A projeção mais recente para Sandro Mamukelashvili no Lakers dá 10,5 pontos e 2,5 assistências por jogo, saindo do banco. O número de pontos é plausível. O de assistências ignora justamente o que ele mostrou pela Geórgia em agosto, e por uma margem larga.
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O que a projeção diz
O levantamento é de Svyatoslav Rovenchuk, do LakeShowLife, dentro de uma série que projeta a temporada de cada reforço. Para Mamukelashvili, a conta fecha em 10,5 pontos, 5,0 rebotes, 2,5 assistências, 0,5 roubo e 0,5 toco por jogo, com ele saindo do banco.
O raciocínio por trás dos números é sólido. Ele divide a segunda unidade com Collin Sexton, e os dois vão dividir também a bola. Com Luka Doncic e Austin Reaves absorvendo a maior parte da criação e da finalização, o que sobra para o resto do elenco encolhe conforme se desce na hierarquia.
Onde a nossa leitura diverge
A parte das assistências merece uma ressalva, e ela vem de dado nosso. Em agosto, nas eliminatórias europeias, Mamukelashvili distribuiu seis assistências em cada um dos dois jogos que fez pela Geórgia. Na temporada passada, no Toronto, a média dele foi de 1,9 por jogo.
Dois jogos de seleção não viram projeção de temporada, e ninguém deve tratar assim. Mas a diferença é grande demais para ser ruído, e ela aponta para uma habilidade que o papel em Toronto não pedia: ala-pivô que enxerga o passe antes de decidir arremessar. Ao lado de um armador que atrai duas marcações em toda posse, essa é exatamente a função que rende.
Por que ele não deve ser titular
A resposta não tem a ver com talento, tem a ver com encaixe, e o próprio Lakers já pagou para aprender isso. Na temporada passada, o quinteto com Doncic, Rui Hachimura e LeBron James juntos rendeu abaixo do esperado. Quando Marcus Smart passou a entrar no lugar de Hachimura em definitivo, o time melhorou de forma visível.
O elenco principal já tem poder de fogo de sobra entre Doncic, Reaves, Quentin Grimes e Walker Kessler. O que falta ali é um ala que defenda, e essa não é a especialidade de Mamukelashvili. No banco, o mesmo conjunto de habilidades vira vantagem, porque ele passa a ser o melhor jogador em quadra em boa parte dos minutos.
O que ele resolve em quadra
A função mais óbvia é o pick-and-pop com Doncic. Ala-pivô que converte de fora obriga o pivô adversário a sair do garrafão, e isso abre o caminho que o esloveno mais usa. É espaçamento de quadra convertido em ponto, sem precisar de jogada ensaiada.
A segunda função é menos comentada e talvez importe mais. Mamukelashvili foi um bom decisor de leitura rápida no Toronto, do tipo que recebe e resolve em um toque, sem segurar a posse. Em transição, com o time correndo mais, é esse jogador que impede o ataque de travar quando a primeira opção não aparece.
Some a isso o fato de ele ser o primeiro nome a se levantar do banco em boa parte das noites. Minuto de reserva no Lakers deixou de ser tempo de sobrevivência e passou a ser tempo de construir vantagem, e é essa a mudança que a contratação tenta comprar.
A aposta que o Lakers fez
Vale lembrar o tamanho do risco. Mamukelashvili chegou em julho, com quatro anos e US$ 52 milhões, vindo da melhor temporada da carreira. O primeiro ano do contrato sozinho paga mais do que ele acumulou em toda a passagem anterior pela NBA. Isso é a definição de apostar em uma amostra curta.
A leitura mais provável é que o Sexto Homem do Ano não venha, porque o prêmio costuma premiar pontuador de banco em volume, e volume é o que ele não vai ter em Los Angeles. Mas prêmio nunca foi o motivo da contratação.
O que o Lakers comprou foi uma segunda unidade que finalmente pontua, algo que o time não tem desde 2023. Se as assistências de agosto forem sinal e não acaso, o Lakers comprou mais do que pagou.