Austin Reaves entra em 2026-27 como a segunda estrela do Lakers, sem LeBron James para dividir a bola e com um contrato de quatro anos para justificar. O melhor retrato do que o time espera dele saiu em outubro do ano passado, quando ele fez 28,8 pontos por jogo.

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Resumo rápido
US$ 185 mi
A extensão de quatro anos, a maior já dada a um jogador que não foi escolhido no draft.
13 a 3
Campanha do Lakers nos 16 jogos que ele disputou em outubro e novembro, com 28,8 pontos de média.
2 lesões
Panturrilha em dezembro e oblíquo em abril, no ano em que ele mais carregou o ataque.
37º
Posição dele no ranking dos cem melhores da ESPN, 23 lugares acima de 2025.

O mês que serve de modelo

Para saber que Reaves o Lakers comprou, a melhor pista está no começo da temporada passada. Em outubro e novembro, ele jogou 16 das 19 partidas do time e teve médias de 28,8 pontos, 6,8 assistências e 5,8 rebotes, acertando 52,2% dos arremessos de quadra e 36,1% das bolas de três. Foi para a linha de lance livre mais de sete vezes por jogo e converteu quase 88%. O Lakers ganhou 13 desses 16 jogos.

O detalhe que faz desse trecho um modelo é a escalação. LeBron jogou só quatro daquelas partidas, e Doncic esteve em 13. Na prática, Reaves foi a segunda opção de um ataque montado em volta dele e do esloveno, que é exatamente o papel que ele assume agora. Foi nesse período que ele marcou 51 pontos contra o Kings, o recorde da carreira, e entrou nas conversas de All-Star e de time ideal da liga.

Do banco à segunda opção

A história dele no Lakers é de subida constante. Reaves chegou em 2021 sem ser escolhido no draft, com contrato de mão dupla, e ganhou espaço pela defesa e pela entrega. A média de pontos cresceu em todas as temporadas desde então, e em 2025-26 ele já aparecia à frente de LeBron na hierarquia do ataque.

Cinco temporadas de Reaves
A média de pontos subiu em todas elas, sempre pelo Lakers
2021-22
Contrato de mão dupla, depois convertido
Pontos por jogo
7,3
2022-23
Primeira vez acima de dez pontos
Pontos por jogo
13,0
2023-24
82 jogos, 57 como titular
Pontos por jogo
15,9
2024-25
Titular nos 73 jogos que disputou
Pontos por jogo
20,2
2025-26
Segunda opção, em 51 jogos
Pontos por jogo
23,3
Temporada regular. Fonte: ESPN.

A ESPN registrou a subida no ranking que fechou nesta quinta: ele foi do 60º para o 37º lugar entre os cem melhores da liga. É a mesma série de prévias por jogador em que olhamos a aposta do Lakers em Walker Kessler, e o peso agora é outro: Kessler precisa se firmar, Reaves precisa confirmar.

O corpo é a primeira dúvida

O cenário ruim para Reaves passa pela saúde. Na temporada em que mais carregou a criação de jogadas, ele teve duas lesões musculares: na panturrilha, em dezembro, e no oblíquo, em abril. A segunda, somada à lesão de Doncic, ajudou a derrubar o Lakers nos playoffs. Ele terminou com 51 jogos, 23,3 pontos e 5,5 assistências de média.

Darius Soriano, do Silver Screen and Roll, não acha coincidência. Na leitura dele, o volume de jogo da temporada passada cobrou do corpo, e a carga de 2026-27 tende a ser parecida, agora sem um terceiro criador para dividir o peso. Ele aponta ainda um risco mais sutil: Reaves não é um atleta que se impõe no físico, e o jogo dele depende de tudo funcionar junto. Se a bola de três depois do drible cair menos, se a arbitragem der menos faltas ou se o pick and roll com Kessler demorar a encaixar, ele vira um pontuador de menos volume, com um contrato que pesa mais a cada jogo ruim.

Um líder que fala pouco

Fora da quadra, o papel também mudou. Reaves é hoje o jogador há mais tempo no elenco e virou referência para JJ Redick e para os reforços. Collin Sexton, que ainda nem jogou ao lado dele, descreveu o companheiro em vídeo divulgado pelo time: “Todo dia, quando está no ginásio, ele chega pronto para trabalhar. Não reclama de nada. É um dos líderes do time.”

Soriano o descreve como uma referência de cultura para Redick: alguém que passou a ganhar como estrela sem largar os hábitos de jogador de rotação. Para um elenco com nove caras novas, isso pesa tanto quanto os pontos. É ele quem conhece o sistema, as cobranças do técnico e o que a torcida espera de quem veste essa camisa todas as noites.

O Lakers apostou alto que o Reaves de outubro não foi um mês de sorte, e sim o começo do jogador que ele vai ser daqui em diante. Até agora, a cada responsabilidade nova que recebeu, ele respondeu com uma temporada melhor que a anterior. A diferença é que, desta vez, o preço da resposta já está assinado.