O Lakers tem a 14ª maior folha salarial da NBA em 2026-27: US$ 201,3 milhões. Treze times gastam mais que o elenco de Luka Doncic. A franquia estourou o teto salarial, como contamos em julho, mas 27 dos 30 times também estouraram.
Siga o Lakers Brasil no Instagram
A folha do Lakers é a 14ª da NBA, e a conta não é próxima do topo
A tabela abaixo põe as 30 folhas lado a lado. O Lakers aparece no meio exato da lista, US$ 27,1 milhões atrás do Cavaliers e a 105 mil dólares do Celtics, diferença que na prática é um empate. Os times que gastam mais formam um grupo previsível de candidatos, e o Lakers não está nele.
A folha salarial dos 30 times, do maior para o menor
Valores comprometidos com jogadores sob contrato padrão. Barra roxa marca quem passou do first apron, barra dourada é o Lakers.
| # | Time | Folha 2026-27 |
|---|---|---|
| 1 | Cavaliers | US$ 228,5 miacima do apron |
| 2 | Hawks | US$ 221,3 miacima do apron |
| 3 | Magic | US$ 218,1 miacima do apron |
| 4 | Knicks | US$ 217,9 miacima do apron |
| 5 | Nuggets | US$ 217,7 miacima do apron |
| 6 | Wolves | US$ 215,9 miacima do apron |
| 7 | Warriors | US$ 214,9 miacima do apron |
| 8 | Thunder | US$ 214,8 miacima do apron |
| 9 | Suns | US$ 213,8 miacima do apron |
| 10 | 76ers | US$ 209,4 miacima do apron |
| 11 | Rockets | US$ 205,5 miacima do teto |
| 12 | Pacers | US$ 203,7 miacima do teto |
| 13 | Celtics | US$ 201,4 miacima do teto |
| 14 | Lakers | US$ 201,3 miacima do teto |
| 15 | Raptors | US$ 200,6 miacima do teto |
| 16 | Pelicans | US$ 199,8 miacima do teto |
| 17 | Heat | US$ 198,9 miacima do teto |
| 18 | Spurs | US$ 198,3 miacima do teto |
| 19 | Mavs | US$ 197,9 miacima do teto |
| 20 | Blazers | US$ 194,5 miacima do teto |
| 21 | Bucks | US$ 191,4 miacima do teto |
| 22 | Kings | US$ 189,3 miacima do teto |
| 23 | Wizards | US$ 186,5 miacima do teto |
| 24 | Clippers | US$ 180,2 miacima do teto |
| 25 | Jazz | US$ 179,4 miacima do teto |
| 26 | Hornets | US$ 168,1 miacima do teto |
| 27 | Grizzlies | US$ 167,6 miacima do teto |
| 28 | Bulls | US$ 161,5 miabaixo do teto |
| 29 | Nets | US$ 160,1 miabaixo do teto |
| 30 | Pistons | US$ 153,2 miabaixo do teto |
O detalhe que muda a leitura está na coluna da direita. A barra roxa marca quem cruzou o first apron, a linha a partir da qual o acordo coletivo começa a fechar portas de verdade. São dez times. O Lakers não é um deles.
O teto salarial virou piso, e ninguém mais mora abaixo dele
O teto da NBA para esta temporada é de US$ 164,9 milhões. Estar acima dele soa grave e por isso rende manchete, mas o número perdeu sentido como divisor: 27 das 30 franquias estão acima. Só Hornets, Grizzlies, Bulls, Nets e Pistons ficam perto ou abaixo, e nenhum deles está montando um time para ganhar agora.
Isso acontece porque o acordo coletivo permite que um time renove os próprios jogadores mesmo estourado. Quem desenvolveu elenco em casa naturalmente ultrapassa a linha. Ficar abaixo do teto, hoje, quase sempre significa que a franquia está em reconstrução, não que ela é bem administrada.
Foi por isso que o Lakers acabou enquadrado como um time caro quando o assunto virou a folha de 2026-27. A informação estava certa e o contexto faltava.
A linha que importa é o apron, e o Lakers parou antes dela
O first apron está em US$ 209 milhões. Cruzar essa marca custa ferramenta: o time perde o direito de receber jogador em troca com salários desiguais, fica sem parte das exceções de contratação e passa a depender de veterano disposto a aceitar o mínimo.
Cavaliers, Hawks, Magic, Knicks, Nuggets, Wolves, Warriors, Thunder, Suns e 76ers estão desse lado da linha. O Lakers parou US$ 7,7 milhões antes, e essa é toda a margem que o front office tem para reagir durante a temporada, seja numa troca de meio de ano, seja na chegada de alguém cortado.
É pouco, e o próprio time sabe disso. Mas é mais do que têm dez adversários diretos, que gastaram o dinheiro e ficaram com as mãos amarradas para consertar o que der errado.
Doncic é o 18º maior salário da liga, e o Lakers não tem ninguém acima dele
Aqui o dado fica mais estranho ainda. Doncic recebe US$ 49,8 milhões nesta temporada, o que faz dele o 18º maior contrato da NBA, empatado com De’Aaron Fox e Bam Adebayo. Stephen Curry, o primeiro da lista, ganha US$ 62,6 milhões, quase US$ 13 milhões a mais.
Entre Curry e Doncic passam dezessete jogadores de doze times diferentes. Nikola Jokic, Giannis Antetokounmpo, Jayson Tatum, Anthony Davis, Joel Embiid, Karl-Anthony Towns, Jaylen Brown, Devin Booker, Jimmy Butler, Paul George, Kawhi Leonard e mais seis. É a lista dos contratos que o mercado considera de primeira linha, e o melhor jogador do Lakers está atrás de todos eles.
Austin Reaves, o segundo maior salário do elenco atual, sequer aparece entre os 30 maiores da liga. Somados, Doncic e Reaves ocupam 45% da folha, o que dá a impressão de dois contratos gigantes. Vistos de fora do time, são dois contratos caros dentro de um mercado em que caro virou o normal.
Por que isso muda o julgamento da temporada
Existe uma diferença prática entre um elenco caro que fracassa e um elenco de custo mediano que fracassa. O primeiro erra na alocação, gasta como campeão e entrega menos. O segundo erra no projeto, porque nem tentou pagar o preço de campeão.
O Lakers está no segundo grupo, e por escolha. Deixou LeBron James sair, distribuiu o dinheiro entre um astro e um segundo violino bem pago, e completou o resto com contratos médios e mínimos de veterano. É uma aposta em encaixe, não em acúmulo de talento comprado.
Se der certo, será um dos elencos mais eficientes da liga em dinheiro gasto por vitória. Se der errado, a franquia não vai poder dizer que gastou tudo o que podia, porque dez times gastaram mais e ainda travaram as próprias mãos para isso. A conta desta temporada não é sobre quanto o Lakers pagou. É sobre o que ele decidiu não comprar.