O futuro de LeBron James em Los Angeles virou uma conta de matemática. Agente livre após oito temporadas, o astro só deve ficar se o Lakers montar um time competitivo, provavelmente exigindo dele um corte salarial. O problema: cada peça que a franquia tenta manter consome o espaço que sobraria para James.

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A conta que pode empurrar LeBron para fora de LA

James chega à free agency depois de oito temporadas vestindo a camisa do Lakers. Se as duas partes quiserem seguir juntas, é quase certo que o veterano terá de abrir mão de parte do salário para que a franquia tenha fôlego de melhorar o elenco. Sem esse sacrifício, não há mágica de folha salarial que feche a conta.

E aqui mora a tensão. James já deixou claro ao longo da carreira que quer disputar título. O time, hoje, está longe do topo na hierarquia do Oeste. Bancar a permanência dele sem entregar um elenco competitivo seria pedir que ele aceite menos dinheiro por menos chance de anel, uma combinação difícil de sustentar.

Hachimura e Hayes na frente da fila

Segundo Dan Woike, do The Athletic, a diretoria tem dois nomes como prioridade para renovar antes de fechar qualquer outra frente. “A crença é que Rui Hachimura e Jaxson Hayes são jogadores que o Lakers priorizaria manter enquanto tenta montar o melhor elenco possível ao redor de Doncic. E cada peça do quebra-cabeça que o Lakers acha que precisa encaixar no espaço salarial ocupa uma fatia que poderia ir para James”, escreveu Woike.

Os números explicam o apreço. Hachimura foi um dos arremessadores mais eficientes do time na temporada: 51,4% de aproveitamento de quadra e 44,3% nas bolas de três. Reaves, outra prioridade de renovação, e o ala japonês formam a base que a franquia não quer perder. Hayes, por sua vez, entregou minutos sólidos como reserva no garrafão, com alguma proteção de aro vinda do banco.

O detalhe cruel é que manter os dois pode esgotar justamente o dinheiro que seguraria James. Cada assinatura é uma fatia a menos do bolo.

Para segurar LeBron, o Lakers precisa de um time de verdade

Se a intenção é manter o camisa 23, o caminho passa por construir algo que convença. Hachimura foi um titular subestimado e mantê-lo é uma decisão lógica. Além disso, a franquia busca um pivô titular de melhor nível, o tipo de reforço que ergue todo o garrafão e facilita a vida dos outros homens grandes.

Melhorar a posição cinco tem efeito cascata. Um pivô confiável protege a defesa, abre linhas de passe e cria o ambiente em que um veterano de 40 anos pode escolher suas batalhas em vez de carregar o time todo santo jogo.

O fator Doncic

No centro de tudo está Doncic, ainda o melhor jogador do elenco e o nome ao redor de quem a reformulação precisa ser desenhada. O esloveno não esteve fisicamente inteiro nos playoffs, e a limitação tirou do time qualquer chance real de passar da segunda rodada.

É essa a moldura da decisão. O Lakers quer um elenco que extraia o melhor de Doncic, e ao mesmo tempo um James satisfeito o bastante para aceitar menos. Se James não voltar, deve procurar um destino com aspirações legítimas de título, já que não dá sinais de aposentadoria e pretende jogar ao menos mais uma temporada.

No fim, a diretoria está diante de uma escolha que não é só financeira, é de identidade. Apostar na continuidade de uma era ou liberar espaço para reconstruir ao redor do novo eixo. As duas semanas que antecedem a free agency vão dizer qual caminho a franquia escolheu.