O Cavaliers saiu da corrida por Jonathan Kuminga ao fechar com Peyton Watson por quatro anos e US$ 88 milhões. O Lakers ficou sozinho na disputa pelo ala, e a trava segue sendo salário: Los Angeles oferece perto de US$ 10 milhões por ano, e o jogador pede de 14 a 16.
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O que a ida de Watson para Cleveland muda no tabuleiro
O Cavaliers precisava de um ala defensivo e tinha dois nomes na mesa. Escolheu o mais caro e o mais previsível. Watson saiu do Denver numa operação de cinco times, com Max Strus indo para o Clippers e o Nuggets ficando com uma primeira rodada de 2031 sem proteção e uma segunda de 2032. Denver tinha oferecido quatro anos e US$ 70 milhões para segurar o próprio jogador. Cleveland cobriu com US$ 88 milhões, opção do atleta e trade kicker.
Para quem acompanha o mercado do Lakers, o número que importa não é o do Watson. É o que ele elimina. Enquanto Cleveland estava na disputa, o representante de Kuminga tinha um segundo comprador para citar em qualquer telefonema. Agora não tem. O Timberwolves aparece como alternativa real, porque perdeu Julius Randle e Naz Reid e ficou curto de alas, e o Bucks segue como possibilidade caso decida voltar à mesa. Fora isso, o mapa esvaziou.
O impasse é o mesmo desde julho, e é um número
Kuminga virou agente livre irrestrito em junho, quando o Hawks declinou a opção de equipe de US$ 24,3 milhões. Na temporada passada, dividida entre Warriors e Hawks, ele fez 12,2 pontos, 5,6 rebotes e 2,3 assistências por jogo, com 46,3% de aproveitamento de quadra em 36 partidas. É produção de rotação, não de titular consolidado, e o mercado leu exatamente assim.
A proposta do Lakers gira em torno de US$ 10 milhões por temporada, num contrato curto. O pedido do outro lado, segundo o que circulou no fim de julho, é de US$ 14 milhões a US$ 16 milhões por ano, algo acima da exceção de nível médio. E há uma recusa dura no meio do caminho: Kuminga não aceita o contrato de um ano para se provar, o formato que resolveria o problema de todo mundo em quinze minutos.
Brett Siegel, da ClutchPoints, escreveu que o Lakers é “a única equipe que manteve interesse constante em Kuminga neste verão”. A frase é elogiosa e cruel ao mesmo tempo. Ser o único interessado costuma derrubar o preço, não sustentá-lo.
Quem manda na negociação atende em Atlanta
Qualquer acordo passa por um sign-and-trade com o Hawks, e é aí que a conta trava. Jake Fischer apurou no fim de julho que Lakers e Hawks nunca chegaram a discutir com seriedade um pacote envolvendo Jarred Vanderbilt e uma troca de posição de primeira rodada em 2032. Atlanta não quer o contrato do Vanderbilt, e não escondeu isso.
O problema do Hawks é de espaço, não de vontade. São 17 jogadores sob contrato para um limite de 15, e a folha está a apenas US$ 3,8 milhões da taxa de luxo. Atlanta precisa tirar gente, não receber. Do outro lado, o Lakers está a US$ 8,1 milhões da primeira apron e com teto rígido por causa do sign-and-trade que trouxe Walker Kessler do Jazz, em quatro anos e US$ 130 milhões. Dois times apertados tentando montar uma troca que exige folga: é por isso que agosto inteiro passou sem nada.
O Lakers precisa mesmo dele?
A pergunta não é retórica. Rob Pelinka reconstruiu o time inteiro neste verão, com Kessler no garrafão, Quentin Grimes e Collin Sexton no perímetro, Sandro Mamukelashvili e Kevon Looney na reserva de altura, e a renovação de Austin Reaves na casa dos US$ 185 milhões. Deandre Ayton foi mandado ao Wizards por Jaden Hardy e duas escolhas de segunda rodada. O plantel atual já tem 16 nomes para 15 vagas, o que significa que Kuminga não entra sozinho: alguém sai junto com ele.
O contexto do vestiário também mudou. LeBron James assinou com o 76ers e encerrou oito temporadas em Los Angeles, e Rui Hachimura foi para o Clippers. Sobrou uma ala jovem e curta em volume ofensivo, montada em torno de Luka Doncic. Kuminga resolve atletismo, transição e corpo em defesa de troca. Não resolve arremesso de três, que é justamente o que falta ao redor do esloveno.
O relógio agora joga contra o jogador
Setembro chega em duas semanas e o campo de treinos vem logo atrás. Todo dia que passa sem acordo reduz a chance de Kuminga negociar minutos de titular, porque a rotação vai sendo desenhada sem ele. O Lakers pode esperar. Já tem o elenco estourado em uma vaga, já tem centro, já tem armador reserva e já resolveu a prioridade do verão. O Hawks também pode esperar, porque cortar dois jogadores é problema que se resolve em outubro.
Quem não pode esperar é o ala de 23 anos que recusou um acordo de um ano em julho e viu o mercado encolher em agosto. Watson tirou uma cadeira. O Timberwolves e o Bucks nunca ofereceram nada perto do que ele pede. Restou a proposta que ele considerou baixa, feita pelo time que nunca parou de ligar. A conversa que sobra não é mais sobre quanto Kuminga vale. É sobre quanto tempo ele aguenta descobrir isso sozinho.