Klay Thompson recusou o Lakers e assinou com o Heat por duas temporadas e US$ 11,5 milhões, com opção do jogador no segundo ano. Para chegar a Miami ele abriu mão de cerca de US$ 10 milhões, e quem contou o que pesou na escolha foi o próprio pai, no desfecho que já defendemos ser bom para Los Angeles.

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Resumo rápido
US$ 11,5 mi
Contrato de duas temporadas com o Heat, com opção do jogador no segundo ano.
US$ 9,8 mi
Valor que ele devolveu ao Mavericks no acordo de rescisão.
36 anos
Idade dele na temporada que chamou de redenção na apresentação.
15%
Bônus de troca embutido no contrato assinado com o Heat.
Nenhuma
Chance de o Lakers cobrir a proposta, porque a disputa não era de dinheiro.

O pai foi quem entregou o bastidor

Mychal Thompson não é fonte qualquer nessa história. Foi campeão pelo Lakers em 1987 e 1988, trabalha há anos na transmissão de rádio do time e é pai do jogador. Ele contou no podcast Locked on Heat que Los Angeles correu atrás mesmo, e que ele próprio tentou convencer o filho.

“O Lakers estava atrás dele com força.”

Mychal Thompson, pai do jogador e campeão pelo Lakers, no podcast Locked on Heat

Segundo ele, o argumento que ganhou não foi salário nem cidade. Foi o elenco que o Heat montou e quem manda no vestiário: jogar ao lado de Giannis Antetokounmpo e Bam Adebayo, sob Pat Riley na direção e Erik Spoelstra no banco. Contra isso, o pai perdeu a conversa.

A conta que ele topou perder

O caminho até Miami passou por dinheiro deixado para trás, e não é pouco. Klay tinha US$ 17,5 milhões a receber na última temporada do contrato com o Mavericks. No acordo de rescisão devolveu cerca de US$ 9,8 milhões, quase 56% do que já estava garantido, para poder escolher o próximo destino.

O que ele assinou depois é menor do que abriu mão: duas temporadas e US$ 11,5 milhões, com opção do jogador no segundo ano e bônus de 15% em caso de troca. Somando tudo, ele aceitou receber menos por dois anos de trabalho do que receberia por um sentado em Dallas.

O preço da escolha, em milhões de dólares

Mavs, 1 temporada 17,5 Heat, 2 temporadas 11,5 Devolveu no acordo 9,8 Contrato no Heat somando os dois anos

O que ele disse na apresentação

Apresentado em Miami no dia 25 de agosto, com a camisa 11, Klay tratou a mudança como acerto de contas com a própria carreira. Aos 36 anos, chamou a temporada que vem de redenção e disse que quer provar que ainda decide jogo grande. A coletiva inteira está no vídeo abaixo, do canal oficial da NBA.

A frase que resume a decisão saiu ali: “já senti o gosto de vencer e não existe nada parecido”. Foi a resposta dele quando perguntaram por que topou ganhar menos.

O que Miami tinha e Los Angeles não

A comparação é desconfortável para o Lakers, e vale encarar. O Heat entra na temporada com Giannis, Bam Adebayo, Andrew Wiggins, que foi companheiro de Klay no título de 2022, além de Bobby Portis e Tim Hardaway Jr. É um elenco pronto, com hierarquia definida e histórico recente de decisão.

Los Angeles oferecia outra coisa: um projeto começando do zero em volta de Luka Doncic, sem LeBron James, com um quinteto ainda sendo montado em agosto. Para um jogador de 36 anos com dois anos de contrato pela frente, o cálculo de tempo não é o mesmo de quem tem 27.

Como a decisão foi tomada

Quando O que aconteceu
Início de agosto O Mavericks trava a rescisão, e o Lakers aparece como destino possível
23 de agosto Ele é liberado no waiver e assina com o Heat por dois anos
25 de agosto É apresentado no Kaseya Center com a camisa 11 e fala em redenção

O primeiro passo dessa linha foi assunto nosso no começo do mês, quando Dallas segurou a rescisão justamente para dificultar a vida de Los Angeles. No fim, o Mavericks não precisou se preocupar: o jogador escolheu sozinho, e não escolheu o Lakers.

O que sobra para Los Angeles

Fica um alívio disfarçado de derrota. O Lakers passou a offseason atrás de um ala que abrisse a quadra e defendesse, e Klay hoje entrega só a primeira metade disso. O time acabou indo para outros nomes e segue com uma vaga aberta no quinteto.

Perder uma disputa para Giannis, Bam, Riley e Spoelstra não é vergonha nenhuma. O incômodo é outro: pela primeira vez em muito tempo, Los Angeles precisou de convencimento para atrair um veterano, e não bastou. É esse detalhe, e não o nome do jogador, que o front office deveria anotar.