O Utah renovou com Keyonte George por cinco anos, e o valor do acordo explica melhor o contrato de Walker Kessler no Lakers do que o total. Ele recusou cinco anos e 140 milhões de dólares em Utah para assinar quatro anos e 130 milhões em Los Angeles. Não foi dinheiro a menos, foi um ano a menos.
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O que o Utah fez em setembro
Em 18 de setembro o Jazz estendeu o contrato do armador Keyonte George por cinco temporadas, em um acordo que chega a 157,5 milhões de dólares com os bônus incluídos. São 500 mil por temporada em metas, 2,5 milhões no total. A informação foi publicada por Shams Charania e Tim MacMahon, da ESPN, e os bônus foram detalhados depois por Jake Fischer.
Sem os bônus, a média fica em cerca de 31 milhões por temporada. Com eles, em 31,5 milhões. Guarde esse número, porque ele é a régua que faltava para ler o que aconteceu com o pivô alguns meses antes.
Por que o total engana
O Utah tinha oferecido a Kessler algo em torno de cinco anos e 140 milhões de dólares, conforme publicou o Roundtable Sports. Ele recusou e foi para o mercado. Acabou no Lakers, em uma troca com assinatura, por quatro anos e 130 milhões.
Posto assim, parece que ele deixou dez milhões na mesa. Não deixou. Os dois contratos não se comparam pelo total, porque não têm o mesmo número de temporadas.
A oferta do Utah dava 28 milhões por temporada. O contrato do Lakers dá 32,5 milhões. São 4,5 milhões a mais por ano, todo ano, pelo preço de abrir mão da quinta temporada. Quem faz essa troca não está perdendo dinheiro, está comprando tempo.
O que o quarto ano compra
A conta de um jogador jovem quase nunca é sobre o total do contrato atual. É sobre quando ele consegue assinar o próximo. Terminando o acordo um ano antes, Kessler chega de novo ao mercado um ano mais cedo, ainda na faixa de idade em que pivô recebe contrato longo.
O acordo dele em Los Angeles ainda traz opção do jogador na quarta temporada e cláusula integral de compensação em caso de troca. As duas coisas puxam na mesma direção: quem decide o que acontece no fim é ele, não o time.
E é aqui que a extensão de George fecha o raciocínio. O Utah acabou pagando ao armador dele quase a mesma média anual que não quis pagar ao pivô. A diferença entre as duas contas é de um milhão por temporada, e o time ficou com o armador.
O que o Utah levou na troca
A saída não foi de graça para o Lakers. Na troca com assinatura, o Utah recebeu escolhas de primeira rodada sem proteção em 2031 e 2033, mais direito de trocar posição de escolha em 2028 e 2030. Quatro ativos de Draft por um pivô de 25 anos.
É o tipo de conta que só se fecha no fim. Se Kessler se firmar como pivô titular de time de playoffs, o elenco principal resolveu por quatro temporadas a posição que mais incomodava. Se o ombro voltar a ser problema, o Utah terá levado quatro escolhas por um risco que ele mesmo não quis correr pelo preço cheio.
A régua que sobra
O contrato de setembro não muda nada do que já estava assinado em julho. Muda o que dá para dizer sobre ele com segurança.
Até a semana passada, defender o valor pago pelo Lakers dependia de projeção. Agora depende de comparação: o próprio time que se recusou a pagar aquilo pelo pivô pagou quase o mesmo pelo armador, dois meses e meio depois. A conta do Lakers ficou mais fácil de explicar, e quem vai conferi-la é a temporada que começa em 21 de outubro.