Mark Walter vendeu o Lakers por US$ 12,5 bilhões em 72 horas porque está sob investigação federal nos Estados Unidos. A procuradoria de Manhattan e a SEC apuram cerca de US$ 16 bilhões em empréstimos ligados a ele, uma investigação que já mirava o dono do Lakers desde julho. Nenhuma acusação formal foi apresentada.

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Resumo rápido
  • Walter vendeu o Lakers por US$ 12,5 bilhões, US$ 2,5 bilhões acima do que pagou em outubro.
  • Procuradoria de Manhattan e SEC apuram cerca de US$ 16 bilhões em empréstimos ligados a Walter.
  • O FBI apreendeu celular e laptop dele num avião em Chicago, em 18 de setembro de 2025.
  • Guggenheim, Delaware Life e Clear Spring Life estão no alvo; as seguradoras foram intimadas em fevereiro.
  • Nada do que foi apurado até agora liga a investigação às finanças da franquia.

O que a procuradoria de Manhattan está apurando

A investigação não nasceu no basquete. Ela começou dentro da Guggenheim Partners, a gestora de recursos que Walter comanda, a partir de uma denúncia interna sobre os registros de receita da Guggenheim Investments. Os mandados obtidos pelos investigadores miram a divisão de gestão de US$ 362 bilhões da casa e querem saber se os números de receita repassados a terceiros batiam com a realidade.

O centro da apuração é um caminho de dinheiro. A procuradoria federal de Manhattan e a SEC tentam entender como cerca de US$ 16 bilhões em empréstimos concedidos a empresas ligadas a Walter ou ao conglomerado dele, o TWG Global, terminaram nos balanços de seguradoras que ele próprio controla, depois de passar por uma terceira entidade no meio do caminho. As duas seguradoras, Delaware Life Insurance e Clear Spring Life, foram intimadas em fevereiro. A apuração é da Bloomberg, assinada por Zachary Mider, Ava Benny-Morrison e Myles Miller, com informação complementar do Wall Street Journal.

A defesa veio por escrito. Em nota à Bloomberg, o TWG Global afirmou: “Mark Walter e a TWG sempre agiram de boa-fé, e quem já fez negócio com Mark o conhece como uma pessoa honesta e direta.” Até o fechamento deste texto, nenhuma acusação formal havia sido apresentada contra ele. Investigação não é condenação, e convém repetir isso antes de seguir adiante.

O celular apreendido dentro de um avião em Chicago

O detalhe mais concreto do caso tem hora e endereço. Em 18 de setembro de 2025, agentes federais cumpriram um mandado dentro de um avião parado no Aeroporto Internacional de Midway, em Chicago, e saíram de lá com o celular e o laptop de Mark Walter.

A data importa mais do que parece. Aquilo aconteceu antes de a compra do Lakers ser concluída. Quando Walter fechou o negócio de US$ 10 bilhões com a família Buss e assumiu o controle do clube, os investigadores já estavam com os aparelhos dele havia semanas. A cena só veio a público em julho de 2026, pela Bloomberg Law, quase um ano depois. Na sequência, Fitch e S&P colocaram as seguradoras de Walter em observação negativa, o sinal amarelo que as agências de classificação acendem antes de rebaixar uma nota.

Setenta e duas horas para vender o ativo mais caro do esporte americano

O calendário da venda é a parte que ninguém consegue ignorar. Josh Kushner e Bob Iger procuraram Walter num domingo. Na quarta-feira, o negócio estava assinado. Foram US$ 12,5 bilhões, o maior valor já pago por uma franquia esportiva nos Estados Unidos, resolvido em três dias, sem processo competitivo, sem leilão, sem a fila de interessados que costuma se formar quando um ativo desse tamanho entra no mercado.

Walter tinha comprado o controle do time em outubro de 2025 por US$ 10 bilhões. Dez meses depois, saiu com US$ 2,5 bilhões de lucro e um pedaço de história esportiva no currículo. A Bloomberg reportou que ele e a Guggenheim estão levantando caixa para abater dívida justamente diante da investigação. É a explicação mais simples para uma pressa que ninguém pediu, e é a que dirigentes da liga estão comentando em voz baixa.

A identidade do comprador acrescentou ruído. Josh Kushner é irmão de Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, e a Forbes registrou que a combinação entre um vendedor sob investigação federal e um comprador com esse sobrenome fez teorias de conspiração circularem antes mesmo de o comunicado sair. Nenhuma delas tem sustentação documental até agora.

O que muda dentro do vestiário

Quase nada, e essa é a boa notícia. Nada do que foi reportado até agora liga a investigação ao Lakers, às operações de basquete ou às finanças da franquia. O dinheiro sob escrutínio é o das seguradoras e da gestora, não o da folha salarial. Bob Iger já conversou com JJ Redick e com Jeanie Buss, e a permanência dela no comando institucional foi o primeiro assunto que a nova dupla de donos resolveu. Com Luka Doncic, o novo dono ainda não falou.

A venda ainda depende do aval do Conselho de Governadores da NBA, o que costuma ser protocolo. Costuma. Um vendedor sob investigação federal em curso é exatamente o tipo de detalhe capaz de transformar protocolo em reunião longa.

E o Dodgers, é o próximo da fila?

A pergunta apareceu no mesmo dia, e o Sportico já a colocou no título. Walter continua dono do Dodgers e de outros ativos esportivos, entre eles a PWHL, a liga profissional feminina de hóquei. Stan Kasten, presidente e CEO do Dodgers, tratou de apagar o incêndio antes que ele pegasse: “Essa é uma história do Lakers. Não é bem uma história do Dodgers. Não tem nada a ver com o Dodgers. São coisas completamente separadas, e não há nenhuma mudança aqui nem prevista aqui.” Kasten ainda chamou Walter de “um cara muito sensato” e classificou a decisão de vender como oportunista, no sentido comercial do termo.

Torcedor do Lakers aprendeu a conviver com escândalo que nasce em quadra. Este é de outra natureza: mora em planilha, em balanço de seguradora, num mandado cumprido dentro de um hangar em Chicago. O time segue montando elenco em volta de Doncic e a temporada 2026-27 começa em outubro do mesmo jeito. A diferença é que, desta vez, o capítulo mais pesado da franquia não vai ser escrito por um repórter de basquete.