O futuro de LeBron James no Lakers segue indefinido, mas um ex-dirigente da franquia cravou que o astro nunca terá o mesmo status histórico de Kobe Bryant, Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar. Para Alan Rothenberg, o tetracampeão será lembrado como força da NBA, e mais ligado a Cleveland do que a Los Angeles.

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Resumo rápido
  • Alan Rothenberg, ex-dirigente de Lakers e Clippers, diz que LeBron não será ícone local como Kobe, Magic e Kareem.
  • LeBron passou 8 temporadas no Lakers e entregou o título de 2020 na bolha de Orlando.
  • O astro recebeu US$ 52,6 milhões na última temporada e mediu 20,9 pts, 7,2 ast e 6,1 reb aos 41 anos.
  • Rob Pelinka confirmou que vai remodelar o elenco em torno de Doncic.

Por que Rothenberg separa LeBron de Kobe, Magic e Kareem

A declaração veio em entrevista de Alan Rothenberg ao site Canada Sports Betting. Ex-executivo que passou por Lakers e Clippers antes de presidir a federação de futebol dos Estados Unidos, ele reconheceu o tamanho de LeBron, mas traçou uma fronteira clara entre impacto e pertencimento.

“Ele não será o ícone de Los Angeles como Kobe, Magic e Kareem são”, disse Rothenberg. “Vai ser reconhecido mais no âmbito da liga, como uma força da NBA.”

O argumento se apoia na geografia da carreira. Para Rothenberg, a digital de LeBron continua impressa em outro lugar. “O lugar com o qual ele provavelmente ainda será mais identificado é Cleveland”, afirmou. “Foi a cidade natal dele, e ele trouxe o primeiro título da história de lá. Se ele for associado a alguma cidade, será Cleveland, mais do que qualquer outra.”

Os números do período em Los Angeles, porém, não são pequenos. Foram oito temporadas, o título de 2020 conquistado dentro da bolha de Orlando e a marca de maior pontuador da história da NBA alcançada justamente com a camisa amarela e roxa. Ainda assim, o ex-dirigente insiste que a identidade vitalícia que Bryant, Johnson e Abdul-Jabbar construíram na franquia pertence a outra categoria.

O recado de LeBron à diretoria

A discussão sobre legado se cruza com uma decisão prática: o contrato. As dúvidas sobre o próximo vínculo do astro aumentaram depois das informações do insider Brian Windhorst, da ESPN, no podcast “The Hoop Collective”.

Segundo Windhorst, o lado de LeBron quer transparência da diretoria sobre proposta e projeto. “O lado do LeBron, pelo que me dizem, gostaria que o Lakers chegasse e dissesse: ‘LeBron, aqui está nosso plano para você’, ou ‘aqui está o que estamos oferecendo'”, relatou. “E, se estiverem oferecendo menos que o máximo salarial, aqui está o porquê.”

O peso da conversa se justifica nos números. LeBron recebeu US$ 52,6 milhões na última temporada e seguiu produtivo mesmo entrando no 23º ano de carreira, com médias de 20,9 pontos, 7,2 assistências e 6,1 rebotes enquanto o time se manteve competitivo após a chegada de Doncic.

Pelinka quer o elenco desenhado em torno de Doncic

Do outro lado da mesa, a diretoria já sinalizou a direção. O presidente Rob Pelinka confirmou que a reconstrução do plantel terá o esloveno como ponto de partida. “O arquétipo de elenco que queremos vai ser ajustado em torno do Luka e do que ele precisa”, disse Pelinka na entrevista de fim de temporada.

Pelinka também declarou publicamente que a franquia “adoraria ter LeBron James” de volta, mas o cenário envolve mais peças. A extensão de Austin Reaves entra na conta, assim como reforços que tapem buracos evidentes do time.

Rothenberg foi direto ao apontar onde estão esses buracos. “O Lakers obviamente precisa de um bom pivô e de ajuda na defesa”, avaliou. “No momento, os melhores jogadores deles são ótimos no ataque, mas defensores questionáveis.” Para o ex-dirigente, dinheiro não é o nó. “Neste ponto, a economia realmente não é o problema. O problema seria: quem eles trazem em volta do Luka?”

Curiosamente, foi o veterano que segurou o time quando a folha desfalcou. “O LeBron é inacreditável, e foi muito generoso ao aceitar o papel coadjuvante”, elogiou Rothenberg. “Obviamente, quando o Luka e o Reaves se machucaram, de algum jeito, aos 41 anos, ele assumiu o controle da equipe.”

A marca Lakers segue intocada

Mesmo com a dificuldade recente de voltar às finais, há um ponto em que Rothenberg não titubeia: o valor institucional da franquia. Para ele, o Lakers continua sendo um dos ativos mais fortes do esporte mundial, independentemente de quem veste a camisa.

“Com certeza. A marca deles é inacreditável”, afirmou. “A lotação é de 100 por cento. Os patrocínios são 100 por cento. A audiência de TV é 100 por cento. Eles têm uma marca incrível.” É um lembrete de que a disputa por legado entre LeBron e os ícones do passado acontece dentro de uma instituição que não depende de um único nome para existir. O veredito sobre o lugar do astro na história, porém, ainda vai ser escrito longe das planilhas: na decisão que ele tomar nas próximas semanas.