Klay Thompson acertou com o Miami Heat por dois anos e US$ 13 milhões, após buyout dos US$ 17,5 milhões que tinha a receber do Mavericks. O Lakers ficou de fora e saiu ganhando: aos 36 anos, o ala-armador não resolve a carência defensiva que ainda trava o time.
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Miami levou o alvo número um da offseason
Shams Charania, da ESPN, foi o primeiro a informar: Thompson assina com o Heat assim que for liberado no waiver. São dois anos e cerca de US$ 13 milhões, com opção do jogador na segunda temporada. Miami tratou o ala-armador como prioridade máxima do mercado, e nunca escondeu o motivo: abrir a quadra para Giannis Antetokounmpo e Bam Adebayo.
O Mavericks se despediu com elogio público, em comunicado oficial.
“Klay é um dos grandes jogadores e competidores da geração dele, e somos gratos por tudo o que ele trouxe para a organização.”
Masai Ujiri, presidente de operações de basquete do Mavericks
Dallas engole parte do salário e segue a reconstrução em torno de Cooper Flagg.
A conta que Los Angeles não tinha como fechar
Mesmo que existisse vontade, não existia espaço. A folha do Lakers está em US$ 200,9 milhões, com teto duro travado no primeiro apron, em US$ 209 milhões. Sobram US$ 8,1 milhões de margem e um detalhe que pesa mais do que o dinheiro: o plantel atual tem 16 contratos garantidos para 15 vagas. Antes de contratar qualquer um, a diretoria precisa cortar alguém.
Thompson gostaria de voltar. Passou parte da infância em Los Angeles e mantém casa na cidade, conforme apurou Christian Clark, do The Athletic. A vontade era real. A matemática, não. E o Heat, que nunca teve pressa, esperou o buyout justamente para pagar perto do mínimo em vez de montar uma troca com Dallas.
O arremesso continua, o resto não acompanha mais
A pontaria não é o problema. Thompson fechou a última temporada com 38,3% de três, 2,9 bolas convertidas por jogo e o equivalente a 19,4 pontos a cada 36 minutos em quadra. É número de especialista, e o currículo sustenta: 2.899 triplas na carreira, quarta maior marca da história da liga, e quatro títulos.
O problema aparece no resto do boxscore. Foram 69 jogos, apenas 8 como titular, 21,7 minutos por noite e 39,3% de quadra. Na temporada anterior, ele começava sempre, com 27,3 minutos e 14,0 pontos por partida. Em doze meses, o Mavericks cortou quase seis minutos do tempo dele e o tirou do quinteto. Nenhum time faz isso com quem dá conta de marcar o próprio adversário.
O Oeste não perdoa quem só arremessa
O Oeste ficou jovem e rápido. Thunder e Spurs montaram elencos que trocam marcação em quase todas as posições e correm os 48 minutos. Contra gente assim, um ala-armador de 36 anos vira o alvo óbvio: o adversário localiza o defensor mais lento, puxa ele para o pick and roll e repete a jogada até a defesa ceder.
E tem o contexto do próprio backcourt. Doncic já obriga o time a proteger um defensor em quadra. Colocar um segundo ao lado dele, com JJ Redick tendo que equilibrar os dois na mesma rotação, seria montar uma defesa que não sobrevive a uma série de playoffs. O Lakers passou a offseason inteira tentando tapar esse buraco, não cavar outro.
A ala que o Lakers ainda procura
Quentin Grimes, quatro anos e US$ 60 milhões, e Collin Sexton, dois anos e US$ 19,2 milhões, chegaram para dar atletismo ao perímetro. Matisse Thybulle veio pelo mínimo com função defensiva clara. Nenhum deles é a resposta completa, e a diretoria sabe: Jonathan Kuminga é perseguido desde o começo de julho e ainda não virou acordo.
A lista de saídas explica a urgência. LeBron James foi para o 76ers, Rui Hachimura, Luke Kennard e Marcus Smart deixaram o time na agência livre, Deandre Ayton foi trocado. Entraram Austin Reaves, renovado por quatro anos e US$ 180 milhões, Walker Kessler por US$ 129,5 milhões em sign-and-trade, além de Sandro Mamukelashvili, Kevon Looney e Ziaire Williams.
Nada disso resolve a ala titular. Mas resolve menos ainda se a última vaga for gasta com um veterano que precisa ser escondido na defesa.
Ganhar sem entrar em quadra
Klay Thompson em Miami é uma boa história para o Heat, que precisava de arremesso em volta de Giannis Antetokounmpo. Para o Lakers, o alívio é mais simples: um problema defensivo que passa a morar na outra conferência e reaparece duas vezes por ano, não toda noite. O time não venceu disputa nenhuma aqui. Apenas não entrou em uma que exigiria cortar um jogador para abrir a vaga e, depois, esconder o contratado justamente nos jogos que decidem a temporada.