Walker Kessler custou ao Lakers quatro ativos de Draft e um contrato de quatro anos. Por isso ele chega como o jogador com mais a provar no time. O acordo é de 130 milhões de dólares, e a aposta não foi no pivô que ele é hoje, e sim no que ele pode virar ao lado de Luka Doncic.
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A conta que já está paga
O Lakers não contratou Kessler, comprou Kessler. Na troca com assinatura fechada em julho, o Utah recebeu escolhas de primeira rodada sem proteção em 2031 e 2033 e o direito de trocar posição de escolha em 2028 e 2030. São quatro ativos de Draft por um pivô de 25 anos.
O efeito colateral aparece agora, na véspera da temporada. Quando surge um nome interessante no mercado, o time descobre que não tem mais com o que pagar. Sobrou uma primeira rodada em 2032 e três segundas. Quem gastou o cofre inteiro em uma posição precisa que aquela posição funcione.
É daí que sai a frase de Jacob Rude, do Silver Screen and Roll, ao abrir a coluna dele sobre o pivô: ninguém no elenco tem mais pressão para render nesta temporada. Não é elogio nem crítica, é aritmética.
O melhor cenário mora na defesa
A última temporada cheia de Kessler foi 2024-25, e ela explica o entusiasmo. Foram 58 jogos, 12,2 rebotes e 30 minutos por noite em um time que não disputava nada. Entre os jogadores com 50 partidas ou mais, ele terminou aquele ano em primeiro na NBA em duas estatísticas: 2,4 tocos e 4,6 rebotes ofensivos por jogo.
Não é liderança apertada. Em tocos ele ficou à frente de Anthony Davis, que fez 2,2. Em rebote ofensivo, a distância para Domantas Sabonis e Ivica Zubac, os segundos colocados com 3,8, é de quase um rebote inteiro por jogo.
É exatamente o que faltava. Nas duas últimas temporadas o Lakers precisou improvisar na defesa, com zona e troca constante, porque não tinha quem segurasse o garrafão sozinho. Com um protetor de aro de verdade, JJ Redick ganha margem de erro: dá para pressionar a bola no perímetro sabendo que existe alguém atrás.
O pior cenário mora no pick and roll
O outro lado da moeda também é concreto. Kessler não finaliza acima do aro e a atleticidade dele é limitada para o padrão da posição. Ele converte bem o que aparece perto da cesta, mas não é o tipo de pivô que transforma passe torto em enterrada.
Isso importa porque o ataque do Lakers nasce do pick and roll de Doncic. O precedente incomoda: na temporada passada, Deandre Ayton teve momentos de acerto e nunca chegou a uma sociedade estável com o armador. Se a mesma coisa se repetir, o time terá pago quatro ativos para reencontrar o problema que queria resolver.
E existe o salto de contexto. Kessler saiu de uma franquia organizada para perder jogos e caiu no lugar onde cada derrota vira assunto nacional. Nada disso aparece em estatística, e todo ano derruba alguém.
O risco que não depende dele
O terceiro cenário é o mais simples de descrever e o mais difícil de controlar. A temporada passada de Kessler durou cinco jogos, interrompida por problema no ombro. A anterior teve 58 partidas, com desfalques na reta final. O histórico recente dele é curto o bastante para preocupar.
Existe um piso, e ele é razoável. Mesmo em uma temporada mediana, Kessler estabiliza a defesa e libera o resto do elenco principal para arriscar mais. E no ataque, Doncic tem um histórico longo de fazer qualquer pivô parecer melhor do que é, desde que a química apareça.
O que dá para cobrar em outubro
A diferença entre Kessler e os outros reforços é o tamanho da fatura. Sandro Mamukelashvili, Collin Sexton e Quentin Grimes chegaram por um preço que o time absorve se der errado. O pivô, não.
Por isso a temporada dele não se mede em média de pontos. Mede-se em quantos jogos ele consegue ficar em quadra, em quanto a defesa melhora com ele dentro e em quanto tempo leva até a bola alta virar rotina entre ele e Doncic. A resposta começa a aparecer em 21 de outubro, e ela já está comprada e paga.