Quando o Lakers contratou Marcus Smart, depois da rescisão acordada com o Washington Wizards, o movimento foi recebido com desconfiança em parte de muitos. O argumento era simples. Smart vinha de duas temporadas marcadas por lesões e oscilação, e havia dúvidas sobre o quanto ainda poderia oferecer. O Lakers fechou contrato de dois anos e US$ 11 milhões, com opção do jogador para a segunda temporada. Um ano depois, o cenário é exatamente o oposto. A franquia quer manter o veterano no elenco para a temporada 2026-27, e o próprio jogador chega a essa offseason como um dos nomes mais decisivos para o desenho da rotação.
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Lakers quer manter Smart
Em publicação assinada por Dan Woike e Sam Amick, do The Athletic, o cenário foi resumido com clareza. Smart, recrutado por Luka Doncic na agência livre do verão passado, pode optar por declinar a opção do contrato atual em busca de um vínculo mais longo no mercado. O Lakers, segundo o site, tem interesse em mantê-lo no elenco. Dois lados em sintonia, com o ponto central da conversa em torno do tempo de contrato e do valor envolvido.
A leitura é coerente com tudo que o veterano entregou nesta temporada. Não é o tipo de jogador que precisa de prova adicional. O Defensor do Ano em 2022 cumpriu o papel à risca em uma equipe que enfrentou cenário de lesões em série e ainda assim terminou a temporada regular como o quarto melhor time da Conferência Oeste, com 53 vitórias e 29 derrotas. Foi também peça fundamental na vitória sobre o Houston Rockets na primeira rodada dos playoffs.
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Os números da temporada
Aos 32 anos, Smart entregou números modestos no estilo, mas grandes no impacto. Na temporada regular, foram médias de 9,3 pontos, 2,8 rebotes, três assistências e 1,4 roubada de bola por jogo, em 62 partidas disputadas, sendo 54 delas como titular. Nos playoffs, o desempenho cresceu em quase todas as colunas. As médias foram para 12,9 pontos, 3,5 rebotes, 5,1 assistências e 2,4 roubadas por jogo. Esses números, considerados o contexto da rotação do Lakers ao longo da temporada, mostram um jogador acima da expectativa que muitos faziam quando foi contratado.
A semifinal contra o Oklahoma City Thunder destacou ainda outro ponto. Smart passou trechos significativos da série como marcador principal de Shai Gilgeous-Alexander, atual MVP da NBA, e foi um dos poucos jogadores do Lakers que cumpriu o trabalho defensivo da forma esperada. Em uma série em que o Thunder venceu por 4 a 0, o desempenho do veterano nesse aspecto sobressaiu mesmo na queda.
Por que o Lakers quer mantê-lo
O encaixe é claro. O Lakers tem demanda específica por defensores positivos e jogadores de dupla função. Smart se enquadra com folga nas duas frentes. Não é um arremessador eficiente do perímetro, e essa é uma fragilidade conhecida, mas a defesa em alto nível, o controle do ataque como segunda opção de criação e a experiência de quem viveu múltiplas séries de playoffs compensam o ponto fraco com folga.
É o tipo de jogador que serve como espinha de uma rotação que precisa estar pronta para mais cenários de adversidade em uma franquia construída em torno de Doncic, LeBron James e a estrutura ofensiva já consolidada. Som a o fato de que Smart é nome respeitado dentro do vestiário, com voz ativa em situações de pressão, e a peça ganha valor de utilidade ainda maior.
O elo com Doncic
Outro detalhe que pesa nessa negociação está fora dos números. Smart foi recrutado por Doncic, pessoalmente, na agência livre do ano passado. A conexão entre os dois passou por treinos, conversas e, principalmente, pela leitura ofensiva. Smart conseguiu cumprir o papel de armador secundário sempre que Doncic precisou descansar ou enfrentou marcação dobrada. Em uma franquia que tem dito, de forma clara, que vai construir o elenco em torno do esloveno, manter um companheiro de jogo que ele mesmo escolheu como parceiro é peça quase natural.
Vale lembrar que o The Athletic também publicou recentemente que Doncic se posicionou contra a possibilidade de troca de Austin Reaves por Giannis Antetokounmpo, em outra demonstração de como o esloveno tem influenciado nos rumos do elenco. A continuidade de Smart entra em linha com essa lógica.
O que vem agora
A janela da agência livre da NBA se aproxima, e a decisão de Smart sobre a opção do contrato é uma das primeiras peças do quebra-cabeça do verão americano para o Lakers. Caso o veterano opte por declinar e ir ao mercado, a expectativa é que a franquia entre na disputa com proposta mais longa, possivelmente de dois ou três anos, ainda que com valor anual próximo ao contrato atual. Caso decida exercer a opção, segue na lista de quem volta com a camisa do Lakers para a temporada 2026-27.
Em qualquer dos cenários, o sentido é o mesmo. Smart entrou no Lakers como aposta de baixo custo e termina o primeiro ano de contrato como peça que a diretoria quer ver de volta. Para a equipe que se prepara para abrir uma nova janela de competitividade ao lado de Doncic, é o tipo de continuidade que vale o investimento.