O Lakers chega ao recesso com cap space projetado em dezenas de milhões de dólares, mas o caminho para reformular o elenco em torno de Luka Doncic deve passar muito mais pelo mercado de trocas do que pela agência livre. A franquia tem três picks de primeira rodada negociáveis e dois alvos já mapeados em New Orleans.

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Resumo rápido
  • Lakers tem três picks de primeira rodada negociáveis: 2026 (No. 25), 2031 e 2033.
  • Trey Murphy III e Herb Jones, alas do Pelicans, estão no radar da diretoria.
  • LeBron James, Rui Hachimura, Luke Kennard e Jaxson Hayes vão à agência livre.
  • Austin Reaves deve recusar a player option e testar o mercado em 2026.
  • Free agency da NBA 2025-26 é considerada fraca, com muitos restricted free agents.

Por que a agência livre não resolve o problema do Lakers

O cardápio de free agents da NBA 2025-26 não anima quem precisa de reforço imediato. A lista de nomes capazes de mover o ponteiro é curta, e boa parte deles entra no mercado como restricted free agents, o que significa que o time atual tem o direito de cobrir qualquer proposta. Para o Lakers, perseguir um nome marcado por outra franquia vira exercício de pagar caro por uma janela que pode fechar antes da assinatura.

O perfil que a diretoria persegue também não é abundante. Segundo a reportagem do The Athletic, assinada por Dan Woike e Sam Amick, o foco está em alas atléticas capazes de defender duas posições e em pivôs produtivos com pegada defensiva. É a combinação clássica que sustenta times competitivos no Oeste, e é o que falta na rotação atual.

O cofre de trocas: 2026, 2031 e 2033

A boa notícia é que Doncic chegou a Los Angeles com um efeito colateral feliz para a engenharia de elenco: a franquia voltou a controlar parte do próprio futuro. O Lakers pode movimentar três picks de primeira rodada em pacotes de troca, com pesos diferentes em cada uma delas.

“Fontes da liga e do próprio time afirmam que esperam o Lakers atacando o mercado de trocas”, escreveram Woike e Amick. “A franquia pode movimentar as picks de primeira rodada de 2031 e 2033, além da escolha número 25 do Draft de 2026.”

São três fichas com prazo e valor distintos. O número 25 deste ano é um ativo de curtíssimo prazo, útil em troca por jogador pronto. As picks de 2031 e 2033 carregam o que o mercado chama de “dark pick” valor: ninguém sabe onde o Lakers estará daqui a cinco ou sete temporadas, e essa incerteza é exatamente o que adversários querem na mesa. A Stepien Rule, que proíbe um time de ficar sem pick de primeira rodada em dois drafts consecutivos, segue como o teto natural de qualquer pacote, mas o Lakers ainda tem margem para empilhar duas picks em uma mesma operação.

Murphy III e Herb Jones: as duas pontas que combinam com Doncic

Os nomes vazaram. “O Lakers já demonstrou interesse pelos alas Trey Murphy III e Herb Jones, do New Orleans, mas o Pelicans ainda não sinalizou se algum dos dois está, de fato, disponível”, informou o The Athletic.

A escolha não é aleatória. Murphy III e Jones ocupam exatamente o slot de ala 3 e D que o time precisa para liberar Doncic do peso defensivo perimetral. Um deles entrega tiro de três pontos e atletismo na transição; o outro, defesa de perímetro de nível All-Defensive. Em qualquer combinação, o Lakers ganha duas posições e meia de cobertura no lado defensivo, justamente onde a campanha 2025-26 cobrou o preço mais alto.

O problema é que New Orleans não precisa vender. Nenhum dos dois tem contrato vencendo, nenhum dos dois pediu saída pública, e a franquia da Louisiana ainda processa uma temporada irregular. O preço para destravar a conversa vai muito além do número 25.

O fator Doncic e a urgência calculada

“Ainda assim, existe a confiança interna de que os caminhos para otimizar o elenco em torno de Doncic vão aparecer”, registrou o jornal. A frase parece otimista, mas carrega o subtexto que os torcedores do Lakers já reconhecem: a diretoria fala em movimento, e a temporada termina, recorrentemente, sem grande movimento.

O histórico recente é desconfortável. Off-seasons e deadlines passaram com promessa de reforço estrutural e entregaram, no máximo, ajuste de margem. A diferença agora é que a janela com Doncic em prime tem prazo de validade, e ele já está rodando. Cada ano sem upgrade significativo é um ano descontado de uma janela que não é eterna.

Os free agents da casa e o efeito dominó

O quadro de free agency da própria casa complica a equação. LeBron James, Rui Hachimura, Luke Kennard e Jaxson Hayes encerram contrato em 2026 e vão ao mercado. Austin Reaves deve declinar a player option e fazer o mesmo. Marcus Smart e Deandre Ayton têm a opção de testar a free agency, e o movimento dos dois cria efeito cascata no cap, conforme registros públicos do Spotrac.

É aí que entra a carta que ninguém quer usar mas que pode acabar sendo usada: sign-and-trade com Reaves ou Hachimura. Fora das picks, o Lakers não tem capital de troca expressivo no elenco. Se o pacote por Murphy III ou Jones exigir um jogador, a lista curta passa por esses dois nomes. É decisão pesada, porque mexe na continuidade de quem performou no ano de Doncic.

O calendário começa a apertar a partir da última semana de junho, quando a janela formal de free agency abre e as trocas pré-draft ganham tração. Os alvos estão mapeados, o cofre tem munição, o histórico recente cobra entrega. Falta o gatilho.