Channing Frye acredita que Luka Doncic vai ser campeão, mas não jogando como joga hoje. O argumento do ex-jogador tem uma tabela por trás: nenhum atleta entre os quatorze de maior taxa de uso em uma temporada venceu o título naquele ano. Doncic aparece quatro vezes nessa lista, e ele mesmo já apontou o que faltou.
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O que Frye disse
A fala saiu no programa Road Trippin, e não é a crítica preguiçosa de quem só quer bater. Frye começa dizendo que acredita no título, e é justamente por isso que a ressalva pesa.
“Eu acho que o Luka vai ser campeão. Não acho que ele vai ganhar com esse estilo de jogo e essa taxa de uso. Ele perdeu a única chance que teve? Não. Só acho que vai aparecer alguma coisa em que o Luka precise aceitar que não é assim que se ganha. A grandeza individual dele não é maior que o Thunder, o Spurs, o Knicks ou o Sixers, não importa o quanto ele seja bom sozinho. Então você tem que montar um time em volta dele em que ele confie e no qual possa soltar a bola um pouco mais.”
Channing Frye, ex-jogador da NBA, no programa Road Trippin
Corey Hansford, da Lakers Nation, foi quem trouxe a declaração e cruzou com o histórico. Frye passou treze temporadas na liga e foi campeão em 2016, no Cavaliers de LeBron James, como reserva de um time cujo melhor jogador dividia a bola com Kyrie Irving e Kevin Love. Ele está descrevendo um caminho que percorreu.
A tabela que sustenta o argumento
Taxa de uso mede a fatia das posses do time que terminam na mão de um jogador, somando arremesso, falta sofrida e erro. Doncic tem a maior marca de carreira da história da NBA nesse índice, e a temporada passada foi a mais extrema da vida dele. Estas são as quatorze maiores marcas individuais que a liga já registrou.
| Jogador | Temporada | Uso | Campeão |
|---|---|---|---|
| Russell Westbrook | 2016-17 | 41,5% | Não |
| James Harden | 2018-19 | 40,3% | Não |
| Kobe Bryant | 2005-06 | 38,7% | Não |
| Giannis Antetokounmpo | 2022-23 | 38,5% | Não |
| Russell Westbrook | 2014-15 | 38,2% | Não |
| Michael Jordan | 1986-87 | 38,2% | Não |
| Luka Doncic | 2025-26 | 38,0% | Não |
| Allen Iverson | 2001-02 | 37,7% | Não |
| Luka Doncic | 2022-23 | 37,5% | Não |
| Giannis Antetokounmpo | 2019-20 | 37,3% | Não |
| Luka Doncic | 2021-22 | 37,3% | Não |
| Joel Embiid | 2021-22 | 36,9% | Não |
| Joel Embiid | 2022-23 | 36,8% | Não |
| Luka Doncic | 2019-20 | 36,6% | Não |
A coluna da direita é a resposta ao argumento de Frye, e ela não tem exceção. Quatorze temporadas, quatorze times sem título. Cinco nomes diferentes tentaram carregar o ataque nessa proporção, e nenhum passou.
A coincidência que interessa a quem torce para o Lakers
Duas dessas quatorze temporadas terminaram com o Lakers levantando o troféu. Em 1986-87, Michael Jordan usou 38,2% das posses do Bulls e viu o título ficar com o time de Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar. Em 2019-20, Giannis Antetokounmpo usou 37,3% no Bucks e o campeão foi o Lakers de LeBron James e Anthony Davis.
Ou seja, o time que Doncic comanda hoje já foi duas vezes o beneficiário direto do padrão que Frye descreve. Isso não prova nada sobre o futuro, mas mostra de que lado da conta a franquia costumava estar.
O problema de soltar a bola
Frye não está pedindo que Doncic jogue menos, está pedindo que ele confie mais. E aí a conversa deixa de ser sobre o esloveno e passa a ser sobre quem está ao lado dele. Soltar a bola só funciona se alguém fizer algo com ela.
É por isso que a temporada do Lakers depende tanto de Austin Reaves e do contrato que ele assinou, e de Quentin Grimes conseguir repetir fora do papel o que a projeção diz. Se os dois entregarem, a taxa de uso de Doncic cai sozinha, sem ninguém ter de pedir. Se não entregarem, ele volta a fazer tudo, não porque queira, mas porque não terá alternativa.
Há um contra-argumento honesto do outro lado da mesa. A lista das quatorze maiores taxas de uso é também uma lista de jogadores em times mal montados: Westbrook em um Thunder sem Durant, Harden em um Rockets sem segundo criador, Kobe no ano seguinte à saída de Shaquille O’Neal. O uso alto pode ser sintoma, e não doença. O que a temporada 2026-27 vai medir é qual das duas coisas ele é em Los Angeles.