Victor Wembanyama estudou Kobe Bryant antes de detonar o Thunder no Jogo 1 da final do Oeste. O agente do francês procurou Rob Pelinka, GM do Lakers e ex-empresário de Kobe, pra entender como o Mamba pensava. O resultado virou retiro em mosteiro Shaolin e 41 pontos sobre o atual MVP da liga.
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- Wembanyama estudou Kobe Bryant antes da final do Oeste, em reunião do agente Bouna Ndiaye com Rob Pelinka, GM do Lakers.
- Pelinka contou sobre as obsessões de Kobe com tubarões brancos e a Capela Sistina.
- O francês passou dez dias em retiro no templo Shaolin, na China, antes da temporada 2025-26.
- No Jogo 1 da final do Oeste, Wembanyama fez 41 pontos, 24 rebotes e 3 tocos sobre o Thunder fora de casa.
- O Spurs venceu quatro dos cinco confrontos com o Thunder na temporada regular.
O elo entre Wembanyama e a Mamba Mentality
A leitura veio do ex-jogador Rashad McCants depois de assistir Wembanyama destruir o Thunder. “Ele mostrou muita energia da mentalidade de Kobe Bryant durante o jogo inteiro”, disse McCants ao Yahoo. “Victor Wembanyama fez exatamente o que tinha que fazer: entrar em quadra e mostrar pro mundo quem ele realmente é, e o que ele entrega pra esse time. O que realmente entrega pra essa liga.”
O argumento se sustenta. O Thunder chegou à final invicto no mata-mata e ainda viu Shai Gilgeous-Alexander ser coroado MVP consecutivo. Wembanyama transformou a coroação em combustível: 41 pontos, 24 rebotes e 3 tocos no Jogo 1, com bola de três no estilo Steph Curry pra forçar o segundo tempo extra fora de casa.
Bouna Ndiaye procurou Rob Pelinka pra entender como Kobe pensava
Segundo apuração de Ramona Shelburne na ESPN, antes do retiro do francês no templo Shaolin, o agente de Wembanyama, Bouna Ndiaye, marcou reunião com Rob Pelinka, o GM do Lakers e antigo empresário de Kobe. A meta era simples e enorme ao mesmo tempo: entender como o Mamba enxergava grandeza de um jeito diferente do restante da liga.
“A maneira como eles pensam é diferente”, disse Ndiaye à ESPN. “A maneira como eles jogam, como se desafiam. A curiosidade. Como eles estudam e observam as coisas. Os dois são muito criativos pra resolver um problema.” A leitura colou direto no perfil de Wembanyama, jogador que faz da curiosidade fora da quadra uma vantagem competitiva.
Pelinka respondeu com histórias. Uma delas envolvia a obsessão de Kobe com tubarões brancos e os padrões de caça do bicho. Pelinka organizou uma viagem à Ilha Guadalupe, no México, pra Kobe descer em jaula e ver de perto. Depois, no ensaio para a The Players’ Tribune, Kobe explicou que aquilo influenciou diretamente o jeito como ele marcou Allen Iverson.
Outra história ficou na Capela Sistina. Pelinka articulou uma visita privada com historiador de arte pra Kobe estudar como Michelangelo entregou aquela obra em condições físicas brutais, com pouca luz, no teto. A lição que Kobe levou não foi sobre arte. Foi sobre persistência, imaginação e o que é necessário pra criar algo extraordinário em terreno hostil.
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O retiro no templo Shaolin e o método Wemby
Ndiaye conectou o aprendizado. “Eu queria entender como Kobe fazia as coisas”, disse à ESPN. “Pra que pudéssemos aprender com ele. Victor não é como qualquer outro. Precisamos ser criativos pra montar programas que sejam únicos pra ele.” Foi nesse ponto que o templo Shaolin entrou na rota.
No começo deste ano, Wembanyama passou dez dias treinando e meditando no histórico templo Shaolin, na China, focado em disciplina mental e física. A peregrinação rendeu manchete no mundo todo. Mas, no fundo, ecoou exatamente o tipo de crescimento fora do óbvio que Kobe perseguia desde os anos 2000. Onde o Mamba foi atrás de tubarões e Michelangelo, o francês foi atrás de monges.
O recado ao Thunder e o que vem pela frente
O Spurs já tinha chegado à final do Oeste com confiança. Foram quatro vitórias em cinco confrontos com o Thunder na temporada regular, o que destoava do roteiro de quem entrava como zebra na série. O Jogo 1 só confirmou o padrão: Wembanyama jogando como peça central e o time bancando carga ofensiva mesmo sem De’Aaron Fox, cortado horas antes com entorse no tornozelo direito.
Pro Lakers, observar tudo isso tem um sabor amargo e curioso. Amargo porque Kobe Bryant, ícone máximo da franquia, virou manual de estudo do jogador que está pavimentando o futuro de um rival direto. Curioso porque, vinte anos depois, o método continua replicável: estudar fora da bolha do basquete, observar coisas que parecem distantes do jogo, voltar pra quadra com vantagem cognitiva.
Wembanyama agora pareia talento físico raríssimo com mentalidade emprestada do maior obcecado que a franquia de Los Angeles já teve. Se a parte mental do projeto continuar firme, a final do Oeste de 2026 deve ser apenas o primeiro capítulo de uma história em que o resto da liga vai ter que reaprender a defender, planejar e competir.