Todo mundo já sabe que LeBron James não renovou com o Lakers. Segundo a ESPN, a franquia não apresentou nenhuma oferta formal ao jogador de 41 anos e sequer conseguiu marcar uma reunião antes da free agency. James já havia decidido sair, incomodado por não enxergar um plano concreto de reforço do elenco ao redor da nova estrela da casa.

Siga o Lakers Brasil no Instagram

De planos de aposentadoria em Los Angeles a fora do plano em dois meses

A virada foi rápida. Logo depois da varrida sofrida para o Thunder na segunda rodada dos playoffs, dois meses atrás, o Lakers parecia o destino mais provável de LeBron para 2025-26. Rich Paul, agente e amigo de longa data, cravava que o cliente estava “80% certo” de que queria permanecer. As semanas passaram, o cálculo mudou, e na terça-feira anterior a franquia recebeu o recado: não haveria renovação.

Até esta segunda, James ainda não bateu o martelo sobre um novo destino. O que praticamente ninguém aposta é na aposentadoria. Depois de 23 temporadas, um recorde absoluto na liga, encerrar a carreira neste verão americano seria a menos esperada das saídas.

O que a ESPN revelou sobre os bastidores

A reportagem de Ramona Shelburne, publicada na ESPN, expõe um silêncio que diz muito. Durante uma semana inteira, nenhum dos lados trocou proposta, formal ou informal. Não houve conversa sobre um projeto conjunto, nem encontro cara a cara, presencial ou por vídeo.

“Por uma semana, nem o entorno de James nem o Lakers trocaram ofertas formais ou mesmo informais, de acordo com fontes dos dois lados da situação”, escreveu Shelburne. “Nem discutiram uma visão de futuro juntos, ou sequer se reuniram, pessoalmente ou virtualmente.”

O Lakers tentou. Ligou para Paul uma semana antes da free agency, janela em que os times já podem procurar seus próprios agentes livres, e propôs uma videoconferência com James. A resposta foi que o jogador não estava disponível. “Paul não disse o motivo na hora, mas contou à ESPN que era porque James já havia decidido que não queria voltar e que não havia necessidade de ligação”, relatou a jornalista.

O pedido que nunca foi atendido

Como muitos suspeitavam, a exigência de LeBron era simples e cara: mostrar como o elenco melhoraria caso ele topasse reduzir o próprio salário. O plano nunca chegou. A leitura interna, segundo Shelburne, é que o veterano passou a sentir que não era prioridade.

A semente foi plantada em fevereiro de 2025, quando o Lakers trouxe Doncic. Com 25 anos à época, o esloveno virou de imediato o eixo da organização. Pela primeira vez na carreira, LeBron não era o homem central. Ele aceitou o papel e chegou a ser a terceira opção de pontuação na última temporada, atrás de Doncic e de Austin Reaves. Nos bastidores, porém, ficou a sensação de que o reconhecimento não veio na mesma proporção do sacrifício.

“Sinceramente, não sei se fizemos o suficiente para reconhecer os sacrifícios que ele fez ao topar entregar as chaves para o Luka e o AR neste ano”, admitiu um funcionário da franquia. “Claro que ele tem um ego grande, e as pessoas podem falar o que quiserem sobre isso. Mas ele também é o maior pontuador da história do basquete e tentou de verdade fazer o melhor para o time vencer.”

Um legado ambíguo, mas não pequeno

O Lakers agora constrói para valer ao redor de Doncic. LeBron sai depois de oito temporadas. O período é visto por muitos como uma decepção, sobretudo se comparado ao de outros gigantes que vestiram a camisa. É uma leitura injusta pela metade. Quando ele chegou, em 2018, o time estava atolado no limbo esportivo, longe dos playoffs havia anos.

Um ano depois, com a chegada de Anthony Davis, veio a resposta na quadra: o 17º título da história do Lakers, conquistado logo na primeira temporada da dupla. Foi o ponto alto de uma passagem que termina sem festa, mas que resgatou a franquia de um buraco. O divórcio agora se dá no tom mais frio possível, o do silêncio combinado dos dois lados.