Austin Reaves admitiu nesta segunda (28), no Media Day do Lakers, que achou estranho todo o processo do contrato que assinou em julho e contou que deixou tudo nas mãos dos agentes. O armador disse que nunca pensou em sair e que só fechou quando apareceu um número bom para os dois lados.
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O que Reaves contou no Media Day
Reaves foi o primeiro a sentar diante dos microfones em El Segundo, e boa parte da conversa girou em torno da liderança sem LeBron. Quando a pergunta chegou ao contrato, ele não fez discurso de agradecimento. Preferiu a franqueza, e o tom foi mais de alívio do que de festa.
“Foi estranho, para ser sincero. Fico feliz que isso ficou para trás. É difícil, porque estou aqui há cinco anos e vou para o sexto. Aqui é a minha casa, eu quero estar aqui, e os dois lados queriam isso. A questão era descobrir o que era melhor para o time e, ao mesmo tempo, o que era melhor para mim.”
Austin Reaves, no Media Day do Lakers
A fala foi registrada por Jackson Frank, do Silver Screen and Roll. Logo depois, Reaves explicou que praticamente não participou das conversas: “Eu não falei muito. Meus agentes cuidaram de tudo. Fiquei fora do caminho e, quando chegou um número de que a gente gostou, aceitamos.” E fechou do jeito de quem nunca considerou outra camisa: “Meu coração sempre esteve aqui. Estou feliz de voltar.”
A mesma negociação, vista pelo Pelinka
O relato de Reaves ganha outro peso ao lado do que Rob Pelinka contou quatro dias antes. Na coletiva de quinta-feira (24), o presidente de operações de basquete revelou que ele e JJ Redick tiveram uma conversa séria com o armador antes da assinatura. O recado era sobre o que se espera de quem recebe salário de estrela: mais responsabilidade, mais voz no vestiário e uma lista de pontos para melhorar como líder.
Ou seja, enquanto os agentes discutiam valores, o Lakers usava a negociação para cobrar uma mudança de postura. Reaves não contou essa parte, mas também não a desmentiu. O que ele descreveu foi o incômodo de ver a relação com a franquia virar conta, mesmo quando todo mundo queria chegar ao mesmo lugar.
Por que um acordo tranquilo pareceu estranho
O desconforto tem explicação. Reaves chegou ao Lakers em 2021 sem ser escolhido no Draft e passou as cinco primeiras temporadas ganhando muito abaixo do que produzia. Para chegar a este contrato, ele recusou a opção de jogador que tinha para 2026-27, virou agente livre e viu o próprio nome circular em rumores com outros times, o Nets entre eles, segundo a Bleacher Report.
Para quem repete que Los Angeles é a casa dele, passar semanas como agente livre é justamente a parte estranha. O acordo saiu com quatro temporadas, US$ 184,7 milhões no total e opção de jogador no último ano. O salário da primeira temporada, de US$ 41,2 milhões, coloca Reaves entre os 40 mais bem pagos da liga. Nenhum jogador que entrou na NBA sem ser draftado recebeu tanto.
O número foi sustentado pela quadra. Em 2025-26, mesmo perdendo dois trechos longos da temporada por lesão, Reaves fez 23,3 pontos, 5,5 assistências e 4,7 rebotes por jogo em 51 partidas, a melhor média de pontos da carreira. Logo depois de assinar, em julho, ele já tinha falado em alívio. Agora, com o camp aberto, a palavra mudou para estranho, e as duas dizem a mesma coisa.
O que muda com o assunto encerrado
Sem contrato para discutir, sobra o trabalho que o próprio Pelinka desenhou. Com a saída de LeBron para o Sixers, Reaves virou o jogador há mais tempo no elenco e divide com Luka Doncic a responsabilidade de carregar o ataque. No resumo do Media Day, ele já tinha avisado que vai liderar do jeito dele, mais na conversa individual do que no discurso para o grupo.
A dupla com Doncic somou perto de 60 pontos por jogo na temporada passada, e o elenco de 2026-27 foi montado em volta dela. Por isso a franqueza sobre a negociação importa menos pelo passado e mais pelo que ela revela: Reaves quer que o assunto dinheiro saia da conversa para que só a quadra seja cobrada.
O primeiro teste dessa cobrança chega em 5 de outubro, contra o Kings, na abertura da pré-temporada. O contrato está assinado há quase três meses. A partir de agora, a pergunta que vão fazer a Reaves é outra, e ela não se responde com agente nenhum na sala.