O Lakers entra no offseason de 2026 com o futuro de LeBron James e Austin Reaves no centro do tabuleiro, em torno da era Luka Doncic. Após o 4 a 0 do Thunder na primeira rodada, a franquia precisa renegociar os dois agentes livres e admitiu, pela voz de JJ Redick, não ser boa o suficiente pra brigar pelo título.
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- Lakers fechou a temporada regular com 53 vitórias, melhor marca desde 2010-11 fora do título de 2020.
- Thunder eliminou o Lakers por 4 a 0, com diferença acumulada de 64 pontos na série.
- Em março, sob nova hierarquia, o Lakers fez 15-2 com Doncic candidato a MVP e média de 37,5 pontos por jogo.
- Doncic pediu que Reaves não entre em pacote por Giannis Antetokounmpo, segundo fontes da liga.
- Reaves pode receber ofertas de US$ 40 milhões anuais na free agency, segundo executivos rivais.
O que março revelou e o que abril destruiu
Por um mês, o Lakers acreditou que tinha um time de título. A franquia fechou março com 15 vitórias e 2 derrotas, top 10 nas duas pontas da quadra e Doncic em campanha de MVP: 37,5 pontos, 8,0 rebotes, 7,4 assistências e 2,3 roubadas por jogo. Austin Reaves somava 21,5 pontos e 5,8 assistências por jogo como segundo comandante. E James, na 23ª temporada da carreira, virou um dos melhores coadjuvantes da liga, com 18,5 pontos, 7,0 assistências e 56,2% de aproveitamento de quadra.
Tudo aquilo era fruto de uma conversa dura. Em fevereiro, Redick chamou os três pra alinhar a nova hierarquia: James precisaria recuar, Reaves precisaria avançar e Doncic precisaria assumir o comando. A palavra que o técnico mais repetiu nas reuniões, segundo fontes do time, foi “empatia”. A transição funcionou melhor do que se imaginava. James se moldou ao backcourt, e o ataque do time virou um dos mais letais da liga.
A estratégia custou caro. No dia 2 de abril, contra o Thunder, Doncic e Reaves se machucaram ainda no primeiro tempo. Doncic sentiu o posterior, Reaves uma fissura nas costelas. O Lakers perdia por 31 no intervalo. Os dois pediram pra voltar pro segundo tempo, convictos de que a virada era possível. A aposta cobrou: Doncic não jogou mais na temporada, e Reaves só voltaria no fim dos playoffs.
“Não somos bons o suficiente”: a admissão de Redick
O Thunder fechou simbolicamente, e oficialmente, a temporada do Lakers. Os dois encontros funcionaram como espelho da distância real entre as franquias. Na temporada regular, foram 11 vitórias de vantagem do líder do Oeste. Nos playoffs, 64 pontos de diferença acumulada num 4 a 0 conquistado sem Jalen Williams.
“Acredito em continuidade, mas se você está tentando ganhar um campeonato com essa organização, e estamos tentando ganhar um campeonato, precisa ser realista e avaliar onde está. E não somos bons o suficiente agora”, disse Redick. A frase virou a tese do offseason.
Uma fonte do vestiário foi ainda mais direta, segundo reportagem do The Athletic: “A gente simplesmente não tem jogadores bons o bastante”. O time terminou com 53 vitórias, a melhor marca desde 2010-11 fora do título encurtado de 2020, mas a distância pro topo do Oeste ficou exposta.
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Doncic veta Reaves em troca por Giannis
O nome mais decisivo da agenda do Lakers, depois de Doncic, é Reaves. Ele deve recusar a opção de jogador e se tornar agente livre irrestrito. Executivos rivais projetam ofertas de até US$ 40 milhões por temporada, sustentadas pela combinação de produção, idade e a fraqueza histórica da classe de free agents de 2026.
Doncic deixou claro à diretoria que quer continuar jogando com Reaves, segundo fontes da liga. Mais do que isso: disse que não quer ver o companheiro incluído em qualquer pacote por Giannis Antetokounmpo, do Bucks. O Lakers tende a explorar o cenário Antetokounmpo no verão, mas remover Reaves do pacote complica negociações, já que a franquia tem apenas três escolhas de primeira rodada, uma de segunda, swaps e poucos jovens valorizados no mercado.
Reaves vem de duas temporadas com 21,5 pontos, 5,7 assistências e 4,6 rebotes em pelo menos 100 jogos. Os únicos jogadores que repetem esses números no mesmo recorte são Shai Gilgeous-Alexander, Nikola Jokic, Antetokounmpo, James Harden, Cade Cunningham, LaMelo Ball, Doncic e James. Bulls e Nets, com folga de cap, são as ameaças mais concretas. Jazz e Hawks demonstraram interesse, mas precisariam mexer no elenco pra abrir espaço.
A encruzilhada de LeBron James
Mais delicada é a equação com James. Aos 41 anos, na 23ª temporada da carreira, ele provou que ainda é peça vencedora. Aceitou virar coadjuvante depois da conversa com Redick, foi escolhido pra mais um All-Star e deixou pra trás qualquer suspeita sobre disposição de se sacrificar pelo coletivo.
O ponto sensível é o salário. Em todos os 23 anos de NBA, o contrato de LeBron aumentou. Esse ciclo deve quebrar pela primeira vez no verão. Sobre o futuro, ele evitou cravar: “Não sei o que o futuro me reserva. Vou processar tudo nas próximas semanas”. Rob Pelinka e Jeanie Buss seguem desejando que LeBron encerre a carreira no Lakers, mas Warriors e Cavaliers podem tentar atrair o maior cestinha da história em busca de uma janela imediata.
Se LeBron sair, o Lakers pode chegar perto de US$ 50 milhões em espaço salarial ao abrir mão dos direitos Bird dele e de Rui Hachimura. O ala japonês, que acertou 44,3% dos arremessos de três neste ano, é tratado como prioridade pra renovação. Luke Kennard, contratado na trade deadline, virou peça da fase mais consistente da temporada, o que reforçou a leitura interna: Doncic precisa de mais arremessadores ao redor.
A nova era Walter e o relógio que corre
O contexto extra-quadra também mudou. A família Buss vendeu o controle por US$ 10 bilhões pra Mark Walter, dono dos Dodgers, e a engrenagem operacional já começou a se reconfigurar. Doncic mantém contato regular com Walter e demonstrou aprovar o nível de comunicação, segundo fontes da liga. Pelinka tem se reunido com Andrew Friedman, presidente de beisebol dos Dodgers, e Farhan Zaidi, conselheiro especial dos Dodgers, virou presença frequente no centro de treinamento.
A receita extra deve financiar reforço em scouting profissional, área que o Lakers não tinha desde 2019, além de departamentos de personnel e medicina. Pelinka deve contratar pelo menos um assistente de gerente geral. No mercado, o time mira pivôs lob threats no estilo de Daniel Gafford e Dereck Lively II (com histórico de saúde mais limpo), alas com perfil two-way e bom arremesso, e um armador secundário que dê descanso ao croata na criação. Pelicans e nomes como Trey Murphy III e Herb Jones já foram observados.
“O Lakers está correndo contra o tempo”, resumiu uma fonte da liga ouvida pelo Athletic. Doncic já começou a mesma dieta rigorosa que o transformou no verão passado e está sem dores no posterior, sinal positivo pra preparação. A franquia tem agora a primeira janela real pra montar o elenco completo no padrão que prometeu ao croata quando ele assinou a extensão: réplicas, se não versões melhoradas, do time equilibrado com o qual chegou às finais de 2024 em Dallas. Se errar, a fila do Oeste, com Thunder e Spurs no topo, não vai esperar.