Kobe Bryant não convenceu Trevor Ariza com discurso. Mandou uma mensagem depois da derrota nas Finais de 2008 prometendo enviar o plano inteiro de como o Lakers ganharia no ano seguinte, e enviou. Ariza contou a história ao Sports Illustrated, dias depois de Jayson Tatum falar da própria dívida com Kobe.

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Resumo rápido
2008
Ano da derrota nas Finais que fez Kobe mandar a mensagem a Ariza
Duas vezes
Por dia, o número de treinos que Ariza passou a fazer na offseason seguinte
23 de 23
Jogos como titular na campanha do título de 2009, segundo o NBA.com
47,6%
Aproveitamento dele nas bolas de três naquela campanha de playoffs

A mensagem que chegou depois da derrota

O Lakers tinha acabado de perder as Finais de 2008 para o Boston, e o vestiário se desfez do jeito que vestiário derrotado se desfaz: cada um para um lado, com a conversa marcada para setembro. Ariza recebeu uma mensagem de Kobe antes de sair de Los Angeles.

“Daqui a uns dias eu vou te mandar o plano de como a gente vai ganhar isso. Vou te mandar tudo o que eu preciso que você faça para me ajudar.”

Kobe Bryant a Trevor Ariza, na lembrança contada pelo próprio Ariza

O plano chegou. Vinha com horário de treino, o que fazer em cada sessão e a frequência. Ariza contou ao LeBron Wire, em maio deste ano, que passou a treinar duas vezes por dia e não largou aquilo até a temporada começar. Não houve conversa motivacional nenhuma no meio do caminho.

Como ele entrou no círculo de Kobe

A parte que Ariza detalhou agora, ao repórter Ryan Ward, é a de antes: como um jogador que tinha acabado de chegar virou o companheiro que Kobe chamou de inseparável. A resposta dele não tem nada de romântico.

“Quando você tem gente com a mesma cabeça atrás do mesmo objetivo, você acaba se entendendo com uns e com outros não. Eu e ele éramos duas pessoas que se davam muito bem. E ele era bem mais velho que eu na época. Como eu era mais novo, ele viu alguma coisa que provavelmente lembrava ele, e quis garantir que eu chegasse ao meu limite também. Eu agradeço o tempo que ele investiu em me colocar debaixo da asa. A gente acabou virando inseparável dentro e fora da quadra.”

Trevor Ariza, campeão em 2009 pelo Lakers, ao Sports Illustrated

A convivência virou disputa em coisa miúda. Os dois passaram a competir por quem terminava o jogo com mais roubos de bola, uma briga que não aparece na súmula do dia seguinte e que explica bem o tipo de energia que se instalou naquele elenco.

O que aquela offseason de trabalho virou em quadra

A temporada 2008-09 terminou com o título em cima do Orlando, e Ariza não foi figurante. Ele jogou os 23 jogos de playoffs como titular, com 11,3 pontos, 4,2 rebotes, 2,3 assistências e 1,3 roubo por partida, acertando 47,6% das bolas de três, número que o NBA.com registra até hoje na ficha dele.

Vale medir o tamanho desse aproveitamento. Ala que marca o melhor jogador adversário e ainda converte quase metade dos arremessos de três em playoffs é a peça que todo time campeão precisa e quase nenhum encontra. Foi exatamente esse jogador que o Lakers deixou sair na offseason seguinte, quando Ariza assinou com o Houston.

O que ele vê no Lakers de agora

Na mesma entrevista, Ward perguntou se este elenco tem cara de campeão. Ariza respondeu que no papel não acredita, e apontou a defesa como o ponto que não fecha. É o mesmo diagnóstico que Byron Scott deu nesta semana, vindo de outra geração e de outro programa.

A diferença é que Ariza fala de dentro da experiência que ele mesmo descreveu. Ele viu um time perder a decisão e voltar campeão em doze meses, e sabe que a virada não começou em quadra nem em uma reunião de comissão técnica. Começou em uma mensagem de celular com horário de treino.

Se existe alguma lição para o elenco de Luka Doncic, não é a de repetir a receita, que era de outro basquete e de outra época. É a de reparar em quem manda a mensagem. No Lakers de 2008, o cara que cobrou o resto do grupo era o melhor jogador do time, e ele cobrou por escrito.