Cameron Carr ainda tem cara de calouro no treino, mas JJ Redick disse que confia que ele vai ter chances no Lakers nesta temporada. O elogio veio no terceiro dia de camp e pesa num elenco cheio de alas, onde o time tenta encerrar a seca de escolhas de primeira rodada.
O que Redick viu em três dias
Na quinta-feira, depois do terceiro treino do camp, Redick foi perguntado sobre o calouro. A resposta teve as duas partes que um técnico costuma dar sobre novato: o entusiasmo e a ressalva.
“A gente vê um jogador no Cam. Estamos muito animados com ele. Dá para ver também, em três dias, que ele é calouro. Mas ele aprende rápido, então estou muito confiante de que ele vai ter oportunidades neste ano.”
JJ Redick, técnico do Lakers, depois do treino de quinta-feira
A fala foi registrada pelo Silver Screen and Roll, no caderno do terceiro dia de training camp. O “dá para ver que ele é calouro” tem tradução prática: em alguns momentos a comissão parou a atividade para explicar o movimento ao novato. É o custo de qualquer jogador de primeiro ano num camp que Redick conduz com ritmo de temporada.
O elogio não começou agora
A confiança no calouro vem de antes do camp. Na entrevista coletiva de abertura da temporada, ao lado de Rob Pelinka, Redick já tinha dito que Carr não era o 24º nome do quadro do Lakers no Draft. “Ele estava bem mais alto. Então nos sentimos muito felizes de ter conseguido ele e de poder desenvolver o Cam como jogador de NBA.” O time pagou para isso: entregou a 25ª escolha ao Knicks para subir uma posição e garantir o ala de Baylor.
Pelinka acrescentou uma cena dos jogos informais antes do camp, com Doncic no mesmo time do novato. “Dá para ver ele se formando diante dos nossos olhos. O Luka procurava por ele, porque ele estava acertando as bolas de três da zona morta.” O dirigente contou ainda que o esloveno lançou pelo menos duas pontes aéreas para Carr finalizar depois de cortar pelas costas da defesa.
São os dois caminhos mais curtos para um ala entrar na rotação de um time com Doncic: arremessar do canto e cortar para a cesta quando o marcador olha para a bola.
A fila na frente dele
A boa vontade da comissão esbarra no tamanho da concorrência. O Lakers montou a offseason em cima de alas: Quentin Grimes, Collin Sexton, Matisse Thybulle e Ziaire Williams chegaram neste verão, e Adou Thiero entra no segundo ano depois de uma Summer League forte. Thybulle e Williams, inclusive, são os nomes que mais apareceram nos elogios de Redick ao trabalho defensivo dos primeiros dias.
Carr entra nessa disputa com uma desvantagem óbvia: é o único do grupo que ainda não disputou uma partida de NBA. A vantagem é o contrato de calouro, de quatro anos, que dá ao Lakers tempo para esperar o desenvolvimento dele sem pressa, mesmo que os minutos demorem a aparecer em 2026-27.
Com Redick avisando desde o primeiro dia que ninguém tem minuto garantido no elenco do Lakers, o espaço do calouro depende do que ele mostrar quando as luzes acenderem. A pré-temporada tem cinco jogos, a partir de segunda-feira, contra o Kings, e é ali que Carr precisa transformar o elogio do treino em minuto de jogo.
O ponto que decide
Em Baylor, Carr fez 18,9 pontos por jogo e acertou 37,4% das bolas de três. Na Summer League, manteve a pontuação, com 18 por partida, mas o aproveitamento de longe caiu para 19,2%. A diferença entre os dois números é o que a análise que fizemos depois de Las Vegas apontou como o ajuste principal do novato.
A defesa, ponto forte dele na universidade, compra tempo enquanto o arremesso não vem. Mas num time que vai ter Doncic ou Reaves em quadra quase o jogo inteiro, o ala que joga ao lado deles precisa punir a defesa que dobra a marcação no armador. Redick já disse que viu um jogador. Os cinco jogos de outubro vão mostrar se ele também viu um arremessador.