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    Eduardo Barão

    13 de Junho de 2024 postado por Eduardo Barão

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    Kareem Abdul-Jabar. Magic Johnson. Shaquille O`Neal. Kobe Bryant. Lebron James. Em um jogo do Los Angeles Lakers, é quase certo em qualquer época que um grande astro da NBA estará em quadra.

    O que é absolutamente certeza mesmo é que uma constelação hollywoodiana estará ocupando os assentos à beira da quadra, alguns para verem o jogo, outros tantos para serem vistos também.

    E no meio de tantos nomes conhecidos do grande público, eu te apresento Ernie Vandeweghe, o cara que começou tudo isso. Se você for procurar por ele na Wikipedia, já te adianto, sua página em português sequer existe, e ele é creditado como um cara que jogou no New York Knicks na década de 50, pai de Kiki Vandeweghe (um NBA All Star, é verdade), da nadadora olímpica Tauna, e avô da tenista profissional Coco Vandeweghe.

    Mas ele também foi o médico ortopedista responsável pelo Lakers logo quando o time chegou na cidade de Los Angeles, em 1960. Na época, o então cirurgião da UCLA foi contratado por Bob Short, o cara que tirou os Lakers de Minneapolis, para cuidar dos jogadores e também ajudar o novo dono a entender a nova realidade do time na Califórnia, e - por que não? - ampliar sua base de fãs.

    O jogo se torna entretenimento

    O time queridinho da cidade era o Los Angeles Dodgers (recém chegado do Brooklyn), e o beisebol era infinitamente mais popular do que o basquete. A primeira sugestão de Vandeweghe foi que Short deveria contratar um narrador titular para as transmissões de seus jogos, como o hoje-legendário Vin Scully dos Dodgers. O doutor apontou que Chick Hearn seria perfeito para o cargo.

    Short não tinha tanta certeza, e acreditava que as rádios poderiam escolher (e pagar) pelo narrador que quisessem. Vandeweghe apostou tanto na necessidade de uma “voz Laker” que ele mesmo pagou o salário do narrador no primeiro ano de contrato. Chick Hearn eventualmente entrou para a história da narração esportiva, tendo comandado a transmissão de praticamente todos os jogos dos Lakers em casa de 1961 a 2001 - ele ficou fora de apenas dois jogos em 40 anos por lá, incluindo aí uma sequência de 3,338 narrações consecutivas!

    As estrelas de Hollywood começam a acompanhar o Lakers

    Mas essa não foi a única contribuição de Ernie Vandeweghe. Casado com Colleen Kay Hutchins, a Miss America de 1952, ele aproveitou a entrada que a esposa tinha com os astros de Hollywood para divulgar os jogos dos Lakers. Munido com uma pilha de ingressos na mão, ele e a esposa iam aos estúdios de cinema e os distribuíam, com a promessa de que em todo grupo de amigos teria pelo menos um astro das telas.

    Logo Doris Day (O Homem que Sabia Demais, de Alfred Hitchcock), uma das maiores estrelas da década, virou figurinha carimbada nos jogos dos Lakers.

    Com o sucesso do time nos anos seguintes - obrigado Jerry West! - outras celebridades como Dean Martin, Walter Matthau e Jack Lemmon começaram a aparecer.

    E como dizem por aí, Vandeweghe e Short andaram para que Jerry Buss pudesse correr!

    O visionário Jerry Buss

    Quando o magnata comprou o time em 1979, o Showtime Lakers estava se formando: Magic, Kareem, Pat Riley, Jamal Wilkes, James Worthy… E os triunfos nos playoffs atraíam cada vez mais celebridades.

    Frequentador da Playboy Mansion e amigo de Hugh Hefner, Dr Buss ainda foi a mente por trás das Laker Girls, as dançarinas responsáveis por ajudar a transformar um mero evento esportivo em um mega show de entretenimento - uma inovação numa época em que cheerleaders não eram comuns em jogos na NBA.

    E nada melhor para atrair um público de poderosos do que a ideia de exclusividade. Quando Jerry Buss comprou os Lakers, os disputados assentos courtside já não eram mais distribuídos, e sim vendidos para os poucos com condições de pagar por eles. E se esse clubinho não era exclusivo o bastante, foi criado o Forum Club, restaurante/clube VIP, em que pouquíssimos torcedores tinham acesso. Buss teria recusado ingressos para Michael J.Fox, astro da série De Volta para o Futuro, porque ele pediu entradas para um jogo contra os Celtics num final de temporada, e não seria “torcedor de verdade” do time.

    Josh Rosenfeld, jornalista norte-americano que foi diretor de relações-públicas do New York Knicks nos anos 90, conta que “Uma das maiores diferenças do Forum e do Madison Square Garden, é que no Forum as celebridades de fato pagavam pelos seus ingressos, eram realmente torcedores. No Madison Square Garden tinha uma pessoa que ficava telefonando para os famosos, fazendo convites, negociando aparições…”

    Um dos torcedores mais ilustres dos Lakers é Jack Nicholson, que faz questão de pagar por seus season tickets desde 1973, para não ter nenhum tipo de obrigação de permuta, a não ser vibrar (e xingar) pelo time. Dizem até que seus contratos de filmagem em Hollywood têm uma cláusula estabelecendo que o trabalho dele deve sempre terminar a tempo de ele chegar aos jogos dos Lakers.

    E se o Lakers deixou para trás o antigo Forum rumo ao Staples Center, hoje Crypto.com Arena, a turma de Hollywood foi atrás.

    Para o fã, ver uma partida do Purple and Gold é mais do que ver os grandes astros da NBA em ação. É também a oportunidade de ver uma verdadeira constelação de famosos como Billy Crystal, Leo DiCaprio, Denzel Washington, Justin Timberlake e Adele vibrando com um turnover adversário tanto quanto você.

    Fala aí!