Donald Trump chamou LeBron James de “desgraça total” e cobrou um pedido de desculpas por causa do comportamento dele durante o hino americano, antes da estreia pelo Sixers no Madison Square Garden. LeBron respondeu com ironia, depois da maior virada da carreira dele: “Deve ser um dia fraco de notícias”.
O que aconteceu durante o hino
A cena é da noite de 20 de outubro, em Nova York. Antes do primeiro jogo de LeBron com a camisa do Philadelphia 76ers, contra o Knicks, atual campeão da NBA, um vídeo mostrou o ala fazendo alongamentos com os braços durante o hino nacional e, em seguida, repetindo o movimento de um arremesso, enquanto a maior parte dos companheiros ficava parada.
O vídeo circulou nas redes no dia seguinte, com uma legenda debochada: “LeBron treinando o swing de golfe antes do jogo”. Em quadra, a noite tinha sido boa para ele. O Sixers venceu por 106 a 100, e LeBron terminou com 14 pontos, 9 rebotes e 7 assistências em 34 minutos.
A cobrança de Trump
Na quinta-feira, 22 de outubro, o presidente dos Estados Unidos publicou o vídeo na Truth Social, a rede social dele. No texto, escreveu que LeBron “desrespeita o nosso país”, que é “uma desgraça total” e que deveria pedir desculpas “a todos aqueles grandes guerreiros e heróis americanos que morreram pela bandeira”. Também lembrou que, segundo ele, sempre disse que o jogador “não presta”.
Trump não ficou só na postagem. Na mesma noite, em um comício de campanha em Sioux City, no estado de Iowa, voltou ao assunto e tratou o episódio como “um grande escândalo”. A disputa tem prazo político: os americanos vão às urnas nas eleições de meio de mandato no começo de novembro.
A resposta depois da maior virada da carreira
LeBron foi perguntado sobre a cobrança horas depois, na entrevista após o jogo contra o Cavaliers, o time em que começou a carreira. O Sixers tinha acabado de sair de uma desvantagem de 29 pontos para vencer por 114 a 106, a maior virada que ele já viveu em 24 temporadas na NBA. Ele fez 17 pontos, 10 rebotes, 5 assistências e 3 roubos de bola. A resposta veio curta, e com riso.
“É um dia fraco de notícias no escritório, sabe? Dia fraco de notícias no escritório.”
LeBron James, depois da vitória sobre o Cavaliers, sobre a crítica de Trump
Foi tudo. LeBron não pediu desculpas, não comentou o hino e não alongou a conversa. O técnico Nick Nurse seguiu a mesma linha e colocou a crítica no pacote do que chamou de “barulho de fora”, que o time já vinha aprendendo a ignorar. Para ele, o que importa é o treino, a sala de vídeo e o jogo, e o foco do grupo, segundo disse, tem sido excelente.
A reação mais forte veio da televisão. Stephen A. Smith, da ESPN, disse no rádio que Trump passou do ponto e levantou a hipótese de que a crítica tem relação com a eleição que se aproxima. O comentário pesou porque o próprio Smith tinha jantado com Trump na Casa Branca uma semana antes.
Uma briga que começou antes do Lakers e passou por ele
A troca de farpas tem quase uma década. Em 2017, ainda no Cavaliers, LeBron chamou Trump de “vagabundo” no Twitter, depois que o presidente retirou o convite ao Warriors de Stephen Curry para a visita tradicional do campeão à Casa Branca. Em agosto de 2018, semanas depois de LeBron assinar com o Lakers, Trump escreveu que ele tinha sido entrevistado pelo “homem mais burro da televisão” e que o jornalista o tinha feito “parecer inteligente, o que não é fácil”.
Nos oito anos de Los Angeles, LeBron nunca deixou de falar de política e de questões sociais, e Trump nunca deixou de responder. A mudança para Philadelphia, em julho, só reabriu o capítulo: logo depois da assinatura com o Sixers, o presidente disse que LeBron “talvez seja racista”. Agora, aos 41 anos e com o calendário político esquentando, o hino virou o novo motivo.
O que vem para LeBron
Em quadra, a temporada de LeBron vai bem para a idade, mas pede cuidado. Ele ficou fora do jogo contra o Bucks para tratar uma ciática e, contra o Pistons, foi titular como pivô pela primeira vez em cinco anos, por causa das lesões no garrafão do Sixers. Nesta quarta, contra o Pacers, em Indianápolis, ele fez 13 pontos, 10 assistências, 5 rebotes e 2 tocos, sem nenhum erro de posse, na vitória por 114 a 109. Em quatro jogos, tem média de 15,5 pontos, 6,5 rebotes e 6,8 assistências, e o Sixers está com 4 vitórias e 1 derrota.
A data que o torcedor do Lakers já marcou é outra: o reencontro de LeBron com o time em que passou oito temporadas, que fica para o Natal, em Los Angeles. Até lá, o hino, o presidente e a resposta de uma linha devem continuar seguindo LeBron por onde ele passar.