na prática, para Doncic

Dono não escala nem faz substituição, mas decide duas coisas que o jogador sente na pele. A primeira é a disposição de pagar imposto de luxo, e nas regras atuais da NBA o segundo patamar da tabela impõe restrições de troca e de uso de exceções salariais que nenhum dinheiro apaga. Um controlador disposto a operar no vermelho contábil compra elenco. Um controlador preocupado com margem corta na folha.

A segunda é paciência. Reformulação de elenco leva temporadas, e o relógio de um astro no auge não acompanha o relógio de um investidor recém-chegado. Doncic mandou o recado antes de ser perguntado justamente por causa disso: quem fala primeiro define o enquadramento da conversa. Iger construiu carreira em Hollywood administrando marcas gigantes e reputações caras, e o Lakers é, antes de time, uma das marcas mais valiosas do esporte mundial.

Jeanie Buss e a cláusula assinada com o dono errado

A única constante da diretoria desde a chegada de Doncic atende por Jeanie Buss. A filha de Jerry Buss reteve 15% das ações, porcentagem mínima exigida pela NBA para ocupar o cargo de governadora, e segue como presidente do clube. No papel, portanto, nada mudou no comando do dia a dia.

No detalhe, mudou. A cláusula que garantia o posto dela por cinco anos foi assinada com Mark Walter, e Walter acabou de sair de cena. O que era garantia contratual vira, agora, assunto de negociação com dois sócios que ainda não sentaram na mesa.

Doncic chegou a Los Angeles sem escolher o destino, empacotado numa troca que ninguém viu vir. Dezoito meses depois, é ele quem manda a primeira mensagem quando a franquia troca de dono. A ordem dos fatores mudou, e essa talvez seja a informação mais relevante do dia.