Channing Frye acredita que Luka Doncic vai ser campeão, mas não jogando como joga hoje. O argumento do ex-jogador tem uma tabela por trás: nenhum atleta entre os quatorze de maior taxa de uso em uma temporada venceu o título naquele ano. Doncic aparece quatro vezes nessa lista, e ele mesmo já apontou o que faltou.

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Resumo rápido
Nenhum
Dos quatorze maiores usos individuais de uma temporada terminou com o título.
4 de 14
Temporadas dessa lista pertencem a Doncic, mais que de qualquer outro.
38,0%
O uso dele na temporada passada, o maior da liga e o maior da carreira.
2 vezes
O dono da bola da temporada perdeu o título justamente para o Lakers.
2024
Única Final da carreira de Doncic, perdida em cinco jogos para o Celtics.

O que Frye disse

A fala saiu no programa Road Trippin, e não é a crítica preguiçosa de quem só quer bater. Frye começa dizendo que acredita no título, e é justamente por isso que a ressalva pesa.

“Eu acho que o Luka vai ser campeão. Não acho que ele vai ganhar com esse estilo de jogo e essa taxa de uso. Ele perdeu a única chance que teve? Não. Só acho que vai aparecer alguma coisa em que o Luka precise aceitar que não é assim que se ganha. A grandeza individual dele não é maior que o Thunder, o Spurs, o Knicks ou o Sixers, não importa o quanto ele seja bom sozinho. Então você tem que montar um time em volta dele em que ele confie e no qual possa soltar a bola um pouco mais.”

Channing Frye, ex-jogador da NBA, no programa Road Trippin

Corey Hansford, da Lakers Nation, foi quem trouxe a declaração e cruzou com o histórico. Frye passou treze temporadas na liga e foi campeão em 2016, no Cavaliers de LeBron James, como reserva de um time cujo melhor jogador dividia a bola com Kyrie Irving e Kevin Love. Ele está descrevendo um caminho que percorreu.

A tabela que sustenta o argumento

Taxa de uso mede a fatia das posses do time que terminam na mão de um jogador, somando arremesso, falta sofrida e erro. Doncic tem a maior marca de carreira da história da NBA nesse índice, e a temporada passada foi a mais extrema da vida dele. Estas são as quatorze maiores marcas individuais que a liga já registrou.

Jogador Temporada Uso Campeão
Russell Westbrook 2016-17 41,5% Não
James Harden 2018-19 40,3% Não
Kobe Bryant 2005-06 38,7% Não
Giannis Antetokounmpo 2022-23 38,5% Não
Russell Westbrook 2014-15 38,2% Não
Michael Jordan 1986-87 38,2% Não
Luka Doncic 2025-26 38,0% Não
Allen Iverson 2001-02 37,7% Não
Luka Doncic 2022-23 37,5% Não
Giannis Antetokounmpo 2019-20 37,3% Não
Luka Doncic 2021-22 37,3% Não
Joel Embiid 2021-22 36,9% Não
Joel Embiid 2022-23 36,8% Não
Luka Doncic 2019-20 36,6% Não

A coluna da direita é a resposta ao argumento de Frye, e ela não tem exceção. Quatorze temporadas, quatorze times sem título. Cinco nomes diferentes tentaram carregar o ataque nessa proporção, e nenhum passou.

A coincidência que interessa a quem torce para o Lakers

Duas dessas quatorze temporadas terminaram com o Lakers levantando o troféu. Em 1986-87, Michael Jordan usou 38,2% das posses do Bulls e viu o título ficar com o time de Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar. Em 2019-20, Giannis Antetokounmpo usou 37,3% no Bucks e o campeão foi o Lakers de LeBron James e Anthony Davis.

Ou seja, o time que Doncic comanda hoje já foi duas vezes o beneficiário direto do padrão que Frye descreve. Isso não prova nada sobre o futuro, mas mostra de que lado da conta a franquia costumava estar.

O problema de soltar a bola

Frye não está pedindo que Doncic jogue menos, está pedindo que ele confie mais. E aí a conversa deixa de ser sobre o esloveno e passa a ser sobre quem está ao lado dele. Soltar a bola só funciona se alguém fizer algo com ela.

É por isso que a temporada do Lakers depende tanto de Austin Reaves e do contrato que ele assinou, e de Quentin Grimes conseguir repetir fora do papel o que a projeção diz. Se os dois entregarem, a taxa de uso de Doncic cai sozinha, sem ninguém ter de pedir. Se não entregarem, ele volta a fazer tudo, não porque queira, mas porque não terá alternativa.

Há um contra-argumento honesto do outro lado da mesa. A lista das quatorze maiores taxas de uso é também uma lista de jogadores em times mal montados: Westbrook em um Thunder sem Durant, Harden em um Rockets sem segundo criador, Kobe no ano seguinte à saída de Shaquille O’Neal. O uso alto pode ser sintoma, e não doença. O que a temporada 2026-27 vai medir é qual das duas coisas ele é em Los Angeles.