Kareem Abdul-Jabbar, trazido do Bucks em 1975, abre a nossa lista das 10 maiores trocas do Lakers, seguido por Kobe Bryant e Magic Johnson. Todos os 12 títulos conquistados em Los Angeles tiveram pelo menos um jogador que chegou por uma dessas negociações.
O critério não é só o tamanho do nome que chegou. Contamos quantos títulos cada troca rendeu e o peso do jogador em cada um: protagonista vale mais que coadjuvante, e uma taça como estrela pesa mais que três como reserva. Por isso Pau Gasol, com dois títulos, fica à frente de quem tem três. A lista vai do 10º ao 1º lugar. Também fizemos o caminho contrário, com os 10 piores contratos da história do Lakers.
10. Luka Doncic, 2025
A troca que parou a NBA na madrugada de 2 de fevereiro de 2025. Em um acordo com Mavericks e Jazz, o Lakers recebeu Luka Doncic, Maxi Kleber e Markieff Morris, e mandou Anthony Davis, Max Christie e a escolha de primeira rodada de 2029 para Dallas, além de Jalen Hood-Schifino e uma escolha de segunda rodada para Utah. Doncic tinha 25 anos e já tinha levado o Mavericks a uma final. É a única troca da lista ainda em aberto: sem título até aqui, ela entra pelo tamanho do que pode render, não pelo que já rendeu.
9. Robert Horry, 1997
Em 10 de janeiro de 1997, o Suns estava em guerra com Horry, que tinha brigado com o técnico Danny Ainge, e aceitou trocá-lo por Cedric Ceballos e Rumeal Robinson. Junto veio o pivô Joe Kleine. Horry nunca foi estrela, mas esteve nos três títulos seguidos de 2000, 2001 e 2002, e acertou a bola de três no último segundo do jogo 4 da final do Oeste de 2002 contra o Kings, o arremesso que salvou aquela série.
8. Byron Scott, 1983
Jerry West trocou um armador titular e bicampeão, Norm Nixon, junto com Eddie Jordan, pelo novato Byron Scott, quarta escolha do draft de 1983, e pelo pivô Swen Nater, do então San Diego Clippers. A troca, em outubro de 1983, foi tratada como aposta arriscada na época. Com Nixon fora, a bola ficou de vez nas mãos de Magic, e Scott virou o ala-armador titular dos títulos de 1985, 1987 e 1988.
7. Wilt Chamberlain, 1968
Em 9 de julho de 1968, o 76ers mandou para Los Angeles o pivô que tinha sido MVP nas três temporadas anteriores, em troca de Darrall Imhoff, Archie Clark e Jerry Chambers. Wilt perdeu duas finais nos primeiros anos, mas em 1971-72 comandou o time que fez 69 vitórias e 13 derrotas, ganhou 33 jogos seguidos, recorde da NBA até hoje, e deu ao Lakers o primeiro título em Los Angeles. Ele foi o MVP das Finais.
6. Anthony Davis, 2019
Acertada em junho e oficializada em 6 de julho de 2019, a troca custou ao Lakers o futuro que vinha sendo montado havia três anos: Brandon Ingram, Lonzo Ball, Josh Hart e três escolhas de primeira rodada, entre elas a quarta do draft de 2019, além de uma inversão de escolhas. Em troca, chegou o parceiro que LeBron James queria. Um ano depois, o Lakers ganhou o título de 2020 dentro da bolha. Davis ficou até 2025 e foi a principal peça da troca que fecha esta lista.
5. James Worthy, 1980
A troca mais silenciosa da lista. Em fevereiro de 1980, o Lakers mandou Don Ford e a sua escolha de primeira rodada daquele ano, a 22ª, ao Cavaliers, e recebeu Butch Lee e a escolha de primeira rodada do Cleveland em 1982. O Cavaliers fez a pior campanha da liga em 1981-82, o Lakers ganhou o cara ou coroa contra o Clippers e escolheu James Worthy em primeiro lugar. Vieram três títulos, em 1985, 1987 e 1988, e o prêmio de MVP das Finais de 1988.
4. Pau Gasol, 2008
Em 1º de fevereiro de 2008, o Grizzlies mandou Pau Gasol para Los Angeles e recebeu Kwame Brown, Javaris Crittenton, Aaron McKie, duas escolhas de primeira rodada e os direitos de um irmão mais novo de Pau que jogava na Espanha, Marc Gasol. Na época, muita gente chamou de presente ao Lakers. O time foi às finais três vezes seguidas, de 2008 a 2010, e ganhou as duas últimas, com Gasol como segundo nome de Kobe. A ironia é que Marc virou depois um dos melhores pivôs da liga e foi campeão em 2019, pelo Raptors.
3. Magic Johnson, 1976
A maior troca do Lakers começou com uma saída. Em 1976, Gail Goodrich assinou com o New Orleans Jazz como agente livre, e pela regra da época o Lakers tinha direito a compensação. O acordo entre os dois times mandou para Los Angeles escolhas de primeira rodada do Jazz, entre elas a de 1979. O Jazz fez a pior campanha do Oeste em 1978-79, o Lakers venceu o cara ou coroa contra o Bulls e escolheu Magic Johnson. Foram cinco títulos, três prêmios de MVP e três de MVP das Finais.
2. Kobe Bryant, 1996
O Hornets escolheu Kobe Bryant na 13ª posição do draft de 1996, já com o acordo combinado, e a troca foi oficializada em 11 de julho: o Lakers deu Vlade Divac, o pivô titular, e de quebra abriu espaço na folha para contratar Shaquille O’Neal como agente livre naquele mesmo verão. Divac chegou a ameaçar se aposentar para não ir a Charlotte, e Kobe quase foi parar no Nets. Ficou 20 temporadas, ganhou cinco títulos, o MVP de 2008 e dois prêmios de MVP das Finais, e virou o maior cestinha da história da franquia.
1. Kareem Abdul-Jabbar, 1975
Em 16 de junho de 1975, o Bucks atendeu ao pedido de Kareem para sair de Milwaukee e o mandou para o Lakers junto com Walt Wesley. Foram para o Bucks o pivô Elmore Smith, o ala Brian Winters e os novatos Dave Meyers e Junior Bridgeman, recém-escolhidos no draft. Kareem jogou 14 temporadas em Los Angeles, ganhou três prêmios de MVP pelo Lakers e esteve nos cinco títulos dos anos 1980, com o MVP das Finais de 1985. Foi a troca que montou a base do Showtime antes mesmo de Magic chegar.
Quem ficou de fora
Shaquille O’Neal não entra porque não chegou por troca: assinou como agente livre em 1996, graças ao espaço aberto na negociação de Kobe. Ficaram perto da lista Lamar Odom, que veio do Heat em 2004 na troca de Shaq e esteve nos títulos de 2009 e 2010, e Mychal Thompson, trazido do Spurs em 1987 para reforçar o garrafão dos títulos de 1987 e 1988. O padrão se repete em toda a história do Lakers: quase todo título passou por uma troca que alguém, na época, achou cara demais.