O Lakers viveu um “clima estranho” na temporada passada, segundo apuração do The Athletic. Rodadas de demissão, alta de mais de 40% no preço dos ingressos e a mudança do time da G League para o deserto marcaram os 14 meses de Mark Walter no comando.
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- The Athletic apurou que a temporada teve “clima estranho” dentro da organização sob Mark Walter.
- Foram várias rodadas de demissão e alta de mais de 40% em ingressos de temporada.
- O time da G League saiu de El Segundo para Palm Desert, anunciado em 30 de abril.
- Executivos de basquete reclamaram de ficar afastados dos jogadores e treinadores em desenvolvimento.
- Walter comprou por US$ 10 bilhões e vendeu por US$ 12,5 bilhões em 14 meses.
O que a apuração descreve
A frase que resume o ano está numa aspa curta, dita por uma fonte da própria organização ao The Athletic: foi um “clima estranho”. Não se trata de um episódio isolado nem de briga de vestiário. O que a apuração descreve é uma sucessão de decisões de negócio que, somadas, deixaram quem trabalha no time sem entender qual era o plano.
Vale o contexto de calendário. Mark Walter fechou a compra do controle em junho de 2025, por uma avaliação de US$ 10 bilhões, e só foi oficializado como dono em 30 de outubro daquele ano. Ou seja, a temporada inteira aconteceu sob a gestão dele. Em agosto de 2026, ele vendeu por US$ 12,5 bilhões.
As demissões e o ingresso mais caro
Nada disso é novidade para quem acompanha o site. Em fevereiro, o time confirmou um aumento pesado no preço dos ingressos. Em maio, veio a demissão em massa. O que o The Athletic acrescenta é a escala e a repetição: foram várias rodadas de corte ao longo da temporada, e parte dos ingressos de temporada subiu mais de 40%.
Quarenta por cento é um número que muda comportamento. Não é reajuste, é reposicionamento de produto. E aplicado no mesmo ano em que o time cortava pessoal, passa uma mensagem difícil de administrar internamente: aperta de um lado, cobra do outro.
O time da G League foi parar no deserto
A decisão que mais irritou o departamento de basquete foi outra. Em 30 de abril de 2026, o time anunciou que o South Bay Lakers deixaria El Segundo para virar Coachella Valley Lakers, com jogos no Acrisure Arena, em Palm Desert, a partir da temporada 2026-27. O centro de treinamento continua em El Segundo, na faixa litorânea de Los Angeles. Palm Desert fica do outro lado das montanhas.
Segundo o The Athletic, os executivos de basquete reclamaram de estar sendo “afastados dos jogadores e treinadores em desenvolvimento”. A queixa é prática. Filial de G League existe para o time principal poder observar de perto quem está sendo formado, chamar para um treino no meio da semana, testar um ajuste. Distância transforma isso em logística.
O detalhe amargo é que a filial vinha bem. Em julho, o técnico do South Bay foi promovido à comissão principal depois de um recorde na G League. O ativo funcionava. Mudou de endereço mesmo assim.
Por que ele saiu em 14 meses
A pergunta que ficou é por que alguém compra a franquia mais simbólica do basquete e a repassa 14 meses depois. Kyle Kuzma, campeão em 2020, resumiu em uma frase no X: “Ninguém se desfaz de uma joia da coroa em 14 meses porque as coisas vão bem”.
A resposta mais concreta apareceu dias antes. Procuradores federais e a SEC investigam empresas ligadas a Walter, e a Bloomberg noticiou que a venda do Lakers acelera a reorganização dos negócios dele em meio à apuração do Departamento de Justiça. Walter também estuda se desfazer de fatias do Chelsea. Nenhuma dessas peças é sobre basquete.
O que Iger e Kushner herdam
Bob Iger e Josh Kushner assumem com um passivo que não aparece em planilha. Herdam uma estrutura que passou o ano se encolhendo, uma torcida que pagou mais caro e um departamento de basquete que se sentiu ignorado numa decisão estrutural. Rob Pelinka segue como presidente de operações e gerente-geral, o que dá continuidade ao lado da quadra.
Do lado societário, nada está fechado. A venda ainda depende do Board of Governors, que se reúne em 15 e 16 de setembro, e agora enfrenta a contestação de Jeanie Buss, cujo advogado classificou como nula a votação da família. Em novembro de 2025, Jesse Buss já havia exposto publicamente a ruptura com a nova direção. Era o primeiro sinal do que o The Athletic agora descreve por dentro.
Times mudam de dono o tempo todo. O que raramente se vê é uma temporada inteira transcorrer com todo mundo lá dentro sabendo que alguma coisa não fechava, sem conseguir nomear o quê. O nome apareceu agora, tarde, e é curto: clima estranho. Vale como epitáfio de uma gestão que durou menos que um contrato de veterano.