Sim, Victor Wembanyama parece estar abraçando o papel de vilão nas Finais da NBA 2026. Depois de derrubar Jalen Brunson no Jogo 3 sem punição e de acertar Naz Reid com uma cotovelada nos playoffs, o francês virou alvo da torcida adversária no exato momento em que dominava a série.
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- Wembanyama derrubou Jalen Brunson no Jogo 3 das Finais e não foi punido.
- A liga revisou o lance após a partida e decidiu não elevar a falta a flagrante.
- Antes, o francês já tinha acertado Naz Reid com uma cotovelada nos playoffs.
- Há duas semanas, ele era o herói que eliminou o Thunder na final do Oeste.
O lance que a liga decidiu ignorar
O estopim foi o Jogo 3. Numa disputa de corpo, Wembanyama jogou Brunson ao chão com uma violência que parou a quadra. O árbitro marcou falta comum, seguiu o jogo, e a expectativa era de revisão. Veio a revisão, e veio o silêncio: a liga olhou o vídeo depois da partida e decidiu não elevar a falta a flagrante. Sem suspensão, sem multa, sem nota oficial de repreensão.
Para a torcida do Knicks, foi a confirmação de que o francês joga sob outra régua. Para quem assistiu de fora, foi a primeira fagulha de uma narrativa que vinha sendo costurada em silêncio: a de que o garoto-prodígio talvez não seja só o gênio simpático de pés descalços que a imprensa vendeu.
Um padrão por trás do herói
O detalhe que muda a leitura é que o lance com Brunson não foi isolado. Mais cedo nestes mesmos playoffs, Wembanyama já tinha acertado Naz Reid com uma cotovelada seca, daquelas que não se explicam como acaso. Dois episódios não fazem um vilão, mas começam a desenhar um jogador que usa o corpo, a altura e a impunidade como ferramentas, não como acidentes.
Enquanto isso, a cobertura seguia noutro compasso. Matéria sobre Wembanyama andando descalço por Nova York. Reportagem sobre o francês estudando com monges. Retratos de serenidade, de disciplina, de um atleta que medita enquanto o resto da liga grita. A distância entre essa imagem cultivada e o que se viu em quadra no Jogo 3 é justamente o espaço onde nasce um antagonista.
De algoz do Thunder a vilão de Nova York
O mais curioso é a velocidade da virada. Há duas semanas, Wembanyama era celebrado. Foi ele quem desmontou o Thunder na final da Conferência Oeste, time que muita gente acusava de viver de falta provocada. Naquele momento, o francês era o herói que punia o adversário chorão e levava o San Antonio às Finais pela primeira vez na era pós-Duncan.
Bastou trocar de oponente. Diante do Knicks e da torcida mais barulhenta da liga, o mesmo jogo físico que era visto como justiça poética virou abuso. A plateia de Nova York não perdoa, e a imprensa que o santificava agora tem munição para o enredo oposto. Herói e vilão, descobre-se mais uma vez, é só uma questão de para quem você está torcendo.
Por que isso talvez fosse inevitável
Há uma lógica fria por trás da virada. Quando um atleta é tão bom, tão jovem e tão convicto naquilo em que acredita, a antipatia é quase um efeito colateral do tamanho. O público adora torcer contra a inevitabilidade. Wembanyama tem 2,24 metros, controla os dois lados da quadra e parece imune à pressão que dobra veteranos. Isso fascina e incomoda na mesma proporção.
Virar vilão, nesse sentido, não é um desvio de rota. É um pedágio que talentos geracionais pagam quando deixam de ser promessa e passam a ser ameaça concreta ao título alheio. Michael Jordan foi odiado. LeBron foi odiado. A diferença é que Wembanyama está chegando lá com 22 anos e uma cotovelada engatilhada.
A pergunta que fica não é se ele é bom demais para o próprio bem, porque disso ninguém duvida. A pergunta é mais simples, e divide qualquer mesa de bar: você gosta do Wemby? Responda com a honestidade de quem já escolheu um lado nesta série, porque, daqui pra frente, neutralidade vai ser difícil.