A maior extensão já dada a um jogador não draftado é do Lakers: quatro anos e US$ 185 milhões para Austin Reaves. Dois meses depois, o contrato virou o nó do elenco, porque sem escolha de primeira rodada por sete anos ele é a única peça grande que o time pode mover, como escrevemos em junho.
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O contrato que ninguém discutia em junho
Quando a extensão saiu, no fim de junho, a leitura foi quase unânime e era favorável ao clube. Reaves tinha acabado de virar a segunda opção de ataque ao lado de Luka Doncic, o time precisava garantir que ele não testasse o mercado, e havia um cenário pior do que pagar caro, que era perdê-lo de graça.
Ele recusou uma opção de US$ 14,9 milhões para assinar. Segundo o Spotrac, o novo acordo soma US$ 184,7 milhões em quatro temporadas, todos garantidos, com média de US$ 46,2 milhões por ano e US$ 41,3 milhões já no primeiro. A última temporada, 2029-30, tem opção do jogador, ou seja, quem decide se fica é ele.
Aos 28 anos, é o pagamento mais alto da história para alguém que não foi escolhido no Draft. Reaves saiu de Wichita State e Oklahoma, passou em branco em 2021 e chegou a Los Angeles como agente livre não draftado.
O que o Lakers ganhou, e o que travou junto
Garantir Reaves resolveu a pergunta esportiva e criou uma contábil. Com Doncic em três anos e US$ 165 milhões e Walker Kessler em quatro anos e US$ 130 milhões, o clube tem cerca de US$ 480 milhões comprometidos com três jogadores. Foi o que levou o time a estourar o limite salarial ainda em julho.
O detalhe que aperta não é o valor em si, é o que sobrou para negociar. O Lakers não tem escolha de primeira rodada disponível pelos próximos sete anos, todas comprometidas em negociações anteriores. Quando um time perde as fichas de draft, o que resta na mesa é jogador. E jogador grande, no elenco atual, são três: Doncic não sai, Kessler acabou de chegar e vem de cirurgia no ombro, e Reaves é o terceiro.
Nenhum não draftado jamais recebeu tanto
Vale medir o contrato contra a liga, e não só contra a folha do próprio Lakers. A lista dos maiores acordos já assinados por jogadores que passaram em branco no Draft mostra o tamanho do salto.
A barra conta metade da história. A outra metade aparece quando se divide o total pelos anos de cada acordo, porque contrato longo dilui e contrato curto concentra.
| Jogador | Anos | Total | Por ano |
|---|---|---|---|
| Austin Reaves | 4 | US$ 185 mi | US$ 46,2 mi |
| Fred VanVleet, 2023 | 3 | US$ 130 mi | US$ 43,3 mi |
| Naz Reid | 5 | US$ 125 mi | US$ 25 mi |
| Duncan Robinson | 5 | US$ 90 mi | US$ 18 mi |
| Fred VanVleet, 2020 | 4 | US$ 85 mi | US$ 21,3 mi |
Por ano, a distância para o VanVleet de 2023 encolhe bastante, de US$ 46,2 milhões para US$ 43,3 milhões. O que separa Reaves dos outros é o prazo: quatro temporadas cheias no topo da tabela salarial, e não duas ou três.
Por que ele é a única peça que se move
Aqui está o problema que a extensão criou. Um contrato de US$ 46 milhões por ano é preço de primeira opção, e Reaves é a segunda no ataque de Doncic. Isso não é crítica ao jogador, é aritmética de mercado: para outro time aceitar receber esse salário, precisa enxergar nele o papel que o Lakers não vai dar.
Ao mesmo tempo, é justamente o tamanho do contrato que o torna útil numa troca. Na NBA, salário se casa com salário, e quem quer receber uma estrela precisa mandar valor equivalente. Sem escolha de draft para completar pacote, o Lakers só chega em jogador grande usando Reaves como base. Zach Lowe já tinha apontado isso ao avaliar o preço pago em Kessler.
A extensão, então, faz as duas coisas ao mesmo tempo. Ela protege o time de perder o segundo melhor jogador de graça e reduz a lista de saídas a uma só. Contrato bom para segurar, contrato difícil de mover.
O que muda até outubro
No curto prazo, nada. Reaves abre a temporada como titular ao lado de Doncic, e nenhuma troca de peso costuma acontecer antes de a temporada rodar algumas semanas. A janela real de negociação aparece perto do prazo de trocas, em fevereiro, quando as equipes já sabem o que têm.
Até lá, o que decide o valor dele é a quadra. Se Reaves sustentar produção de segunda opção num time sem LeBron James, o contrato deixa de ser assunto. Se a produção cair com a bola concentrada em Doncic, o mesmo número que hoje parece caro passa a parecer impossível de mover.
É um contrato que o Lakers assinou pensando em três anos de janela e que já está sendo lido como se fosse uma dívida. A diferença entre as duas leituras não está na planilha. Está no que ele fizer a partir de 21 de outubro.