Nick Smith Jr deixou a NBA e assinou com o Real Madrid por uma temporada, cinco meses depois de o Lakers renovar o contrato dele ainda em abril. Nós contamos aquela renovação como virada de roteiro. O técnico do Real Madrid já avisou que a chegada dele não vem com vaga garantida.

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Resumo rápido
16 de set
Dia do anúncio oficial do Real Madrid, por uma temporada.
US$ 2,5 mi
A opção de equipe que o Lakers recusou e abriu a porta de saída.
Sétimo
Reforço do time espanhol na temporada, e o que fecha o elenco.
Quatro
Armadores que já estavam lá e que ele vai ter pela frente.
147 jogos
O que ele soma na NBA em três temporadas, por Hornets e Lakers.

A renovação de abril não virou temporada

Em abril a história era de virada. Dispensado pelo Charlotte Hornets em setembro de 2025, Nick Smith Jr assinou um contrato de duas vias com o Lakers dias depois, e em abril converteu aquele vínculo em contrato padrão, o que o deixou elegível para os playoffs. Era o tipo de escada que jogador de fim de elenco sobe uma vez na carreira.

Cinco meses depois, o Lakers recusou a opção de equipe de US$ 2,5 milhões para 2026-27 e ele virou agente livre. Em uma offseason em que a franquia precisou de cada dólar para refazer o elenco em torno de Luka Doncic, o contrato mais barato do elenco principal foi um dos primeiros a cair.

O que os números dele diziam

Pontos por jogo em 2025-26
Mesma temporada, dois níveis de competição
NBA, pelo Lakers
30 jogos
6,2
G League
6 jogos
19,5

A distância entre as duas barras é a carreira dele até aqui. Na filial ele foi o dono da bola, com 19,5 pontos em pouco mais de 30 minutos por jogo. Na NBA foram 6,2 pontos em 30 partidas, quase sempre com o jogo já resolvido. Escolhido na 27ª posição do Draft de 2023, ele soma 147 jogos na liga em três temporadas, entre Hornets e Lakers, e nunca conseguiu transformar uma coisa na outra.

É essa a conta que empurra jogador de 22 anos para a Europa: ser titular de verdade em algum lugar vale mais do que o último assento de uma folha salarial americana. A ida acontece, ainda por cima, no ano em que a NBA negocia comprar uma fatia da liga europeia, como contamos em setembro. O caminho de volta tende a ficar mais curto do que era.

O técnico de lá já reduziu a expectativa

Aqui o relato americano e o espanhol se separam, e vale dizer qual é qual. A primeira notícia do acordo, de Michael Scotto, do HoopsHype, em 12 de setembro, descrevia Smith como o armador titular do time espanhol. O anúncio oficial saiu quatro dias depois, e com ele veio a fala do treinador Pedro Martínez, que diz outra coisa.

“Ele vai ser muito jovem, sem experiência fora do país dele e sem saber como se joga basquete na Europa.”

Pedro Martínez, treinador do Real Madrid, no anúncio da contratação

Não é recado hostil, é descrição de função. O time espanhol o apresentou como ala-armador que fecha o elenco, o sétimo reforço da temporada, e não como quem chega para assumir a bola. A imprensa de Madri o chamou de escolta, não de armador.

Quem já estava na frente dele

Quem já estava na frente dele
O backcourt do time espanhol antes de ele chegar
Armador titular
Facundo Campazzo
Passou pela NBA e voltou para ser o dono da bola
Símbolo da casa
Sergio Llull
Mais de uma década no mesmo time, virou história viva
Ex-NBA
Theo Maledon
Armador francês que também tentou a liga americana
Rodagem na Espanha
Andrés Feliz
Dominicano, conhece a liga espanhola de cor
Chega agora
Nick Smith Jr
O sétimo reforço da temporada, por um ano

São quatro nomes com mais tempo de Europa do que ele tem de basquete profissional. Campazzo e Maledon já jogaram na NBA e voltaram; Llull é história viva do time; Feliz conhece a liga espanhola de cor. O lugar que sobra para o rapaz de 22 anos não é o de dono do ataque, é o de quem precisa provar que entende o jogo de lá.

O que o Lakers perde, e é pouco

Do lado de cá, a saída quase não mexe no ponteiro. Smith era o décimo quarto ou décimo quinto nome de uma rotação que, mesmo assim, ficou com um jogador a mais do que as quinze vagas permitem. A franquia economizou US$ 2,5 milhões e abriu uma cadeira em um elenco que continua apertado.

O que se perde é outra coisa, e ela não aparece na folha salarial: um jogador de 22 anos que a própria casa desenvolveu na filial, com rodagem de dono de ataque, entregue de graça a um time que não é rival na NBA, mas que no ano que vem talvez esteja mais perto dela do que hoje.

Em abril ele comemorou um contrato que valia o resto da temporada. Em setembro, o mesmo contrato acabou sendo a despedida.