Nick Young diz que guarda a bola da despedida de Kobe Bryant, a noite dos 60 pontos contra o Jazz em 2016, e que pode vender quando o dinheiro ficar curto. Para o ex-ala do Lakers, a bola é a aposentadoria dele, e ele não fez segredo disso em entrevista a Shannon Sharpe.
O que Nick Young contou
A revelação apareceu no Club Shay Shay, o programa de entrevistas de Shannon Sharpe, em episódio que começou a circular nesta semana. Sharpe perguntou se Young tinha ficado com alguma lembrança da despedida de Kobe, e a resposta veio com a naturalidade de sempre do jogador que a NBA conheceu como Swaggy P.
“Ah, eu tenho umas coisas. Eu tenho a bola… Vou vender também, sei que você tem dinheiro. Quando eu estiver meio apertado, posso vender. Fico feliz de ter. É tipo o meu 401K.”
Nick Young, no Club Shay Shay
O 401K é o plano de previdência mais comum dos Estados Unidos, aquele que o trabalhador vai alimentando ao longo da carreira para usar depois. A comparação diz tudo: Young trata a bola como uma reserva para o futuro, e Sharpe lembrou na hora que a peça vale milhões.
A noite que vale ouro
A bola em questão é de um dos jogos mais lembrados da história do Lakers. Em 13 de abril de 2016, na última partida dos seus 20 anos de carreira, Kobe Bryant marcou 60 pontos contra o Jazz, no Staples Center, e comandou a virada da vitória por 101 a 96. Foram 50 arremessos, 22 convertidos, e 23 pontos só no último quarto, com a cesta que colocou o Lakers na frente nos minutos finais.
Young estava no elenco daquela temporada, a penúltima dele em Los Angeles. O ala jogou pelo Lakers de 2013 a 2017, foi um dos personagens mais queridos pela torcida em anos difíceis do time e depois foi campeão com o Warriors, em 2018.
Quanto pode valer
Não existe preço oficial, mas o mercado de relíquias de Kobe dá uma ideia. A camisa que ele usou na temporada 2007-08, a do prêmio de MVP, foi vendida pela Sotheby’s por cerca de 5,8 milhões de dólares em 2024. Até pedaços do piso da quadra daquela despedida foram leiloados em 2016, por 179 mil dólares. Sites americanos que repercutiram a entrevista falam que a bola poderia passar da casa dos oito dígitos, ou seja, mais de 10 milhões de dólares, se a autenticidade for comprovada.
É nesse ponto que mora a dúvida. Uma peça desse valor só chega a leilão com documentação que prove que aquela é mesmo a bola do jogo, e Young não deu detalhes de como ficou com ela. Em uma noite em que até os companheiros pediram autógrafos ao camisa 24 no vestiário, não seria estranho que a bola tivesse ido parar nas mãos de um deles.
A história dos tênis
Young, aliás, tem outra lembrança daquela noite, bem menos valiosa. Na festa no vestiário, Kobe assinou tudo o que os colegas pediram, menos os tênis de Young. Fiel à Nike, ele se recusou a autografar um par da Adidas, marca que patrocinava o companheiro, e jogou os calçados no lixo. A cena virou uma das histórias mais contadas da despedida.
Na mesma entrevista, Young também falou de outro assunto ligado a Kobe: os 83 pontos de Bam Adebayo contra o Wizards, que tiraram dos 81 de Kobe o posto de segunda maior marca da história em um jogo. “Ele devia ter parado”, disse. “Algumas coisas você tem que deixar para certas pessoas.” Para quem guarda a bola da despedida como um tesouro, a memória do camisa 24 ainda vale mais do que qualquer número.