A NBA prepara uma oferta para comprar parte da Euroliga, e os donos dos times europeus votam em 5 de outubro entre aceitar ou seguir sozinhos. É a liga em que Luka Doncic se formou antes de levar o elenco do Lakers para treinar na Eslovênia. A informação é da Gazzetta dello Sport.

Siga o Lakers Brasil no Instagram

Resumo rápido
5 de out
A reunião na Itália em que os donos dos times escolhem o caminho
12 cidades
O que a NBA mira na Europa, com lances de até US$ 1 bilhão por vaga
16 times
O desenho da liga europeia da NBA, com 12 fixos e 4 por classificação
out. 2027
Quando a competição europeia da NBA deve começar a rodar

Os dois caminhos que vão à votação

Segundo a Gazzetta dello Sport, o conselho de proprietários da Euroliga se reúne em 5 de outubro, na Itália, em encontro organizado pelo Olimpia Milano, para decidir entre duas rotas que não convivem.

A primeira é aceitar a oferta da NBA para comprar participação na competição, dentro do projeto que a liga americana chama de NBA Europe. Essa proposta pode ser formalizada logo depois da reunião do conselho de governadores da NBA.

A segunda é recusar e seguir com o plano próprio, o de virar um sistema de franquias, apresentado aos times pelo executivo-chefe Chus Bueno. A Euroliga abriu a inscrição em julho, com até oito vagas de longo prazo para 2027-28, e diz ter recebido mais de vinte manifestações de interesse.

O tamanho do que a NBA está montando

Os números explicam por que a conversa saiu do campo das ideias. A NBA mira doze cidades europeias e já recebeu lances entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão por vaga, vindos de mais de vinte interessados, entre times de basquete e de futebol.

O desenho previsto é de dezesseis times, sendo doze franquias permanentes e quatro vagas decididas por classificação a cada temporada. O início está marcado para outubro de 2027, ou seja, uma temporada depois da que começa agora.

Nem todo mundo esperou a votação. O Barcelona fechou licença de dez anos com a Euroliga e saiu da conversa com a NBA, o que reduz o número de times grandes disponíveis para a liga americana montar o projeto do zero.

O recado que a Euroliga mandou antes da reunião

Chus Bueno assumiu como executivo-chefe da Euroliga em fevereiro e falou em Londres no dia 4, à Reuters. Não soou como quem espera ser comprado.

“Se a gente não fechar acordo na Europa, vamos competir na Europa. Foi essa a discussão que tivemos internamente, e se for preciso, estamos prontos. Tem que ser uma parceria que funcione para os dois lados, não só para um.”

Chus Bueno, executivo-chefe da Euroliga, à Reuters

Por que isso chega ao Lakers

Porque o melhor jogador do time saiu de lá. Luka Doncic estreou como profissional na Europa, foi MVP da Euroliga aos 19 anos e atravessou o Atlântico porque era o único caminho para jogar no nível mais alto. Se a NBA passar a operar uma liga europeia, esse caminho deixa de ser único.

O efeito prático não aparece amanhã, aparece na próxima geração de elenco. Um jovem europeu que hoje aceita salário menor para tentar a NBA passa a ter uma alternativa que paga bem, joga em casa e carrega a mesma marca. Quem monta rotação com contrato curto, que é exatamente o que o Lakers fez nesta offseason, vai sentir primeiro.

E há o lado oposto, que também interessa. Se a NBA comprar parte da Euroliga, o funil de talento europeu passa a desaguar dentro da própria estrutura da liga, e não em uma competição rival. Para uma franquia que apostou o futuro em um esloveno, saber de que lado essa porta vai abrir não é assunto de bastidor de escritório.

A votação de 5 de outubro cai pouco mais de duas semanas antes da estreia do Lakers. Ela vai sumir no meio da pré-temporada, e ainda assim é a decisão que mais mexe no mapa do basquete na próxima década.