Joey e Jesse Buss, ex-dirigentes do Lakers e filhos de Jerry Buss, negociam a compra do ASVEL, e o prazo vence nos primeiros dias de novembro. Os dois venderam neste ano a última participação da família na franquia e agora tentam comprar um time europeu bem no meio da disputa entre a NBA e a Euroliga.
Siga o Lakers Brasil no Instagram
O que foi apurado, e por quem
A informação é do Eurohoops: os irmãos têm direito exclusivo de negociação até os primeiros dias de novembro para comprar o ASVEL de Tony Parker. Exclusividade, aqui, tem um significado prático: enquanto ela vale, nenhum outro interessado pode entrar na mesa, mesmo que apareça com mais dinheiro.
O relato chegou poucas horas depois de o próprio Parker, que preside o time francês, dizer publicamente que as conversas estavam mais do que avançadas. Perguntado sobre quem eram os investidores, ele foi direto ao contorno: disse que eles foram até Lyon e que é com eles que a negociação acontece, mas que não podia dar detalhes por causa de acordos de confidencialidade assinados.
Por que isso é assunto de Lakers
Porque são os Buss, e porque eles acabaram de sair. Joey e Jesse são filhos de Jerry Buss, o homem que comprou o Lakers em 1979 e construiu o Showtime. Os dois passaram anos em cargos de direção na franquia e venderam neste ano as últimas ações que a família ainda tinha.
A leitura óbvia seria a de uma saída do basquete. É o contrário. Eles saíram da franquia que a família controlou por mais de quatro décadas e, meses depois, aparecem tentando comprar um time do outro lado do Atlântico. Não é aposentadoria, é mudança de endereço.
Vale lembrar onde a franquia parou. O controle do Lakers passou para Mark Walter em 2025, e ele revendeu em agosto a Bob Iger e Josh Kushner por 12,5 bilhões de dólares. Nesse rearranjo todo, a participação que restava aos Buss saiu de cena. Os irmãos não perderam espaço em uma disputa interna, eles liquidaram a posição e ficaram com dinheiro em caixa, que é exatamente o que uma compra como a do ASVEL exige.
O detalhe que transforma a compra em posição estratégica
O ASVEL não é um time europeu qualquer para quem olha de fora. Ele é um dos 13 times acionistas da Euroliga, ou seja, quem o compra não leva só o elenco e a arena, leva um assento na mesa onde o basquete europeu decide o próprio futuro.
E essa mesa está em obras. A NBA segue em conversas com a Euroliga em torno do projeto de liga europeia, com lançamento esperado para a temporada 2027-28. Nós contamos em setembro que a liga americana estuda comprar uma fatia da competição onde Luka Doncic se formou. Dois ex-dirigentes de NBA comprando um dos donos dessa competição, no mesmo momento, não é coincidência que se deva ignorar.
O que ainda pode travar
O projeto de Parker levou um freio no meio deste ano, imposto pela DNCCG, que é o órgão que fiscaliza as contas dos times de basquete na França. Foi por causa disso que a venda ganhou urgência, e é por causa disso que o prazo importa: exclusividade que vence sem acordo devolve o time ao mercado aberto.
O outro ponto é que nada foi assinado. Parker confirmou a negociação, não a conclusão, e não existe valor público. Enquanto os nomes ficarem presos em acordo de confidencialidade, o que se tem é uma janela com data para fechar e dois compradores identificados por terceiros.
Para o torcedor brasileiro, o que sobra é uma cena curiosa. A família que definiu o Lakers moderno não tem mais nada da franquia, e o próximo capítulo dos Buss no basquete pode começar na França, a cerca de 9 mil quilômetros da Crypto Arena, em um time que joga a competição que a NBA quer comprar.