Mais uma vez o Lakers chega aos playoffs com perguntas em aberto, e o Jogo 1 contra o Thunder em Oklahoma só acentuou as dúvidas. A derrota por 108 a 90 expôs limitações que vinham sendo empurradas com a barriga desde a temporada regular: rotação curta, dependência excessiva de LeBron James e Luka Doncic (que nem está disponível), e a urgência de uma noite de Austin Reaves em nível de All-Star que simplesmente não veio. Neste texto, o foco é outro: o que o Lakers pode fazer para mudar seu comportamento para o jogo 2.

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Durante o jogo 1, o Lakers chegou a encurtar a diferença para um dígito várias vezes. Toda vez, o Thunder respondeu na sequência. O time da casa não só tinha solução para o que o Lakers propunha, como teve nomes diferentes assumindo o protagonismo a cada quarto. Para piorar, o Lakers ainda perdeu Jarred Vanderbilt para o restante da partida no segundo período, e agora precisa redesenhar a rotação no banco. A seguir, três pontos que ficaram da noite.

O dilema Austin Reaves

Austin Reaves foi mal. Não há debate sobre isso. Foi uma das piores atuações de um Laker em playoffs em décadas. Mas é uma situação com camadas.

Para começar, o Lakers não tem como ganhar essa série se Reaves não jogar em nível de All-Star. Em boa parte do Jogo 1, o time se manteve perto do placar mesmo com Reaves entregando uma das piores performances da carreira. Uma noite mediana dele já teria deixado a partida muito mais aberta no quarto período.

Por outro lado, dá para entender o que se passa. Reaves voltou da lesão direto para dois jogos decisivos contra o Rockets e, na sequência, encarou a defesa do atual campeão da NBA. Não é o cenário ideal para recuperar ritmo. Mesmo saudável, Reaves já vinha sofrendo contra esse time. Em três jogos da temporada regular, acertou 42,9% dos arremessos de quadra, apenas 23,1% de três e cometeu praticamente o mesmo número de turnovers (14) que conseguiu cestas convertidas (15). O Lakers precisa de mais. Pedir muito? Sim. Mas sem isso, a série será curta.

Faltam soldados ao redor de LeBron

LeBron James foi o melhor em quadra do início ao fim. Entrou agressivo, ajudou o Lakers a abrir vantagem inicial e fechou com 27 pontos em 12 de 17 de quadra.

Rui Hachimura somou 18 pontos em 7 de 13 nos arremessos, com 3 de 6 da linha de três. Foi o 12º jogo seguido em que ele acerta mais de 50% das tentativas atrás da linha. O ala japonês cresce na pós-temporada de forma consistente.

O problema é o que vem depois deles. Deandre Ayton ficou nos 27 minutos por causa de problemas com faltas, somou 10 pontos e teve atuação correta sem brilho. Reaves, como falei, ficou muito longe da própria média. Marcus Smart foi a 4 de 15 nos arremessos. Não tem como sustentar uma série de playoffs assim. O banco do Lakers, problema crônico da temporada inteira, voltou a aparecer pouco. Quando Hachimura virou sexto homem, em determinado trecho do calendário regular, o time teve produção mínima dos reservas, mas no quinteto inicial atual, a profundidade segue como ponto frágil.

O contraste com o Thunder é gritante. O time de Mark Daigneault parece ter um suprimento infinito de role players prontos para aparecer. O Lakers tentou dificultar a vida de Shai Gilgeous-Alexander e viu Chet Holmgren chegar aos 24 pontos, Ajay Mitchell anotar 18 e Jared McCain somar 12. Alex Caruso, Isaiah Hartenstein e Lu Dort tiveram momentos importantes. A diferença não é pequena.

Hora de mexer na rotação

Não dá para reagir em excesso a um único jogo, mas o problema do banco do Lakers não é exclusivo do Jogo 1. Vem de antes. A posição de Jaxson Hayes como pivô reserva está consolidada, mas Luke Kennard chega ao quarto jogo seguido com sete pontos ou menos. Jake LaRavia teve um bom Jogo 6 contra o Rockets, mas no geral tem sofrido nos playoffs, principalmente no ataque. E agora Vanderbilt deve perder ao menos algumas partidas.

JJ Redick precisa testar combinações. Bronny James entregou bons minutos contra o Rockets. Maxi Kleber pode ocupar o espaço de Vanderbilt e abrir um visual com dois pivôs em quadra. Para apostas mais ousadas, Adou Thiero é o único outro ala atlético no banco. Nick Smith Jr. pode ganhar tempo de quadra para testar se a mão está aquecida. O Lakers já passou de quatro jogos seguidos sem chegar aos 100 pontos. Em três deles, derrota. Insistir na mesma rotação esperando resultado diferente não é caminho.

O que vem agora

O Jogo 2 acontece nesta quinta-feira, 7 de maio, ainda em Oklahoma. Antes da bola subir, o Lakers terá que olhar com sinceridade para tudo o que aconteceu nesta terça. Reaves precisa subir o nível. O banco precisa entregar algo. A rotação pode mudar. Tem peças. Tem 48 minutos para reorganizar tudo.