Tem uma frase que vai ecoar depois dessa série. Ela foi dita por Shai Gilgeous-Alexander, atual MVP da NBA, depois da vitória do Oklahoma City Thunder no Jogo 2 da semifinal da Conferência Oeste, em Oklahoma, na noite desta quinta-feira. O time da casa abriu 2 a 0 no confronto contra o Lakers, e o canadense traduziu, em uma só fala, o que vinha incomodando o time de JJ Redick desde a abertura da série: a fisicalidade.

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O que disse Shai Gilgeous-Alexander

Enquanto o técnico Mark Daigneault preferiu apontar declarações diretas sobre a arbitragem em coletiva, o astro canadense optou pelo caminho que o jogo dele tem ensinado nesta temporada. Foi cirúrgico. Ao falar sobre a vitória, Shai foi categórico ao explicar a essência do que aconteceu nas duas primeiras partidas. A maneira como o basquete funciona, segundo ele, costuma favorecer o time mais físico, aquele que impõe a própria vontade. Foi assim que o Thunder venceu o Jogo 1, foi assim que o Thunder venceu o Jogo 2, com destaque para o segundo tempo. Não falou em apito. Falou em postura.

O que isso significa na prática

O recado, sutil ou nem tanto, expõe a leitura do jogo do atual campeão da NBA. O Thunder dita ritmo desde o aquecimento. Aproxima a defesa, aperta a linha de passe, vai ao chão atrás de bola dividida, contesta cada infiltração com mais um cara. Quando o Lakers reage, o Thunder responde com mais um cara. É um time fisicamente pronto para uma série de playoffs, e que conta com isso para ganhar séries de playoffs. A fala de Shai expõe um diagnóstico do que o Lakers ainda não conseguiu mudar. Recebem o tom, não impõem.

Vale lembrar que o Lakers reclamou abertamente de arbitragem após o Jogo 2. Reaves discutiu com o árbitro John Goble, JJ Redick foi duro em coletiva sobre o tratamento ao apito de LeBron James e o vestiário foi unânime no descontentamento. A leitura de Shai veio em outra direção. O recado é claro. Antes de discutir o que o árbitro está apitando, há o que o time precisa entregar em quadra.

O Jogo 2 do canadense

Shai não fez uma noite tranquila. Recebeu sua quarta falta pessoal ainda no terceiro quarto, incluindo uma falta antidesportiva tipo 1, e precisou ser usado com critério por Daigneault. Ainda assim, voltou para o quarto período no momento em que o Thunder precisava fechar a partida e cumpriu o roteiro. Terminou com 22 pontos em 7 de 13 nos arremessos, sem precisar de volume. Chet Holmgren entregou outros 22 pontos, nove rebotes, quatro roubadas e dois tocos, em uma das atuações mais completas do atual campeão da NBA na pós-temporada.

Os números dos dois pintam o retrato do que vem depois da fala. O Thunder não dependeu do volume de Shai para vencer porque a defesa coletiva fez parte do trabalho. E isso, para o Lakers, é o detalhe mais difícil de resolver na série. Shai não joga sozinho. O time inteiro joga em torno do conceito de pressão.

O que muda para o Jogo 3 em Los Angeles

O Lakers volta para casa neste sábado precisando vencer no Crypto Arena para sustentar a série até o meio da próxima semana. A fala de Shai se transforma, automaticamente, em desafio. Se o time mais físico ganha, o Lakers tem que entrar mais físico. Empurrar primeiro, contestar primeiro, decidir o tom de cada posse. Sem Doncic, sem Vanderbilt, com Reaves ainda recuperando ritmo, vai exigir um tipo de coletivo que o time entregou nos jogos finais contra o Rockets, mas em outro patamar de exigência.

O atual campeão jogou cartas. Disse o que pensa, do jeito que pensa. O Lakers ouviu. Agora precisa reagir.